Por Wilson Moreira (*)
Novamente o aumento do valor da tarifa no transporte coletivo de Londrina é motivo de debate. O novo aumento pode servir a que reflitamos com racionalidade sobre o tema e sua importância nesse momento em que vivemos.
Em nossa sociedade o modo de vida tem claramente priorizado o individual em detrimento do coletivo. Um claro exemplo disso é o que ocorre com o transporte coletivo nas cidades médias e grandes. Em linhas gerais o que marca o transporte público urbano é a péssima qualidade (em Londrina talvez melhor) associada ao alto custo para o cidadão usuário. Há tempos existe essa discussão no Brasil. A história do transporte público foi sempre marcada por greves, quebra-quebra e diversos problemas na operacionalização do sistema. Essa questão é um verdadeiro vespeiro. É necessário que o transporte coletivo urbano passe por uma total reestruturação a fim de servir melhor ao cidadão.
O transporte público precisa ser assumido como elemento fundamental em uma cidade. A mobilidade urbana precisa ser garantida a todos e em qualquer momento, com boa qualidade. Todos sabemos dos altos custos para se manter uma frota de ônibus, prestando serviço de boa qualidade numa cidade como Londrina. Há muitos custos e atores envolvidos nas planilhas das empresas. Tudo isso é certo, mas é preciso um novo olhar.

Por mais que pareça absurdo, é possível a gratuidade do transporte público para o usuário. Repensar a questão é preciso. Reestruturar o sistema é possível. O ideal seria a criação de uma secretaria especial de transporte público para gerir o sistema. O primeiro passo seria iniciar pensando na gratuidade. Por exemplo, sendo gratuito, quais custos poderíamos eliminar? A estrutura para manter o sistema pago poderia ser enxuta para o sistema livre. Assim como seria desnecessário manter um terminal central com o seu custo de manutenção elevadíssimo. Com certeza, a partir de estudo detalhado e transparente de todos os custos se poderia estabelecer quanto custaria “bancar” o sistema livre. A partir daí o município pagaria mensalmente à empresa responsável pelo serviço prestado.
A conta do transporte público gratuito
Há uma pergunta que persiste: E de onde viria o dinheiro para pagar a conta? Ainda com relação aos custos, o empenho político poderia buscar desonerações em preços de combustíveis e de impostos e até buscar os mesmos incentivos que são concedidos às montadoras de automóveis; incentivos estes que são bons pelo lado econômico mas péssimos para a saúde pública e ao meio ambiente. Também se poderia buscar recursos específicos e permanentes junto aos Ministérios das Cidades, Meio Ambiente, Educação, Trabalho, entre outros.
Os empresários poderiam continuar contribuindo com sua parte do vale-transporte, agora repassando direto ao município. Outra ótima fonte de receitas seria utilizar todo o potencial publicitário do sistema: Ônibus, pontos de ônibus e terminais poderiam ser fonte de recursos de alguma forma. Sabemos que não são fáceis os desafios a serem enfrentados, no entanto é possível, e os benefícios seriam muitos e para toda a cidade.
Não existe uma fórmula pronta, mas enfrentar esse tema é de importância capital. Circular pela cidade de ônibus sem pagar traria expressivos ganhos ao trânsito, meio ambiente, à economia, à educação, à cultura. Enfim, mesmo que o município bancasse uma parte dos custos (como já faz em parte), o ganho social seria enorme. Dar ao transporte coletivo seu real valor é considerar os cidadãos em suas necessidades fundamentais de convivência no espaço urbano.
Apontar para um novo momento para a mobilidade urbana é de importância vital para um modo de vida mais coletivo e socialmente responsável e que garanta dignidade e cidadania a todos.
(*) Wilson Moreira é policial penal, cientista social, poeta e vice-presidente do diretório municipal do PCdoB em Londrina.
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