Por Telma Elorza
“No nosso aniversário de 25 anos de casamento, quis fazer uma surpresa para minha esposa e comprei um sugador de clitóris e um vibrador. Tirei a ideia da sua coluna: Recebidos da Tia Telma: Vibradores. Fiquei surpreso com o tanto que isso apimentou nossa relação, que andava meio morna. Minha mulher literalmente “vibrou” e o sexo “a quatro” foi fantástico. Não sei o porquê de não ter comprado esses brinquedinhos antes. Recomendo muito a todos os maridos que queiram renovar a relação e ter um sexo fantástico”.
Tem gente que passa a vida inteira reclamando da rotina, da mesmice, da falta de entusiasmo no sexo com a esposa. E tem gente que resolve fazer algo a respeito. O leitor não só fez como fez direitinho. Merece palmas, muitas, muitas palmas. Talvez uma medalha!
Mas porque merece tanta comemoração? Fácil e óbvio, é claro: 25 anos de casamento não são 25 dias de lua de mel em qualquer lugar paradisíaco. Tem convivência, boleto, louça suja, filhos para criar, trabalho, roupa para lavar, enfim, rotinas, rotinas, rotinas. E se o casal deixa isso interferir no sexo, a relação vira quase aquela coisa de obrigação, sabe? Tipo: vamos lá cumprir nossos “deveres conjugais”. Chato, sem imaginação, apenas para constar mesmo. Acontece.
Mas o problema não é acontecer, é fingir que não dá mudar, fazer diferente.
E aí entra esse herói: o marido que, em vez de reclamar da esposa que já não anda tão entusiasmada com o sexo ou procurar “emoções” fora de casa (o mais comum, né?), resolveu investir na relação dos dois.
Quando eu digo que vibradores e brinquedinhos sexuais não devem ser vistos como inimigos, mas como aliados, é disso que estou falando. Comprar um sugador de clitóris e um vibrador como presente de aniversário de casamento mostrou inteligência emocional (e sexual). Ele olhou para a relação e pensou: “dá para melhorar”. E melhorou. Isso colocou o meu leitor à quilômetros de distância de muito cara que se acha “expert” em sexo, mas, no fim, cai sempre nas mesmas coisas.
A reação da esposa foi a melhor: “ela literalmente vibrou”. Gente, isso é poesia pura para uma pessoa como eu, que luta para que as mulheres descubram o prazer enorme de um orgasmo verdadeiro. E melhor, vindo do homem com quem ela divide a cama há um quarto de século! Para mim, isso demonstra atenção, interesse, compromisso do leitor com o prazer da esposa. Ele se IMPORTA com o prazer dela. Olha que coisa maravilhosa!
Eu tô cansada de receber e-mails de mulheres – inclusive casadas – que nunca tiveram um orgasmo na vida. O prazer feminino sempre foi tratado como tabu pela sociedade. Ignorado, desestimulado (mulher bela, recatada e do lar não tem orgasmos; ela só serve pra dar prazer, nunca receber). Se acontece, por milagre, é um bônus.
Então, quando um homem entra na relação disposto a mudar as coisas, a explorar, a aprender e até dividir o “papel principal” com um vibrador para dar o prazer que a esposa merece, eu tenho que aplaudir de pé! Porque isso não diminui a importância do homem. Pelo contrário. Soma, principalmente, nas possibilidades infinitas de dar e receber prazer.
Aliás, o tal “sexo a quatro” que ele mencionou (e para quem não entendeu: ele, ela e os dois brinquedos), é quase uma aula prática de desapego de machismo, de ego. Besta é o cara que acha que “dá conta” e deixa a mulher a ver navios, olhando melancolicamente o orgasmo voar pela janela porque, no fim, não deu conta.
O vibrador jogou décadas de tabus no lixo
Porém, o que eu mais gostei foi do entusiasmo dele. “Não sei o porquê de não ter comprado esses brinquedinhos antes”. Essa frase resumiu década de tabus jogados no lixo. Porque, no fundo, muita gente tem curiosidade com os brinquedos sexuais, mas trava. Tem vergonha, adia. E nunca compra.
Até imagino os questionamentos. “E o que vão pensar?” “Ah, mas isso é coisa de mulher mal-amada”. “Se eu comprar, meu marido (ou minha mulher) vai achar que sou tarada(o) ou que ele(ela) não me satisfaz”. Bobagens e desculpinhas.
Enquanto isso, a relação vai ficando morna, passando para fria, até acabar de vez.
Meu leitor agiu. E descobriu que, na prática, que pequenas coisas, mudancinhas aqui e ali podem dar um “up” no sexo, na relação e no casamento. E olha que nem estamos falando de fetiches e fantasias mirabolantes. Estamos falando de um simples vibrador e um humilde sugador.
Ele ficou tão feliz que, como disse, veio dar seu testemunho, recomendar para outros maridos. Eu falo que a coluna Tia Telma é serviço de utilidade pública. Porque sim, tem muita relação por aí que poderia estar melhor. Gente, é só me ler e seguir meus conselhos kkkk. E, claro, tomar a iniciativa para mudar.
Por isso, não adianta ler isso aqui como “curiosidade” e seguir a vida como se não fosse nada com você, tudo igual e você e sua parceira frustrados. Se você reconheceu um pouco da sua relação nessa coluna, talvez seja hora de fazer algo também. Sair dessa inércia e melhorar o sexo. Ah, tem medo de que o vibrador vai lhe substituir? Deixa de ser besta e se torne um mestre em usá-lo.
No fim das contas, o que esse leitor mostrou é bem simples: quem quer melhorar a relação, melhora. Quem não quer, arruma desculpas. Depois não adianta reclamar.
Espero poder ajudar sempre.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br
Quem é Tia Telma?

Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.
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