Por Flávio Caetano de Paula Maimone

As barras de chocolate estão reduzindo de tamanho e espessura, exceto em relação aos preços, que apenas aumentam.

Quem sabe a qualidade seja melhorada?! Ledo engano. Talvez apenas em sonho.

O “chocolate” que leva o nome Sonho de Valsa tinha a seguinte composição: “um wafer recheado com massa e pedacinhos de castanha de caju, coberto com duas camadas de chocolate”, de acordo com o Mundo das marcas.

Mas, e hoje? Como dança o Sonho de Valsa? A composição passou a ser: “Açúcar, gordura vegetal hidrogenada, massa de cacau, farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, amendoim, soro de leite em pó, gordura vegetal, farinha de soja, manteiga de cacau, castanha de caju, leite em pó integral, gordura de manteiga desidratada, sal, óleo vegetal, cacau, leite em pó desnatado, extrato de malte, emulsificantes: lecitina de soja e poliglicerol polirricinoleato, fermento químico bicarbonato de sódio e aromatizante”.

Lembramos que a ordem da composição de um produto representa o que mais tem naquele produto. Ou seja, o que mais tem no Sonho de Valsa é açúcar e depois a gordura vegetal hidrogenada. A pobre manteiga de cacau aparece em nono lugar.

De acordo com Desrotulando, “Os ingredientes essenciais para um bom chocolate são cacau (massa, liquor ou cacau em pó), manteiga de cacau e açúcar. O exemplo da figura é de um chocolate 70% cacau”.

Desrotulando nos dá a dica: “Prefira a manteiga como fonte de gordura, pois as demais fontes de gordura são dispensáveis para um bom chocolate”.

E advertem: “Atenção para os termos “gordura vegetal” e “gordura vegetal hidrogenada”, já que nem sempre a quantidade de gordura trans aparecerá na tabela nutricional e esses termos podem significar que o produto contém gordura trans”.

O “sonho de valsa” tem mais gordura vegetal do que massa de cacau, muito mais do que manteiga de cacau. Talvez por isso, os consumidores estejam reclamando. E você? Está satisfeito com o gosto desse bombom?

De toda forma, é fundamental que tenhamos adequada informação sobre alterações em composição e que, efetivamente, conheçamos a composição dos produtos que consumimos.

Flávio Caetano de Paula Maimone

Advogado especialista em Direito do Consumidor, sócio do Escritório de advocacia e consultoria Caetano de Paula & Spigai | Doutorando e Mestre em Direito Negocial com ênfase em Responsabilidade Civil na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Diretor do Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (BRASILCON). Associado Titular do IBERC (Instituto Brasileiro de Estudos de Responsabilidade Civil). Professor convidado de Pós Graduação em Direito Empresarial da UEL. Autor do livro “Responsabilidade civil na LGPD: efetividade na proteção de dados pessoais”. Instagram: @flaviohcpaula

Foto: Reprodução da internet

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