Quarentena a 40 graus, quem merece? Continuemos em casa. E se você gosta de filmes com diálogos ácidos, inteligentes, rápidos e engraçados, este filme é pra você. A produção teatral ‘The Boys in the Band’, escrita por Mart Crowley, estreou na Broadway em 1968. Mr. Crowley faleceu em março deste ano e, infelizmente, não viu a adaptação da sua história para as telas.
Tudo começou em 2018, quando o genial Ryan Murphy (Hollywood – 2020) decidiu produzir uma remontagem do texto original de Crowley, produzindo o filme para o streaming Netflix. Murphy não se envolveu visualmente com a produção, mas a ideia de produzir uma adaptação de uma peça sobre gays e feita por gays, só poderia vir dele. O produtor sempre trabalhou ativamente para defender as minorias na frente criativa das suas produções.
Com a intenção de criar debate, curiosidade e, é claro, espectadores, ainda que pareça loucura esse tipo de marketing em pleno 2020, a adaptação para a Netflix foi anunciada abundantemente, dando ênfase no detalhe que os personagens gays seriam interpretados por atores assumidamente gays e que estão diariamente nas mídias lutando contra o preconceito: Matt Bomer (Magic Mike), Zachary Quinto (Star Trek), Jin Parsons (o Sheldon de The Big Bang Theory), entre outros.
Com uma direção impecável de Joe Mantello, o texto consegue ser cinematográfico sem perder o charme teatral, tudo isso dentro de um único cenário, uma sala de estar. Mantello mantém uma narrativa cinematográfica sem parecer um teatro filmado, com ângulos e cortes elegantes e trabalhando metáforas com a arquitetura do ambiente e as emoções dos personagens.
A utilização de um único cenário na maior parte do tempo faz com que as performances necessitem ser grandiosas, e são. Nas falas, nos olhares, nos gestos, em tudo. Os atores conseguiram construir seus personagens de forma intensa, mas leve.
O roteiro d’Os Rapazes da Banda aborda o período do começo da libertação LGBT, mas problematizando questões ainda contemporâneas e que independem da posição social ou orientação sexual; a vergonha do corpo, a homofobia, o medo da velhice, solidão e morte. Um tapa na cara com luva de pelica, vamos acordar, nos amar e amar ao próximo. Nota 10.
Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.
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