Dificuldade para andar na velhice pode indicar doença neurológica tratável

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Alteração na marcha é um dos principais sinais da Hidrocefalia de Pressão Normal, condição que afeta idosos e pode ser revertida com cirurgia

O LONDRINE̅NSE com assessoria

A dificuldade dos idosos para caminhar, frequentemente atribuída ao envelhecimento natural, pode ser um sinal de alerta para uma doença neurológica silenciosa, mas tratável: a Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN). Condição que afeta principalmente pessoas acima dos 65 anos, a HPN ganhou visibilidade recentemente após diagnósticos de figuras públicas como o músico brasileiro Chico Buarque e o cantor norte-americano Billy Joel.

Segundo o neurocirurgião Ivan Hattanda, de Londrina, o principal desafio no enfrentamento da doença é o reconhecimento precoce dos sintomas. Em geral, a HPN se manifesta por meio da chamada marcha magnética, em que o idoso passa a dar passos curtos, com dificuldade em tirar os pés do chão, além de apresentar instabilidade e risco aumentado de quedas. A esse quadro somam-se a incontinência urinária e falhas cognitivas, frequentemente interpretadas como parte inevitável do envelhecimento.

Diferentemente da hidrocefalia convencional, que provoca aumento da pressão intracraniana, a HPN ocorre pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano nos ventrículos cerebrais mesmo com níveis de pressão intracraniana aparentemente normais. Estima-se que a doença atinja cerca de 1% das pessoas acima de 65 anos, impacto pequeno em números absolutos, mas significativo quando se considera o potencial de perda funcional e isolamento social.

“Quando esses sinais são normalizados, o diagnóstico se atrasa e o paciente perde tempo precioso de recuperação”, alerta Hattanda. O diagnóstico da HPN é clínico e se apoia na observação dos sintomas associados a exames de imagem, como a ressonância magnética.

A Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) é uma doença que é frequentemente atribuída ao envelhecimento, mas é tratável
Foto: Divulgação

Tratamento da doença é cirúrgico

O tratamento mais comum é cirúrgico e envolve a implantação de uma derivação ventrículo-peritoneal, procedimento considerado seguro, rápido e de baixo risco. O sistema utiliza uma válvula e um cateter, para drenar o excesso de líquido do cérebro para a cavidade abdominal, onde ocorre a reabsorção natural. Esse sistema não fica visível, pois é instalado cirurgicamente por debaixo da pele.

De acordo com o neurocirurgião, os resultados costumam ser positivos, especialmente quando a intervenção ocorre de forma precoce. “A melhora da marcha, do controle urinário e das funções cognitivas devolve independência e qualidade de vida ao idoso, permitindo que ele retome atividades que haviam sido abandonadas”, afirma.

Para o especialista, ampliar o conhecimento da população sobre a HPN é essencial para evitar que sinais clínicos importantes sejam ignorados. “Investigar sintomas da doença é o primeiro passo para garantir envelhecimento com autonomia”, conclui.

Foto principal: Freepik

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