Pesquisa revela impactos da pandemia nas empresas londrinenses

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Empresários se preocupam com fluxo de caixa, demissões, queda nas vendas e defendem isolamento para grupos

Telma Elorza

O LONDRINENSE

Uma pesquisa realizada pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL) apontou os impactos da crise da Covid-19 nas empresas londrinenses e revelou algumas das principais dificuldades no dia a dia das empresas, no momento em que precisaram fechar as portas para conter a pandemia e tiveram a saúde financeira dos negócios comprometida. Dos empresários consultados, 84% temem a falta de fluxo de caixa e faturamento; 24% demitiram colaboradores; 27% pretendiam demitir em abril; 77% acreditam que as vendas vão diminuir e 60% defendem o isolamento para grupos específicos. O levantamento foi realizado em parceria com a Litz Estratégia e Marketing no período de 9 e 14 de abril, e obteve 233 respostas de empresas por meio eletrônico.

Segundo o presidente da Acil, Fernando Moraes, o resultado da pesquisa não foi exatamente uma surpresa. “A gente já vinha conversando, já sabíamos de como estava a situação. A pesquisa só veio comprovar”, explicou. Segundo ele, a maior preocupação é mesmo com o fluxo de caixa. “O empresário estava tendo muita dificuldade para conseguir empréstimos porque o sistema financeiro não estava conseguindo operacionalizar os recursos. Agora que melhorou um pouco”, afirmou.

A crise, segundo ele, é muito grande. “Agora, no período pós-reabertura das lojas é que vamos senti-la oficialmente. Será que o consumidor vai gastar dinheiro em lojas correndo o risco de ser demitido? A grande questão é saber o que vai acontecer com as vendas”, questionou. De acordo com ele, a ACIL está sendo cobrada para que realize ações e promoções para estimular o consumo. “Mas como podemos fazer isso se hoje é preciso evitar aglomerações? É uma situação complexa”, disse.

Moraes também afirmou que o comércio está levando a culpa pela movimentação no Centro de Londrina sem ser responsável por isso. “Nos dois primeiros dias, as pessoas lotaram as lojas para pagamentos de boletos e carnês. Passado alguns dias, isso foi se acalmando. A movimentação no Calçadão é por causa dos bancos e lotéricas. As pessoas estão indo receber o auxílio emergencial”, garantiu.

Confira as maiores dificuldades apontadas pela pesquisa:

Aspectos que mais geram preocupações decorrentes desse período:
82,4% temem falta de recursos financeiros e fluxo de caixa impactando significativamente os negócios da empresa.
64,4% temem diminuição na demanda futura no seu segmento..
57,1% temem a necessidade de demitir colaboradores.

Sua empresa realizou demissão de algum colaborador no mês de março?
24,5% do comércio demitiram algum colaborador.
13% da indústria demitiram algum colaborador.
20% dos serviços demitiram algum colaborador.

Pretende demitir em abril?
27,3% do comércio pretendem realizar alguma demissão em abril.
30,4% da indústria pretendem realizar alguma demissão em abril.
15% dos serviços pretendem realizar alguma demissão em abril.

Em março deste ano, em relação a março de 2020, o impacto percentual no faturamento da empresa diminuiu:
83,6% do comércio tiveram diminuição no orçamento de março de 2020 em comparação a março de 2019.
82,6% da indústria tiveram diminuição no orçamento de março de 2020 em comparação a março de 2019.
69% dos serviços tiveram diminuição no orçamento de março de 2020 em comparação a março de 2019.

Considerando as projeções dos resultados das vendas da empresa até o final do ano, você acredita que, em relação a 2019, irão diminuir?
77,3% do comércio acreditam que as vendas irão diminuir
65,2% da indústria acreditam que as vendas irão diminuir
73% dos serviços acreditam que irão diminuir

É a favor das medidas restritivas tomadas para contenção da disseminação do novo coronavírus?
60,5% defendem restrições para grupos específicos.
29,2% defendem restrições para todas as pessoas.
8,2% não defendem restrições.

Foto: Sindecolon

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