Os impactos do desperdício de alimentos

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Por Wilson Moreira (*)

No ano de 2025 foram desperdiçados cerca de 46 milhões de toneladas de alimentos segundo dados do IBGE. O Brasil é um dos países que mais desperdiça alimentos no mundo. Cerca de mil toneladas de alimentos por dia são jogadas no lixo apenas nas feiras livres de todo o país. Esse número é absurdamente grande, pois daria para alimentar milhares de pessoas por dia. Imagine a perda econômica disso tudo. O cenário é ainda mais preocupante se comparado aos dados do governo federal, que mostra mque, atualmente, 8,7 milhões de brasileiros enfrentam insegurança alimentar e nutricional grave.

O fato de o país nunca ter participado diretamente de uma guerra mundial e ainda ser rico em recursos naturais podem ser considerados fatores que contribuíram para nossa cultura da fartura e do desperdício. O pouco investimento em produtos eficientes e em logística na distribuição dos alimentos também é uma das causas, assim como o armazenamento inadequado de matérias primas e alimentos. A forma que se consome também colabora com esse esbanjamento de alimentos no Brasil.

Além do problema econômico e de segurança alimentar, o desperdício de alimentos também impacta diretamente no meio ambiente, agravando as mudanças climáticas. Uma redução nas perdas ao longo da cadeia alimentar pela metade pode diminuir em 4% as emissões de gases do efeito estufa associadas à agricultura. A informação é de uma pesquisa entre a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) do ano passado.

O desperdício de alimentos ocorre em todos os setores da cadeia, desde a produção até o consumo. Parte importante da cadeia são os restaurantes por exemplo. Os restaurantes são uma grande fonte de de comida jogada no lixo. Há um problema sério, pois sobras têm regras específicas para doação em diferentes cidades. A saúde pública fiscaliza e pode punir possíveis doações de alimentos que causem problemas de saúde.

Os empresários do setor ficam preocupados e muitos preferem por no lixo a fazer doações temendo conseqüências maiores. Mas não só a parte final da cadeia de alimentos é deficiente. O transporte também causa grandes e importantes perdas, inclusive encarecendo os produtos. Estradas em más condições, veículos antigos e cargas inadequadas são causas de desperdício no transporte, seja por perda de produtos por acomodação inadequada ou por falta de refrigeração adequada. Não apenas produtos industrializados se perdem, mas, sobretudo os produtos in natura, como os hortifrútis. Se formos ao CEASA ou a qualquer feira livre podemos ver a quantidade de alimentos descartados.

A quantidade de comida desperdiçada no Brasil é assustadora. Só nas feiras livres do país são jogados no lixo cerca de mil toneladas de alimentos por dia
Foto: Freepik

Desperdício impõe perdas ambientais, econômicas e sociais

O Pacto Contra a Fome, organização sem fins lucrativos que atua para erradicar a fome no país, afirma que um consumo mais sustentável pode ajudar a frear o aquecimento global. Ainda segundo o Pacto, “Por questões socioculturais, os brasileiros possuem uma cultura do desperdício que foca em ter mais do que é necessário, resultando no descarte de comida no lixo.” Não é raro vermos a fartura de alimentos em festas em que estamos presentes, além de muito comum o desperdício de todo tipo de alimento nestas festas. Geralmente nosso lixo orgânico é abundante e sempre cozinhamos mais do que comemos.

Mudar uma mentalidade cultural não é fácil. No entanto quanto à cultura alimentar precisamos pensar seriamente. O desperdício alimentar impõe perdas econômicas, sociais e ambientais. Questões como o planejamento de produção, transporte, distribuição e comércio de alimentos precisam ser tratados como fundamentais pelas autoridades brasileiras.

Ministérios de agricultura, transporte e afins deveriam ter uma força tarefa e discutir com seriedade todas as etapas da cadeia de abastecimento de alimento para toda a sociedade. Com certeza seria proveitoso para todos. Este é um ano de eleições e o tema do desperdício alimentar precisa estar na pauta dos candidatos, pois abrange economia, segurança alimentar e sustentabilidade.

Procure saber quais candidatos estão preocupados também com essa questão. O desperdício alimentar diz respeito a todos nós.

Foto principal: Instituto Cidade Amiga/Divulgação

(*) Wilson Moreira é policial penal, cientista social, poeta e vice-presidente do diretório municipal do PCdoB em Londrina.

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