Mulheres no contrabaixo

Não é novidade que eu amo bandas formadas por mulheres ou bandas mistas.

Um instrumento que sempre me chamou atenção na música é o contrabaixo, talvez pelo fato da primeira banda que montei com amigos e que acabou faz tempo, e o baixo era meu instrumento. A partir dai comecei a prestar mais atenção nos baixistas e seus vários estilos de tocarem contrabaixo, esse que, junto com a bateria, formam a “cozinha” das bandas.

Já ouvi de vários músicos e não só baixistas, que o tocador de baixo tem mais é que ralar os dedos, sem essa de palheta. Durante um tempo eu concordei, mas a verdade é que cada músico toca como achar melhor e confortável. E o tipo de som que quer tirar do seu baixo, pois a sonoridade muda.

Tá! E as mulheres contrabaixistas? Cara, tem grandes baixistas nesse mundão. Mas vamos falar do nosso país, sim! Esse dos tanques de combate… a dengue!

 Vamos lá! Começamos com ela, a nossa grande baixista Isis Carolina, que toca na WoodSurfer’s, banda de surf music de Londrina. Cara, não tive o prazer de ver Isis ao vivo tocando seu baixo, mas tem o canal oficial da banda no YouTube para salvar e lá tem suas performances. Isis tem outro projeto também, junto com seu companheiro Demian, não só na música, mas na vida. Juntos, eles formam a Payout, banda de metal pesado. Sendo Isis uma grande baixista, não teve e não tem problema algum em se aventurar em estilos diferentes de som, com seu baixo e estilo de tocar, ela arrasa com seu instrumento. Isis toca de palheta. A “cozinha” das duas bandas está perfeita.

Outra baixista foda é a Rubia Oliveira da Banda Cigarras, de Curitiba. Rubia vem da escola Punk Rock, ela arrebenta! Outra que não tive o prazer de ver tocando ao vivo, mas suas performances estão disponíveis no YouTube, se você procurar vai encontrar apresentações das meninas em shows e lá você vai entender o que estou falando. Além de tocar super bem seu baixo, Rubia tem um estilo único, suas danças enquanto toca é contagiante, Rubia prefere ralar os dedos. A “cozinha” das Cigarras está chique.

Amanda – Foto: arquivo pessoal

E não pára! Temos Amanda Simões, baixista da Crush all Tyranny, de SP, sua primeira banda. Ela curte o estilo Thrash e Black Metal, se envolvendo com o Crust de uns anos pra cá. Baixista de respeito, Amanda toca de palheta e encorpa o som da banda com perfeição. Entrem no canal oficial da banda no YouTube e confiram. Lá vocês vão ver e ouvir que o baixo de Amanda torna a “cozinha” da C.A.T, nervosa.

Continuando, temos Déia Marinho baixista da Time Bomb Girls de SP, banda de surf/punk/punkabilly.

Déia Marinho – Foto: arquivo pessoal

Déia começou suas aulas de baixo em 2004, deu uma parada, voltou em 2010 e, por causa de uma nova faculdade, parou novamente. Voltou a assumir seu baixo e dessa vez definitivo, em 2017, em 2018 formou a T.B.G.

O tipo de som que Déia curte tocar, vai desde o Punk, Rockabilly, Blues, uma pitada de Hard Core e claro, a Surf Music. Além de ser uma paixão, é meditativo para ela. Déia prefere ralar os dedos, apesar de concordar que certos tipos de som, na palheta é melhor. Agora ela está fazendo aulas de violão e guitarra, que também vão ajudar a lidar com a palheta no baixo. As performances de Déia no palco, o som foda que ela tira do baixo são fantásticos.  A “cozinha” da Time Bomb Girls está completa.

Tem mais ainda! Vamos com outra baixista foda. Line da Klitores Kaos, banda Feminista Antifa HC, de Belém, PA.

Line, atualmente só toca Hard Core, apesar de ouvir outros estilos musicais e já ter tocado um som mais pop antigamente.  Line toca a quatro anos, alternando entre dedos e palheta, há dois anos o seu baixo é poderoso na Klitores Kaos, sua performance no palco é tranquila e matadora, basta entrar no canal oficial da Klitores Kaos no YouTube e conferir o que estou falando. A “cozinha” da Klitores Kaos é atitude e respeito.

Line – Foto: arquivo pessoal

E para encerrar a primeira parte desta matéria, vamos com ela: Angelita!

Angelita é baixista e vocalista da Ratas Rabiosas e baixista da Menstruação Anarquika, onde divide os vocais com Edwiges Carvalho, ambas as bandas são de sampa e tocam, Punk/HC.

Angelita já começou tocando o estilo punk, foi uma forma de extravasar mesmo, tinha que ser rápido e pesado. Sua vida de baixista começou em 2013, ela já estava envolvida no punk há anos, mas nunca tinha tido um incentivo sequer e sua autoestima estava muito baixa para montar uma banda.

Angelia – Foto: arquivo pessoal

 Saindo de um relacionamento abusivo, Angelita precisava de um escape, precisava dar uma resposta a toda essa merda que viveu. Guerreira, ela passou por tudo isso e hoje toca em duas bandas importantíssimas do underground paulistano. Além de ser radialista e apresentar o programa (Mulheres Punks Resistem).

A performance de Angelita e seu contrabaixo é de uma energia ímpar, a mais recente apresentação foi com as Ratas Rabiosas no Let’s Grrrls Fest. Cola no canal oficial da banda no Youtube e prestigiem. Tenho certeza que vocês vão entender na hora o que estou falando.

Tanto a “cozinha” da Ratas Rabiosas como da Menstruação Anarquika estão pesadas e sujas.

Aproveitando o gancho dessa coisa terrível que aconteceu com Angelita, vou dar um recado: Você, idiota que entra no perfil das bandas formadas por mulheres para falar bosta, além de tudo de ruim, você é um covarde que se esconde atrás de uma tela. Vai lá falar merda em um show, quem sabe você leva um contrabaixo bem no meio da cara, onde seu nariz vai parar na nuca e os dentes no estômago e aprende alguma coisa boa nessa vida.

Vida longa as mulheres Baixistas!

Bora pro Rock!

Rogerio Rigoni


Foi comerciante a vida toda, se rebelou e assumiu seu lado de escultor. A música que sempre foi sua paixão! Rock and roll na vida e na arte!

Foto: Line, do Klitores Kaos, em performance/Arquivo Pessoal

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *