Meu namorado tem micropênis. E agora?

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

“Eu namoro um cara que amo de paixão. Ele é lindo, honesto, trabalhador, tem um grande futuro, é perfeito, me trata como uma princesa. Mas tem um micropênis. Eu o conheci na infância (e já gostava dele) e ele sempre foi ótimo comigo. Nos distanciamos e reencontrei ele há um ano, na faculdade. Começamos a namorar, mas ele nunca pediu por sexo. Foi por insistência minha que fomos ter relações. Ele me disse que tinha um problema, mas claro que fiquei chocada quando vi. Mesmo assim, ele é muito bom de cama, sabe fazer um oral maravilhoso, gozo com ele como nunca gozei com ninguém antes. Mas fico em dúvida: será que não vou sentir falta de um pau me preenchendo algum dia? Não sei o que fazer, porque ele realmente sabe dar prazer para uma mulher.

Ai, ai, ai. Lá vamos nós falar, de novo, do tamanho do pau do namorado. A dúvida dessa leitora é muito comum aqui, no Tia Telma Responde, embora pouca gente tenha coragem de falar sobre isso fora daqui. Então, vamos lá.

Ela diz amar o parceiro, que é um cara 100%, pelo que descreveu. Inclusive confessa que goza com ele muito mais que já gozou na vida. Mas o micropênis “estraga” esse homem perfeito para ela. O medo é, num futuro próximo, sentir falta do volume na penetração. E aqui é que eu vou dar uma aulinha e falar do corpo humano, baseada em ciência, realidade e experiência – para todos que sofrem com a questão de tamanho.

Vamos começar pelo tal micropênis. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Urologia, o termo é usado quando o pênis ereto mede menos que 7 centímetros, condição que é muito rara e geralmente ligada a fatores hormonais, ainda na gestação.

Importante ressaltar que micropênis não tem relação com libido, masculinidade, caráter, capacidade de amar e dar prazer, ok? Isso tudo é baseado em estudos científicos, não em vozes da minha cabeça.

Agora vamos ao ponto que realmente importa: o prazer feminino. Estudos clássicos e atuais, como os de Masters e Johnson e diretrizes do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) – além de todas as colunas que já escrevi sobre isso por aqui -, mostram algo que muita gente insiste em ignorar: A MAIORIA DAS MULHERES NÃO ATINGEM O ORGASMO APENAS COM A PENETRAÇÃO VAGINAL. Leia de novo.

A principal estrutura responsável pelo nosso orgasmo é o clitóris, que tem mais de 8 mil terminações nervovas (o pênis tem apenas 4 mil) e não, ele não é só aquele “botãozinho” externo (e que boa parte dos homens tem dificuldade para achar). Ele é grande por dentro, envolve toda a vagina e responde a muito mais estímulos externos que internos. Ou seja, um dedinho ou uma língua bem treinada ali é muito melhor que um pau gigante entrando e saindo da vagina. O orgasmo vaginal é exceção, não regra. E, ainda por cima, muitas mulheres que juram ter orgasmo vaginal, na prática, estão sendo estimuladas indiretamente na parte interna do clitóris durante a penetração. Isso é pura anatomia, não militância pelo “orgasmo clitoriano”.

Dito tudo isso, vamos ao que interessa. A leitora descreve um parceiro que:

  • a respeita
  • a trata bem (o mínimo que se exige de um homem)
  • a deseja
  • sabe fazer oral com atenção
  • provoca orgasmos intensos

Tamanho de pênis não é sinônimo de satisfação

Na minha opinião, como uma mulher vivida e que teve muitos parceiros na vida, isso não é pouco. Pelo contrário. Tem muita mulher que vive anos – até a vida inteira – em um relacionamento com paus grandes e zero orgasmos.

Então, todo mundo aqui tem que fazer um ajuste mental: tamanho não influencia no orgasmo, nem do homem, nem da mulher.

“Ah, mas, e a sensação de preenchimento? Como fica?” Sim, é uma dúvida legítima. Pode parecer que está “faltando alguma coisa”. É preciso lembrar que desejo e tesão é também uma construção social. A gente cresce ouvindo que sexo bom é penetração, que pênis grande é poder, que mulher precisa disso para ser “completa”. Leva tempo para desconstruir tudo isso que botaram na nossa cabeça.

Meu conselho? Antes de abrir mão de alguém que claramente é bom de cama, independente do tamanho do pênis dele, é possível experimentar outros caminhos. Brinquedinhos eróticos, por exemplo. Sim, um pau de borracha, silicone ou sei lá. Muitos casais (mesmo com pênis de tamanho médio) já descobriram as novas possibilidades eróticas dos vibradores e deram um up no relacionamento.

É possível ter o melhor dos mundos: um cara maravilhoso que faz um oral incrível e ainda manipula um vibrador para lhe dar a “sensação de preenchimento” que você acha que lhe faz falta.

“Ai, mas vou depender de um pau de mentira”? Ah, minha amiga, se depois de tudo isso que lhe expliquei você faz questão mesmo de um pau tamanho grande, só tem uma solução. Largue dele, para ele achar uma sortuda com a mente mais aberta que você, e vá atrás do seu sonho do pênis grande. Mas depois não se arrependa. Pela minha experiência, os caras mais “fode-mal” que já transei tinham pau grande e só. O oral era uma vergonha, as preliminares não existiam. Hoje, quando algum cara vem me falar que tem pau grande para me levar para cama, eu fujo correndo e gritando.

Só pra completar: você sabe quantos homens são capazes de dar prazer como esse seu, com micropênis e tudo? Resposta: poucos.

Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br

Quem é Tia Telma?

A leitora tem o namorado perfeito, lindo, com grande futuro, atencioso e que lhe proporciona orgasmos incríveis. Mas ele tem um defeitinho: um micropênis
Tia Telma versão Inteligência Artificial

Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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