Grupo assumiu Clínica Psiquiátrica de Londrina e Villa Normanda que corriam risco de fechar depois de denúncias
O LONDRINENSE com assessoria
A Associação de Amigos e Familiares de Portadores de Doenças Mentais, nova mantenedora da Clínica Psiquiátrica de Londrina e Villa Normanda, que agora se chamam Hospital Vida, anunciou nesta terça-feira (26), a psiquiatra Alessandra Diehl como nova diretora técnica do local. Os dois hospitais corriam o risco de fechar e a região perder quase 300 leitos psiquiátricos do SUS depois que a direção anterior foi investigada e denunciada por uma série de irregularidades no tratamento oferecido aos pacientes, no registro dos prontuários, nas condições das clínicas e também em desvio de verbas do SUS.
O Hospital Vida, fruto da reestruturação dos dois hospitais, é essencial para compor a rede de assistência a pessoas portadoras transtornos mentais graves tais como a esquizofrenia e a bipolaridade, assim como dependentes químicos na região. O serviço contempla 285 leitos (265 dirigidos ao SUS e outros 20 para atender pacientes de convênios e particulares). O empreendimento recebe pacientes de todas as regiões do Paraná e oferece serviço de caráter social no Estado.
No cargo de diretora técnica do Hospital Vida, Alessandra Diehl espera somar esforços no trabalho de reestruturação do complexo. O plano de gestão do novo grupo, capitaneado por Felipe Urbanski e Sandro Leão, que assumiram a transição junto à Associação de Amigos e Familiares de Portadores de Doenças Mentais, engloba os seguintes aspectos: gestão dos serviços por meio de entidades sem fins lucrativos; auditoria externa independente; implementação de balanço anual para prestar contas aos órgãos reguladores e à sociedade; reformulação do corpo clínico e técnico da entidade; reformulação do programa de tratamento; abertura institucional para convênios com universidades e faculdades para ampliar as pesquisas de extensão e as oportunidades de estágio; abertura de parcerias público-privadas e trabalho em rede.
O novo sistema de gestão, bem como o modelo de tratamento da dependência química do Hospital Vida foi apresentado na última semana para o Conselho Municipal de Saúde de Londrina.
Alessandra Diehl explica que o novo nome do Hospital está em sintonia com a proposta do estabelecimento, que é salvar vidas. “A dependência é um problema grave e faz 500.000 vítimas por ano em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Entendemos que o uso de substância é um problema de saúde pública, que não deve ser encarado apenas na esfera criminal. Por isso, defendemos e lutamos para a realização de melhorias no atendimento aos dependentes e redução dos danos sociais causados pelo consumo de drogas. Queremos ajudar pais e filhos, oferecendo um tratamento digno e de qualidade. Os dependentes e seus familiares precisam de apoio nesta longa jornada que é a busca da recuperação”, diz.
Ela acrescenta que o preconceito enfrentado pelos dependentes é um bloqueio para a recuperação. “Muitos deles são chamados com adjetivos pejorativos como ‘noiados’, ‘viciados’ e até de vagabundos, mesmo dentro da estrutura familiar. Toda a nossa sociedade precisa compreender que o caminho das drogas, algumas vezes, é consequência de problemas de saúde mental”, diz.
Ricardo Justino Flores, presidente da Associação de Amigos e Familiares de Portadores de Doenças Mentais, acrescenta que a nova equipe que assume o Hospital Vida se propõe a transformar o local. “Vamos tentar sanar as dificuldades que porventura vierem a ser impostas para oferecer o melhor tratamento para pacientes e familiares. Neste caminho, contamos com a presença da Dra. Alessandra Diehl, trazendo experiências hospitalares em conjunto com sua formação acadêmica e seu avental branco, que é parte do necessário cinzel para reestruturamos o Hospital Vida”, afirma.
A Associação tomou ciência dos problemas da Clínica Psiquiátrica de Londrina no mês de julho, quando os membros Felipe Urbanski e Sandro Leão fizeram um benchmarking nos hospitais de psiquiatria do Paraná. Na oportunidade, eles verificaram que a unidade de Londrina era uma das três melhores do Estado no quesito infraestrutura.
No entanto, o complexo estava em processo de fechamento. “Nessa ocasião, fomos procurados pela prefeitura e antiga diretoria com o desafio de assumir essa gestão e fazer a reestruturação dos serviços. Como já temos expertise, adquirida no trabalho de muitos anos no Hospital San Julian, que fica em Piraquara, no sul do Paraná, aceitamos contribuir com essa causa. Levaremos o nosso know-how, por meio da atuação em uma associação sem fins lucrativos, buscando a transparência e a aproximação com a sociedade civil na nova administração”, conta Urbanski.
O LONDRINENSE entrou em contato com a assessoria da antiga gestão do hospital e com o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, mas não teve retorno de nenhum.
Foto: Google Maps


