Skip to content

Sem mandatos, ex-deputados seguem com articulação política

Depois de décadas como deputados federais, Luiz Carlos Hauly e Alex Canziani contam o que estão fazendo sem ocupar cargos políticos

Loriane Comeli

Equipe O LONDRINENSE

Luiz Carlos Hauly (PSDB) passou quase três décadas ocupando uma vaga na Câmara Federal, em sete mandatos com deputado. Em 2018, foi derrotado, obtendo apenas 35 mil votos, muito pouco, quando se considera que quatro anos antes havia feito 86,4 mil votos.

Alex Canziani (PTB) é outro político profissional de Londrina: foi deputado federal nos últimos cinco mandatos; diferentemente do colega tucano, ele não disputou a reeleição, mas uma vaga no Senado, para a qual não foi eleito, mas conseguiu 1,3 milhão de votos, ficando em quarto lugar, muito à frente do ex-governador Beto Richa (PSDB), que fez 377 mil votos e hoje está preso. Outro feito de Canziani em 2018 foi eleger a filha, a jovem desconhecida Luiza Canziani, que fez 90,2 mil votos.

Em comum, os dois dizem que retomaram atividades particulares, mas que seguem na vida pública e na articulação político-partidária, já que são nomes de peso dentro de suas legendas.

Hauly, que tem formação na área econômica e, por duas vezes, em governos tucanos, foi secretário estadual de Fazenda de Alvaro Dias (1987-1990) e de Beto Richa (2011-2013), além de ter sido relator de reformas tributárias, disse que abriu uma empresa para prestar consultaria a outras empresas e entidades de grande porte.

“Sou economista, sou especialista em matéria tributária. Tenho prestado consultoria nessas áreas. Atendo grandes empresas e entidades de Curitiba, Brasília”, disse Hauly, ao ser questionado sobre seus projetos após 31 de janeiro, quando se encerrou o último mandato parlamentar.

“Estou dando prioridade à família, à igreja, coisas que deixei sempre em segundo, terceiro lugar pelo ideal da coisa pública de servir ao país, a nossa gente. Cuidava todo dia da Santa Casa de Cambé, de Londrina, de Rolândia, de Arapongas, Ibiporã, do Hospital de Câncer, Hospital Universitário, Hospital Evangélico, escolas, diretores, dos prefeitos, dos vereadores, do governo do Estado do Paraná; agora a prioridade são questões privadas, particulares, a igreja”, declarou.

Sobre o futuro político, Hauly, que começou a vida política como vereador em Cambé (1973-1976) e também já foi prefeito daquela cidade (1983-1987) e disputou a prefeitura de Londrina em quatro eleições consecutivas (1996 a 2008), disse que está pensando muito pouco nisso agora. “Estamos discutindo dentro do PSDB, com outros partidos, dialogando, mas não estou gastando nem meio por cento do tempo com isso”, disse Hauly, que é vice-presidente do PSDB estadual.

Apesar do fim do mandato, o tucano segue indo a Brasília – quer ver aprovada e implantada a reforma tributária. “Para Brasília tenho ido toda semana para tratar de assuntos da reforma tributária; sou relator da reforma de dezembro e defendo aprovação e implantação dela.”

Canziani também mantém as idas à capital federal: é uma espécie de mentor da própria filha. Sem mandato, retomou as atividades de registrador de imóveis em cartório pertencente à sua família há anos. “Também tenho recebido convites para palestras sobre educação”, comentou, referindo-se à área na qual se destacou nos cinco mandatos em Brasília.

A falta de uma cadeira parlamentar, no entanto, não afastou Canziani da atividade política, que parece ser intensa. Tem ido com frequência à Prefeitura de Londrina e mantido reuniões com diversos políticos da região. “Tenho falado com o prefeito [Marcelo Belinati], com secretários, hoje mesmo [sexta-feira, 22] tive uma reunião; lideranças da região me procuram; vou a Curitiba ou a Brasília, acompanhar o mandato da Luiza; procuro ajudar como posso”, disse. “Continuamos fazendo política sem estar na política.”

Caniziani foi vereador em Londrina por dois mandatos (entre 1989 e 1996), elegeu-se vice-prefeito de Antonio Belinati em 1996 (na desastrosa gestão que terminou com a cassação do prefeito em junho de 2000) e renunciou após ser eleito deputado federal em 1998; em 1999, foi secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho do Paraná, no governo de Jaime Lerner.

No currículo do ex-deputado também está a disputa pela Prefeitura de Londrina: uma única vez, em 2004, mas seu desempenho foi pífio, ficando com a sexta colocação com apenas 5.081 votos, o equivalente a 1,9% dos votos válidos.

O petebista não fala em pretensões políticas, ainda. “Estamos fazendo a reestruturação do partido, em nível estadual também, trazendo novas lideranças; haverá um desafio nas próximas eleições para vereador, que são as chapas puras; mas 2020 ainda está distante”, afirmou o político, presidente do PTB no Paraná.

Fotos: Câmara dos Deputados

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Designed using Magazine Hoot. Powered by WordPress.