Sempre ressalto aqui a diferença entre crianças da mesma família porque é importante que os pais não se frustrem com certas coisas. Nem sempre o que funciona com uma criança funciona com a outra. E a frustração que os pais demonstram com essa diferença de comportamento atrapalha alguns processos naturais que a criança precisa passar. Vou contar como foi o desfralde dos meus dois meninos.
Rafa completou três anos no final de dezembro de 2016. Até então já tinha pensado sobre o desfralde dele mas, honestamente, ter uma criança de quase três anos e outro de quase dois anos na época me deixava tão exausta que a vontade que eu tinha era adotar fralda para mim mesma, assim pelo menos poderia fazer xixi deitada! Rindo de nervoso.
Dois dias depois de completar três anos, Rafa pediu para parar de usar fralda. Fiquei aflita. Sinceramente não estava disposta a ficar levando a criança a cada meia hora no banheiro para que não houvesse acidentes. Estávamos viajando. Não falo que estava de férias porque mãe não tem isso. Outro riso nervoso. Mas achei importante deixar, convoquei meu marido para a tarefa e começamos a deixá-lo sem fralda. E de um dia para o outro ele era uma criança desfraldada. Teve um acidente com xixi e nenhuma vez fez cocô na roupa. Foi incrível. Eu sou a mãe maravilha, pensei. Meu filho é um gênio! A verdade era simplesmente que ele estava pronto e a decisão partiu dele.
Na minha cabeça era assim que tinha que ser. Para que eu ia forçar o desfralde do meu filho sem ele estar pronto só para criar estresse, deixá-lo se sujar em locais públicos, ter que levar várias trocas de roupa, deixá-lo constrangido, ter um trabalho a mais sendo que eu já tinha outro bebê e já tinha que trocar fraldas mesmo? Trocava uma, trocava duas! Muito mais fácil. Então nunca pensei em começar o desfralde com dois anos, dois anos e meio. Para mim não fazia sentido. O desfralde quando parte da criança é muito tranquilo. Com o Rafa foi perfeito. Mas eu tenho dois filhos e amanhã vou te contar como foi a saga do desfralde do caçula.
Foto: Acervo pessoal

Paula Barbosa Ocanha
Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

