Roupa com cara de caro ou barato: isso existe?

Por Ana Paula Barcellos

Um tipo de postagem que bomba nos perfis de dicas de Moda no Instagram e que acho podrinho é o tal do “roupa barata x roupa cara”. Que, na real, fala sobre roupas que têm “cara” de caro ou de barato, e que garantiriam um look elegante. Ontem me perguntaram justamente sobre isso, troquei uma ideia com a pessoa sobre o assunto e continuei pensando sobre isso…

Isso é relativo e acho que esse assunto me incomoda porque tem uma carga elitista no bojo. Mas nem vou entrar nessa questão agora, vou me ater ao lado fashion da coisa toda, que na verdade pode ser resumida em duas palavras: tecido e modelagem (que é o que garante o bom caimento da peça).

Já bati nessa tecla algumas vezes por aqui porque, no fim das contas, tecido e modelagem resolvem tudo. É mesmo sobre isso, e se você foca nesses dois pontos, vai estar sempre bem vestida – ainda que o look seja casual.

Me lembrei de uma vez que a zeladora do prédio onde a gente morava estava vendendo algumas peças de roupa confeccionadas pela filha dela. A moça queria entrar no ramo e começou a fazer algumas peças por conta própria depois de ter se inscrito num curso de corte e costura. O curso devia ser muito bom e ela realmente levava jeito, pois duas das blusas que ela estava vendendo, apesar de terem sido feitas com um tecido mais barato, tinham sido feitas com um molde tão bom e tão bem costuradas que estavam impecáveis! Coisa rara de se ver, mesmo em lojas.

As regatas que comprei eram assim, ficaram maravilhosas – Foto: Pinterest

Comprei as duas por R$ 10 ou R$ 15 cada, na época (isso foi nos idos de 1997). O tecido era um tipo de viscose, mas tinha uma porcentagem de elastano – o que ajuda ainda mais no caimento, dependendo da peça. As blusas (que era regatas fechadas com gola canoa) caíam tão bem que todo mundo perguntava onde eu tinha comprado. A mãe dela quase caiu de emoção quando me viu vestindo, disse que tinha ficado impressionada porque tinha ficado com “cara de roupa sofisticada”! E no fim é sobre isso: boa costureira, bom tecido e molde perfeito fazem esse match maravilhoso.

Um tecido que é quase impossível deixar a peça elegante, digamos assim, é o cetim. Cetim já não é um tecido dos mais fáceis de costurar, se for ruinzinho, então, é a treva! Dona Criseide topava quase tudo, mas tinha muitas ressalvas em relação a tecidos ruins porque ela era perfeita, mas nem sempre fazia milagres, né?

Cetim barato pode ser perigoso para quem quer estar elegante – Foto: Pinterest

Então sim, tem esses detalhes nos quais é importante prestar atenção: muitas vezes o tecido parece bonito no metro, mas pra costurar não serve; outras vezes, os olhos brilham quando a gente vê uma blusinha bonitinha na promoção da loja de departamento famosa, mas se o tecido não for bom ela não vai cair legal no corpo. E vestido é uma peça que entrega que o tecido é ruim e que o molde não é bom, sempre entrega! Então pode ser roubada escolher um vestido muito barato, com tecido de qualidade inferior, só porque o modelo é igual o que você viu no Insta da fashionista…

Essa é outra razão pela qual eu gosto tanto de comprar em brechós. Roupa de marcas boas, que usam bons tecidos e têm excelente modelagem, saem muito mais em conta e garantem um look alinhado. Essa semana mesmo, comprei no Brechó Anelys uma calça alfaiataria da loja onde rolou o barraco “das madames”, sabe? Não gosto da loja em si nem do conceito da marca, mas caiu como uma luva e o tecido é dos deuses… ficou perfeita!

Cinto de elástico ruinzinho e com acabamento mal feito pode ser cilada! – Foto: Pinterest

Quem se importa com esse tipo de coisa e quer parecer sempre elegante, pode também evitar peças que são “perigosas” nesse sentido: cinto de elástico da loja de bijus do calçadão, cropped cortininha de cetim barato e short justo muito rasgado (não importa quanto você pagou nele), por exemplo. E sim, essas “regrinhas” não valem para todas as mortais. A gente sabe, admite, que tem pessoa que parece que fica bem com qualquer coisa, pode se vestir com roupa de saco de estopa que fica bem. Eu não me encaixo nesse grupo, mas conheço três pessoas que estarão nele para todo o sempre. Deus tem mesmo suas escolhidas…

Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate.

Fotos: Pinterest

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