Por Telma Elorza
“Conheci um cara muito bom de papo, que dizia que fazia e acontecia na cama. Mas, na primeira vez que transamos, não aguentou duas numa noite. E nem foi tão bom assim. Ele não foi o único com quem já vivi essa situação. Por que os caras mentem tanto para conseguir sexo?”
Ah, minha amiga, isso não aconteceu só com você, pode ter certeza. Existe uma velha tradição masculina que atravessa gerações: cara “garganta de ouro”, kkk. Muito papo, convence todo mundo, mas entrega pouco resultado. O cara não sabe fritar um ovo ou montar um móvel seguindo o manual, mas quando se trata de desempenho sexual, vira atleta olímpico. No discurso, claro.
Eu costumo chamar de fode-mal e já fiz até uma coluna alertando como reconhecer um antes de ir pra cama com ele.
O garganta de ouro/fode-mal sempre tem uma oratória daquelas, fala que faz e acontece na cama, promete lhe virar do avesso, mas na hora do “vamo vê”, nos deixa frustradas e com a sensação de ter sido enganada.
E por que eles fazem isso para conseguir sexo? Porque aprenderam que precisam parecer incríveis antes mesmo de provar que são. É o mesmo caso do jovem que tira a carteira de motorista num dia e, no outro, já tá falando por aí das suas proezas ao volante, como se fosse o Ayrton Senna das ruas.
Os caras também sofrem pressão da sociedade
A sociedade patriarcal e machista que vivemos faz uma pressão cultural enorme, não só sobre as mulheres (para serem belas, recatas e do lar), mas também sobre os caras. Principalmente sobre seu desempenho sexual. Desde cedo, os meninos começam a ouvir histórias…. digamos “infladas”, para não dizer mentirosas, sobre virilidade, resistência e conquistas sexuais. O tio, o irmão mais velho, os amigos do pai, todos sempre têm uma história de “ah, dei três sem tirar”, “arregacei com ela, ficou jogada na cama, mole”, “comi quatro de uma vez”, e por aí vai.
Os vídeos pornôs têm sua parcela de culpa também. Muitos cresceram assistindo XVídeos e acreditam piamente que aquilo é verdade. Mas não é. É cinema, com atores (e atrizes) pagos para fingir um tesão que não existe, edição de vídeo, pausa, repetição de cena e até ajuda de comprimidinhos para manter os paus sempre em posição de sentido.
Nessa sociedade, o homem ideal é uma mistura de ator de filme pornô com atleta de alta performance: incansável, resistente, habilidoso e sempre em pronto, com o pau em riste, para mais uma rodada de prazer. Porém, a realidade, claro, não é bem assim. Você pode até encontrar uns dois (no máximo, com muita sorte, uns três) caras, ao longo de toda sua vida sexual, que realmente cumprem o que prometem.
O que acontece, na verdade, é que sexo envolve – principalmente na primeira vez com uma nova parceira – nervosismo, ansiedade, expectativas, química, cansaço, bebida, insegurança (“será que ela vai gostar do tamanho do meu pau?”) e uma outra série de variáveis que não aparecem nas histórias contadas no bar. Aí, quando chega a hora da verdade, o corpo simplesmente se recusa a cumprir o roteiro que ele lhe descreveu. Simples assim.
Por que mentir para conquistar?
A gente não entende porque eles precisam mentir para nos conquistar, se seria melhor mostrar quem é realmente, uma cara possivelmente legal. Mas a sedução, para muitos homens, virou uma espécie de marketing pessoal. E o marketing vive de exagero. O cara vende uma versão “premium” de si mesmo. Promete fogos de artifício, acrobacias e três trepadas dignas de constar em rol da fama. E a gente, com altas expectativas, se decepciona com aquele trailer enganoso de filme trash. Isso é muito ruim para nós e para eles. Porque, geralmente, não damos uma segunda chance. E eles não entendem o porquê e ficam insistindo para uma segunda vez.
Mas agora é que vem a parte mais irônica da história, minha amiga. Os homens não são os únicos que exageram na fase da conquista. É do ser humano gostar de dar uma “melhorada” na própria imagem. Tem muita mulher por aí que diz que ama fazer trilha, mas mal consegue subir uma escada; ou que cozinham muito bem, mas o máximo que sabe fazer é um miojo dos mais sofridos. Com os caras garganta de ouro/fode-mal isso só fica mais evidente porque o constrangimento aparece rápido, na primeira transa. Ninguém vai te convidar para fazer uma trilha no dia seguinte ao primeiro encontro, nem pedir um jantar completo.
E para encerrar esse texto que já está longo demais, vou dar um conselho para você levar para vida.
Sexo não precisa se tornar uma competição longa. Uma boa trepada – bem executada, com química e orgasmo ao final – vale mais que uma maratona sexual mal-sucedida. Se o cara que lhe interessou vir com papo mole de “dar três sem tirar”, já corte e diga que prefere uma única bem feita. Isso vai ajudar em duas coisas: demonstrar que você não se impressiona com discursos de proezas sexuais mirabolantes, ao mesmo tempo em que tira um pouco da pressão sobre ele (se não for um babaca completo, claro).
Mas fique mais de olho nos caras que nunca prometem nada, o quietinho. Eles sim, podem lhe surpreender. Gente que fala demais sobre seus sucessos está tentando convencer a si mesmo.
Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br
Quem é Tia Telma?

Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.
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