Para artistas, vida e arte são uma coisa só. Uma depende da outra e isso nem depende dele, é algo inato. O artista nasce para a arte, por assim dizer. Isso já foi inclusive provado pela ciência. E, se cada lado do cérebro cuida de uma parte (o esquerdo do pensamento lógico, e o lado direito a criação, o pensamento lúdico), podemos dizer que o artista é todo lado direito.
No livro “Mentes Criativas”, escrito por Ana Beatriz Barboza Silva, psicóloga e estudiosa do assunto, são abordadas questões essenciais para distinguirmos e aprendermos como as pessoas que trabalham com o lado direito do cérebro são em relação as que usam mais o esquerdo. A mente de uma pessoa criativa geralmente é observadora, inquieta, “rebelde”, extremamente focada em assuntos de seu interesse – traço que inclusive pode ser confundido com síndromes ou doenças como autismo, bipolaridade e hiperatividade ou TDAH.
Durante muito tempo, cérebros criativos foram confundidos com o cérebro de pessoas com distúrbios psicológicos – alguns deles bem sérios. Vem daí a “lenda”, muito cruel e sem fundamento, por sinal, de que artistas são “loucos” ou pessoas fora da realidade.
Eu diria que artistas sentem, percebem imagens, cores, formas e são capazes de pensar de forma diferente, mais lúdica. Abstraem muito mais fácil e inclusive usam essa imaginação super fértil para resolver problemas cotidianos. São pessoas comuns sim, apenas desenvolvem muito mais um lado do cérebro que outros. E sim, todo mundo pode desenhar, mas nem todo muito pode ser artista. Talvez essa ideia sintetize, de forma um tanto simplista, mas clara, o que estou tentando dizer.
Os estudos sobre o funcionamento do cérebro possibilitaram também outros estudos – como os que investigam a inteligência emocional –, o que também ajudou a compreender melhor o processo criativo, que por sua vez é muito importante para entender a arte e seus artistas.
Mas, óbvio, nada acontece por milagre divino – não para a grande maioria de nós. O artista estuda, trabalha por horas seguidas e tem suas questões existenciais. Uma carreira nas artes é como qualquer outra: exige sacrifícios, renúncias, muita pesquisa teórica e muitas, muitas horas de prática e técnica.
De novo, artistas não são loucos! Se, em nosso país, os artistas dessem aulas de artes nas escolas, nossa familiaridade com o assunto seria maior. Nesse momento, inclusive, em que a censura volta a bater em nossa porta com força, o abismo entre o artista, o público e suas obras ficou ainda maior. A marginalização da figura do artista está mais forte do que nunca!
Em um país em que poucos leem e dão pouca ou nenhuma importância à arte, fica bem mais difícil haver pensamento crítico e capacidade real de análise, pois a arte ensina o ser humano a pensar, a sair do “quadradinho”, da bolha em que vive…
A “arte não enche barriga” mas enche espíritos e mentes, traz conforto e esperança, leva embora a mediocridade da vida, dá outra luz ao cotidiano. Faz perguntas, instiga a desenvolver outros sentidos e traz um escape para quem procura uma fuga para os problemas do dia a dia – que não são poucos. E, se não dá rios de dinheiro, também não se morre de fome sendo artista. Por sua própria natureza diversa, multimídia, o mundo das artes abre um “leque” enorme de possibilidades de trabalho e formas de expressão.
Outra coisa: fala-se muito de criatividade nas redes sociais, nas palestras e livros de autoajuda, mas esquece-se que é na arte que o design, a moda, a gastronomia e arquitetura surgem. É a raiz, a primeira fonte de tudo. A arte não é só para quem quer ser artista, a arte dá uma mão pra todas as áreas. Bibliotecas estão cheias de livros sobre arte e artistas, e só abrir um livro e começar! Seja físico ou e-book, pode-se aprender mais também buscando apoio em sites e blogs. É fácil e pode ser muito prazeroso também.
E esse é um mundo aberto a todos! Quem quiser começar, através de debate, de um bom bate papo toma lá-dá-cá ou quiser começar perguntando e tirando dúvidas, pode escrever aqui que respondo. Comecemos já!
Foto: Acervo pessoal
Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

