Creio que estamos passando por muitas mudanças nesse tempo de corona. Uma delas é o tempo! Tenho visto relatos de pessoas que dizem que não sabiam mais como eram suas casas…Que estão descobrindo o valor dos objetos, interagindo mais com seu espaço…Talvez seja um momento em que fomos obrigados a parar… A entender que o mundo continua a girar mesmo que a gente “Não corra”…
Um dos melhores exercícios dentro do processo de criação é o do “ócio criativo”! Muita gente pensa que ficar “ocioso”é quase um pecado capital… Como se fossemos obrigados a fazer de tudo o tempo todo… A coisa chega a tal ponto que tem gente que simplesmente vira um “workaholic”, alguém viciado em trabalho.
Na arte, em todo o seu processo, aprendemos que muitas vezes precisamos parar! Ou “dar um tempo”, fazer qualquer outra coisa que não esteja ligada com a obra em si. Ninguém consegue trabalhar o tempo todo!

Claro que existem alguns artistas controversos como Da Vinci, quando não estava pintando estava estudando Botânica, ou fazendo projetos arquitetônicos, ou desenhando…. Picasso ia para as touradas e, depois, levava as touradas para as telas.Ou ia à praia e levava a praia e o mar para as telas também…
Eles lidavam com a questão do ócio de outra forma. Lógico que, como todo artista, passaram por fases na criação não tão boas, mas em face do que fizeram, algumas vezes esquecemos disso.

Ficar de vez em quando “sem fazer nada” ajuda a limpar a mente e resolver mais facilmente os problemas. Bom, mas pintar não é uma terapia? Não quando você é um profissional. Temos prazos a cumprir, pressão, trabalho, pesquisas, obrigações, como qualquer outro profissional. Então, de vez em quando, fazer uma maratona de séries, viajar, meditar, rezar, tomar um banho demorado, deixar as ideias fluírem é muito bom!
O termo “ócio criativo” foi usado pela primeira vez por Domenico de Masi, sociólogo italiano. Ele dizia que é impossível sermos produtivos por horas seguidas, que precisamos ter o lazer, entre outras coisas (Fica a dica para conhecer a obra do autor)! Nossa sociedade prega que quanto mais duro o trabalho, melhor pessoa você é! Isso, além de ser desumano, é uma forma arrogante de dizer “eu trabalho mais do que você! Por isso sou melhor”(Melhor não sei, mas uma pessoa mais estressada com certeza).
Na arte, aprendemos que, para resolver alguns problemas, principalmente técnicos, precisamos por assim dizer nos desprendermos dele, ou seja: descansar, focar em alguma coisa que traga prazer e que o cérebro possa “divagar”. Nada como aproveitar agora não é?! Vale visitas virtuais a museus!
Boa semana para todos!
Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.
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