Luquinha, a joia alviceleste, já é realidade
No filme “Nasce uma estrela” a garçonete Ally, interpretada por Lady Gaga, sai do ostracismo graças à mãozinha generosa do decadente cantor Jack, vivido por Bradley Cooper, que também dirige a película. De figurante num show de Jack , ela ganha as paradas de sucesso e o estrelato. Faço a analogia com o que está ocorrendo com o garoto Luquinha, 18 anos, uma das boas revelações da base do Londrina nesta surpreendente temporada de 2019.
O criativo meio-campista do LEC já havia mostrado suas credenciais na Copa São Paulo Sub-19, este ano. Ele foi o grande destaque da equipe ao anotar seis gols em quatro partidas. Promovido ao time profissional pelo técnico Alemão, que já o conhecia da base, o jogador vem crescendo jogo a jogo desde que ganhou a titularidade contra o Foz do Iguaçu.
De início, só mais um figurante entre os reservas. Vindo do banco, Luquinha brilhou no confronto eliminatório contra o Paraná Clube, pela Copa do Brasil, no dia 19 de fevereiro. Ele entrou no segundo e marcou um golaço de falta no empate (1 a 1) que forçou a decisão por pênaltis. E a joia alviceleste não se intimidou nas penalidades: foi lá e marcou um dos gols que ajudaram o Londrina a avançar na competição.
Grande parte da torcida já vinha cobrando a presença de Luquinha no time titular. Prudente, Alemão foi segurando a joia e insistindo com Marcinho e Matheus Bianchi, na sua postura de dar pelo menos três oportunidades seguidas para que cada jogador mostre que pode ser titular.
E, na última quarta-feira (20), Luquinha demonstrou todo o seu talento na partida diante do Maringá, que se não é aquele velho rival e freguês Grêmio de Maringá de confrontos históricos, traz à tona toda a rivalidade que envolve as duas maiores cidades do Norte do Paraná.
O garoto fez de tudo naquela partida: deu assistência, driblou, arriscou chutes de média e longa distância, marcou um gol, acertou a trave e sofreu um pênalti, que infelizmente foi desperdiçado pelo volante Anderson Leite (devidamente advertido pelo técnico Alemão por não deixar o garoto executar a cobrança). Uma atuação de gala no jogo em que o Londrina foi soberano e poderia ter goleado o adversário.
Luquinha provou que pode ser titular desse jovem time do LEC apoiado pelo experiente Germano, 35 anos, que não está decadente como Jack de “Nasce uma estrela”. A bola agora está com Alemão, pois a estrela do Tubarão está pedindo passagem para brilhar no mundo do futebol. A joia alviceleste já é realidade.
BARBATANA – Como é bom ver o ex-jogador Alemão mostrar potencial de treinador de futuro no comando do time profissional do LEC. Ele “subiu” da equipe Sub-19 e aceitou esse desafio lançado pela SM Sports, gestora do clube. Ao contrário do desastre que foi a passagem de Ricardinho por aqui no ano passado – deixou o LEC na zona do rebaixamento do Paranaense -, Alemão vem provando que conhece o futebol e, o principal: sabe dar o devido respeito ao elenco. O resultado prático desta postura pôde ser sentido na partida diante do Maringá: mesmo mudando seis peças no time titular, o LEC apresentou um futebol agressivo e de muita combatividade. Parabéns ao jovem treinador.
MANDÍBULA – Que enfadonho esse nhen-nhen-nhen nas redes sociais em torno da falta de público nos jogos do Londrina no Estádio do Café. O clube e a gestora SM Sports lançaram o plano sócio-torcedor e, infelizmente, com baixa adesão até o momento. Atingiu pouco mais de 1,5 mil sócios. É uma maneira de o torcedor ajudar o time nessa empreitada de conquistar um inédito acesso à Série A do Brasileiro. Claro, o LEC já participou da divisão principal, mas muito tempo atrás. Desde 1982, o Tubarão está ausente da Série A. Para que esta conquista aconteça, é preciso que cidade e torcida abracem o time de vez. Se o LEC subir, o clube ganha uma gorda cota de TV (mais patrocínios virão) e o empresariado em geral (comércio, bares, hotéis e restaurantes) também vão lucrar com a vinda de torcedores de cidades da região e de outros estados. É hora de unir, não de dividir.
FOTO: Gustavo Oliveira/LEC
Claudemir Scalone

Sou jornalista formado pela UEL (1987/1990) e apaixonado por Londrina e pelo Londrina Esporte Clube. Já trabalhei no Correio Londrinense (1992/1994) e na Folha Londrina, onde fui revisor, repórter, redator e editor (1990/1992 e 1994/2018). Meus lugares preferidos são o Zerão e o Lago Igapó onde faço caminhadas e fotos desse cartão postal de Londrina. E, claro, o Estádio do Café é outro lugar favorito, pois lá é a casa do Tubarão. Como todo torcedor do LEC, sonho em ver o time voltar à Série A do Brasileirão, porém, antes disso espero que o clube se reestruture a ponto de não precisar terceirizar seu departamento de futebol.

