“Troco de namorado como troco de roupa” revela modernidade líquida de Bauman

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“Troco de namorado como troco de roupa”. A frase, normalmente empregada como um ditado popular, foi dita de forma séria pela cantora brasileira Anitta, em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, divulgada semana passada. O que, na realidade, não é segredo para ninguém, dada a espontaneidade da artista e sua inteligente e esplendorosa capacidade de fazer marketing da sua vida e de sua carreira. Entretanto, o fato revela algo do qual já falamos por aqui, mas, sempre vale repetir: a modernidade líquida.

Obviamente este espaço não é para fofocar sobre a vida amorosa e sexual de Anitta. Nem tampouco – e muito menos – julgá-la por isso. Por aqui, apenas vamos constatar as filosofias da vida e mostrar que grandes teorias estão muito mais conectadas com a realidade do que supomos. E tudo isso tem a ver com o pensamento do polonês Zygmunt Bauman, para quem o mundo está cada vez mais líquido, ou seja, supérfluo, imediatista e descartável. É o que chamou de modernidade líquida, conceito que pode ser transportado para o amor líquido, para as relações líquidas.

Portanto, dizer que “troca de namorado como se troca de roupa” significa que os namorados (ou os amores) são líquidos. Superficiais, não no sentido da intensidade, mas, da durabilidade. O mesmo vale para tudo nesta vida: antigamente, as lâmpadas e outros produtos, como os eletrodomésticos, duravam muito tempo. Até que a indústria percebeu que se não produzisse produtos que não durassem, as pessoas demorariam a comprar novos itens. Isso nós chamamos de obsolescência programada. Um outro conceito, todavia, que tem o mesmo princípio: a descartabilidade da vida.

Infelizmente, esta é a realidade da vida moderna de hoje. O advento da internet e das redes sociais potencializou essa liquidez de nossos relacionamentos amorosos e de amizade porque trouxe para a vida interpessoal elementos como “bloquear”, “apagar”, “descartar”, etc. E tornou isso muito mais normal do que antes. O que virou uma questão de caráter, isto é, de característica de uma geração, de um ethos, de um modo de ser, agir e pensar. É de se pensar, não?

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Pexels

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