Por Suzi Bońfím
O Café, Prosa e Poesia, na tarde de sábado (22), superou as expectativas. Quase 3 horas de bate-papo entre pessoas de grupos diferentes que não se conheciam e descobriram afinidades, interesses em comum e divergências, também. Afinal, são conexões reais, sem algoritmos, associando só os assuntos que interessam, com o mesmo ponto de vista, garantindo likes e visualizações. Nada disso!

Cada um expôs a versão que tem sentido para si, a forma de ver o mundo que está à sua volta, sem eticências. Uma prosa bonita de ver e ouvir, que teve escuta atenciosa sobre o fazer na vida e os assuntos que vão surgindo depois de cada apresentação, alinhavando um roteiro com experiências e opiniões diversas.
A historiadora, escritora e desenhista, Poliana Gabriela Santim, gaúcha de Muçum, mulher transgênero, apaixonada pelo filme Jornadas nas Estrelas e Star Trek, apresentou o seu último trabalho de histórias em quadrinhos, Missão nas Estrelas.

Angela Diana, artista plástica, mente inquieta,questionadora e indignada como se deve ser para sobreviver da arte que tanto ama.
Ela sente na pele que não basta produzir com qualidade numa cidade que está apagando seus artistas.
Não há espaços, nem políticas públicas, nem ações que sustentem a cultura local de forma ampla e democrática.
Triste sina, mas uma certeza: a arte salva.
Prosa sobre longevidade desde sempre
O fio condutor dessas conexões nos leva a uma realidade irrefutável, próxima para uns e mais distantes para outros, porém, à medida que o tempo passa, tem que ser encarada por todos: o privilégio de viver mais, da longevidade.
Uma temática proposta pelo grupo de literatura Mosaico que provocou reflexões interessantes sobre como estamos envelhecendo. O economista Dácio Villar criou o Centro de Estudos e Formação para o Envelhecimento (CEFE) para abordar o assunto de forma sistemática junto à sociedade, em empresas do setor público e privado e outros segmentos.

Villar detectou, entre outras coisas, que o foco não é falar do envelhecimento com quem está vivendo esta fase. Mas, alertar as outras gerações que é preciso planejar como se pretende viver até, no mínimo, 80 anos.
De acordo com o IBGE, a expectativa de vida dos homens subiu de 72,1 para 73,1 anos, já para as mulheres, o avanço foi de 78,8 para 79,7 anos. Dácio que fez parte do Conselho do Idoso, lembra que Londrina tem mais de 100 mil pessoas com mais de 60 anos.
Já a artista plástica autodidata Lia Salvany Felinto, no projeto Cefe, dribla o etarismo levando para a comunidade a oficina “Entre passos e poses: você na passarela da vida”. Lia, usando técnicas como as de teatro, mostra para as mulheres que elas têm potencial, a olharem para si mesmas e descobrir que podem ser e fazer o que quiserem, em qualquer idade.
Poesia nas conexões reais
Com tanta prosa, a poesia do encontro ficou por conta dessa troca entre os participantes, da empatia diante da história de cada um, suas lutas e glórias. Tudo isso, regado a um café especial servido pelo Cristiano Dias e a Simone Fabris. A surpresa da tarde foi o “paint cake”, um bolo em que a decoração é por conta do cliente da OHDY Cafeteria.

Ansiosa pelo próximo Café, Prosa e Poesia e conexões reais e estimulantes, como esta. Uma parceria do O Londrinēnse e da OHDY Cafeteria que caminha com propósito.
Suzi Bońfím

Jornalista, formada na UEL, por quase 30 anos morou em Cuiabá -MT. De volta a Londrina-PR, vive a fase R de reencontros e renovação, respirando novos ares. Atua em assessoria de imprensa, rádio e tv. É sócia do O Londrinēnse e entrevistadora do O Londrinēnse POD.
Instagram @suzi.bonfim
Leia mais colunas Na minha opinião…
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE


Uma resposta
Lindo encontro. Espero que se repita.