Mas eles comem de tudo!

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O assunto de hoje é alimentação. Sempre me perguntam como eu fiz meus filhos (Rafael, de 5 anos e Gabriel, 3) acostumarem a comer de tudo. Veja bem, não digo que eles comem jiló, berinjela ou jaca. (Tudo tem limite!) Esses alimentos ainda não fazem parte do cardápio deles e, como quase todas as crianças pequenas, também torcem o nariz para coisas amargas ou estranhas. Porém, consomem muitos tipos diferentes de frutas, legumes, verduras, grãos, carnes e laticínios frescos sem problema nenhum e em quantidade satisfatória sem que eu precise insistir ou barganhar. No geral, eles comem o que eu ofereço sem resistência – ainda que cada um tenha suas preferências alimentares e tenham o direito de escolher se vão ou não comer um determinado alimento – e não preciso me preocupar em ter que fazer algo específico. Aqui em casa, eles comem o que tiver, do arroz com ovo ou um prato mais elaborado.

Mas como cheguei neste resultado? Acredito que muitos fatores contribuíram para que hoje meus meninos comessem muito bem. Geralmente tento deixar o clima leve. Nunca forcei nada. Não tem aquela coisa de “só mais uma colherada ou come mais um pouquinho de feijão que eu deixo você sair da mesa!” Talvez minha primeira e mais importante dica é: respeite seu filho e entenda que é um ser complexo diferente de você. Mas entenda também que a relação dele com a comida vai ser boa ou ruim conforme as experiências que você proporcionar a ele.

A criança perto dos dois anos tem uma fase de estranhamento do novo, e é por isso que, quando ele ainda está sendo apresentado a coisas novas, geralmente após os seis meses de idade, você precisa oferecer o máximo de variedade possível. Vamos ser sinceros… a maioria dos bebês dos seis até os 18 meses come qualquer coisa (o Rafael comeu uma caixa de papelão, inclusive!). Depois dessa idade eles começam a ficar seletivos. É super normal essa mudança. Muitas mães, no entanto, se frustram e relatam a mudança radical.

A não ser que seu filho tenha alguma dificuldade que o torne extremamente seletivo, como algum espectro autista – onde algumas crianças só aceitam alimentos de uma determinada cor ou formato, por exemplo -, ainda que a criança não coma rúcula, ela vai comer outra folha.

Tudo bem que ela não goste de abobrinha porque vai comer outros tipos de legumes. A questão na primeira infância é que eles aprendam a consumir opções de todos grupos alimentares, ainda que não consumam todas as opções desse grupo. Para isso, é necessário apresentar variações do mesmo alimento – cru, cozido, assado, refogado – até que ele encontre uma forma que goste de comer. Também é necessário fazer com que a hora da refeição seja gostosa para que a criança cresça querendo experimentar e comendo uma variedade satisfatória de alimentos saudáveis, necessárias para nutrição e desenvolvimento correto do corpo. Sem pressão. Sem barganha. Sem repreensão.

Amanhã a gente fala mais sobre isso.

Paula Barbosa Ocanha
Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

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Respostas de 2

  1. Tive sempre este princípio na alimentação com meu filho que hoje tem 10 anos e realmente come de tudo!! Pode ser que não goste muito de alguma coisa, mas sempre foi encorajado a experimentar todos os sabores. E aqui não tem um tipo de comida pra um e outro tipo para o outro. Todos comem da mesma comida oferecida. Também o horário da refeição é com todo mundo à mesa, conversando sobre muitas coisas. Assim todos apreciam e prestam atenção à refeição sem precisar de distrações.Luciane

    1. É um trabalho de construção, né Luciane? Se você vai acostumando a criança dessa forma, fica natural! Continue acompanhando a coluna e compartilhando suas experiências! Um beijo! Mamãe Pata

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