Gosto de sentir dor nas relações sexuais. É normal?

Por Telma Elorza

“Tenho 18 anos e comecei minha vida sexual aos 16 com uma vizinha. Mas até semana passada, não via muito graça no sexo. Até gozava, mas nunca foi aquela coisa que os amigos falavam tanto. Aí, semana passada, a menina com quem estava apertou sem querer meu testículos enquanto a gente transava. E a dor meu deu um prazer enorme. Nunca senti nada disso antes. Pedi até para ela fazer mais. Agora estou com receio. É normal sentir prazer com dor? Posso me prejudicar?”

O leitor, por ser bem jovem e estar apenas iniciando sua vida sexual, nunca deve ter ouvido falar em masoquismo. Pelo dicionário, o masoquismo é um comportamento da pessoa que sente prazer a partir da dor e/ou do seu próprio sofrimento; capacidade de sentir prazer na ação de se machucar. O sadismo´´ é o contrário, o prazer em infligir dor ou humilhação ao parceiro.

Até pouco tempo atrás, o sadomasoquismo era classificado como uma doença mental. No entanto, o novo guia de Classificação Internacional de Doenças (CID) 11,  o manual criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e usado em todo o mundo para diagnosticar doenças, que entrou em vigor em janeiro deste ano, retirou fetichismo, travestismo fetichista e sadomasoquismo da lista de doenças. Ou seja, agora é oficial: é plenamente normal sentir prazer na dor, desde que seja consensual.

O leitor não deve ter se machucado muito na vida, para descobrir seu prazer somente por acaso, numa relação. O masoquista, geralmente, sempre prazer sexual em qualquer dor. E é até mais comum que se imagina, embora as pesquisas sobre o tema sejam poucas. Um relatório de dados de uma pesquisa realizada na Austrália, entre os anos 2001 e 2002, apontou que 2,2% dos homens e 1,3% das mulheres informaram estar envolvidos em masoquismo e/ou sadismo sexual nos últimos 12 meses anteriores ao estudo. Embora não admitam, boa parte das mulheres gostam de levar uns tapões na bunda, uns puxões de cabelo, durante o ato. Isso é um masoquismo soft.

Agora, é preciso um certo cuidado, para quem se inicia na prática, para não exagerar e provocar machucados graves. Não é porque a dor é prazerosa que devem esquecer algumas medidas de segurança. O masoquismo faz parte das práticas BDSM (Bondage, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) e, como tal, deve seguir algumas regras. A primeira e maior delas é ter sempre uma palavra de segurança, uma espécie de senha, para ser usada em caso onde a dor pode ultrapassar os limiteis do prazer e virar um sofrimento real. A brincadeira deve ser SEMPRE prazerosa, respeitando os limites tanto do dominador (o que inflige a dor) quando do dominado (o que se submete à dor). Essa senha tem que ser uma palavra totalmente diferente do contexto em que estão para que a pessoa, quando a ouvir, saiba que é para parar imediatamente. Use, por exemplo, uma palavra como “azul”, “camarão” ou “abacaxi”.

Outra regra, não escrita, é respeitar os próprios limites. Inclusive os psicológicos. Qualquer prática que traga sofrimento, angústia ou desespero não faz bem. Portanto, se for o caso, procure ajuda de psicólogos. Afinal, o sexo deve ser prazeroso e trazer felicidade. Angústia não combina e aí, sim, algo estaria errado.

Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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