Prata, valorização e identidade

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A prata atravessa um momento de forte valorização. Os números recentes ajudam a reposicionar o metal no centro do debate

Por Vivi Agudo

Desde o ano passado, a prata vem em trajetória consistente de alta e, já em 2026, segue renovando patamares e projeções otimistas. Dados divulgados pela Forbes indicam que o metal acumulou valorizações expressivas, superando diversos ativos tradicionais e, em alguns períodos, apresentando desempenho superior ao do próprio ouro. Instituições financeiras revisaram expectativas e passaram a tratar a prata como um ativo estratégico, impulsionado por fatores estruturais e demanda real.

Esse movimento não é pontual. Ele é sustentado pelo crescimento da demanda industrial, pelo uso intensivo em tecnologia, energia e eletrônicos, por restrições na oferta global e por um cenário macroeconômico marcado por instabilidade. Em contextos assim, ativos físicos, finitos e com lastro histórico ganham relevância. A prata retorna ao centro do mercado não como promessa, mas como confirmação de valor.

A prata está trajetória de alta como um ativo financeiro. Mas, na joalheria autoral, esse valor nunca foi questionado porque se constrói no processo de criação
Fotos: Analua Studio/Angatu Joias

O que chama atenção, no entanto, é que essa valorização acontece ao mesmo tempo em que a prata ainda é, muitas vezes, percebida de forma distinta do ouro no imaginário cultural. Não se trata de rejeição nem de ausência de mercado — a prata sempre esteve presente e amplamente consumida. A questão está na leitura simbólica. Com frequência, o preço do grama pesa mais do que o reconhecimento da prata como metal nobre e, portanto, como joia plena.

A valorização contínua do ouro, hoje em níveis historicamente elevados, amplia esse debate. Em vez de reforçar hierarquias, esse cenário convida a um olhar mais atento sobre escolhas. A prata deixa de ser vista como alternativa e passa a ser entendida como decisão consciente. Não por comparação com o ouro, mas por mérito próprio. Um metal que sustenta valor e presença sem precisar se apoiar em outro.

Na joalheria autoral, essa compreensão nunca foi dúvida. A prata é metal nobre. É matéria de criação e precisão, capaz de sustentar uma linguagem própria, rigor formal e pesquisa. Seu valor não se encerra na cotação do dia, mas se constrói no processo, no desenho e na integridade do que é feito. O que o mercado hoje reconhece em números, esse fazer pratica como fundamento.

Comprar joias em prata, hoje, é reconhecer valor real. Um valor que vai além do financeiro e envolve cultura, tempo e consistência. É investir em matéria nobre com história e presença, capaz de atravessar ciclos sem perder sentido.

Joia é valor real.

Foto principal: Freepik

Vivi Agudo

Mestre em Design (UFSC), conduz a Angatu Joias, unindo arte, design e propósito em criações de joias autorais que expressam sofisticação, sensibilidade e identidade. Escorpiana, apaixonada pelas cores e pelos ritmos da América Latina, vive cercada de pedras, símbolos e significados — sempre observada por Obá, sua gata preta de olhar enigmático. Siga-me nas redes sociais: @vivi.agudo e @angatu.joias Site: Angatu Joias

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