O complexo mundo da economia em que 2 + 2 não é 4. Entenda

Por Cláudio Chiusoli


Numa conversa entre grupo de amigos economistas sobre taxa de juros, o debate era sobre a alta das taxas de juros. Concordassem ou não, esse era o assunto.

Na ocasião, surgiu o tema diferença comparativa: a inflação brasileira IPCA (acumulado 12 meses) está em 8,24% e a taxa de juros de 7,75%. Ao mesmo tempo, a inflação nos Estados Unidos (acumulado 12 meses) é de 6,2% e a taxa de juros de 0,25%.

Tendo em vista esses indicadores, é importante ressaltar o que significa a nova alta da taxa de juros, pois acredita-se que, claramente, ocorre inflação de custos, devido à pressão sobre os preços dos insumos e, portanto, os preços dos produtos finais subiram.

Quando o dinheiro fica mais caro, considerando que produtores e indústrias precisam de recursos para expandir e manter seus negócios, o custo dos fatores de produção aumentará, o que definitivamente afetará todos os custos. Isso tendo em vista que os preços dos combustíveis, a crise energética, a alta do dólar e das commodities afetam toda a cadeia produtiva e, em última instância, afetam o preço final dos produtos nas gôndolas dos supermercados.

Como o governo tem ajudado a promover o desenvolvimento econômico, alguns setores ficaram aquecidos, mas a complexidade do mundo econômico nem sempre é a resposta ideal para explicar uma determinada ação. Há discussões aprofundadas sobre o efeito do controle da moeda na economia e no consumo.

Conceitualmente, um dos motivos para a elevação da taxa Selic é a contenção do consumo, mas afinal a explicação da inflação hoje está mais relacionada ao aumento do custo, não necessariamente ao aumento do consumo.

Aumentar a Selic vai interromper os investimentos produtivos neste novo ciclo de alta. Portanto, as empresas devem estar mais dispostas a manter o caixa até que a situação fique mais clara. Em economia, a lógica é que o investimento está diretamente relacionado à perspectiva de lucratividade e é inversamente proporcional à redução das taxas de juros.

Em suma, a matemática na economia nem sempre significa que dois mais dois equivalem a quatro, porque:

A baixa da taxa Selic geralmente promove o consumo. Se as pessoas consomem mais, as empresas tendem a vender mais produtos. Com melhores resultados, as ações dessas empresas muitas vezes pagarão mais dividendos e seu valor será apreciado. E o estímulo ao consumo, com a redução da taxa Selic, também reduz o custo do crédito para as empresas. Isso promove investimentos, por exemplo, ampliação de instalações ou outros projetos de expansão.

Por outro lado, se a Selic aumentar, todos esses movimentos serão prejudicados, ou seja, a atividade econômica geralmente esfria e o desempenho das empresas também esfria.

Por fim, acho que faz sentido explicá-lo da maneira mais simples. Se há 50 consumidores em uma economia fictícia e a oferta diminui durante a pandemia, no caso a indústria, que tem sofrido pelo aumento dos custos dos insumos. Em decorrência, ocorre a inflação de custo e agora a indústria só pode entregar para 45 consumidores. Isso faz com que ocorra uma pressão da demanda, aquecendo alguns setores, implicando uma inflação de demanda. Entendeu como é a complexidade da matemática econômica?

Fique por dentro. Boa semana. Gratidão!

Cláudio Chiusoli

Professor de Administração na UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste /PR. Economista formado pela UEL. Pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR.
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Foto: Vecteezy

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