Por Robson Moretão
Eu sou Robson Moretão, e este é mais um texto da coluna Além dos Controles — aquele espaço onde a gente vai além do gráfico bonito e do hype do lançamento de jogo pra discutir o que realmente impacta a vida do gamer.
Hoje, o assunto é polêmico e, sinceramente, digno de um plot twist digno de RPG: o possível fim do preço fixo nos jogos.
Durante décadas, comprar um game era quase um ritual previsível. Você sabia quanto custaria um lançamento de peso — seja no Sony, na Microsoft ou na Nintendo. Podia doer no bolso, claro. Mas era um “dano crítico” anunciado.
Agora, imagine entrar na loja digital do seu console e perceber que o preço do mesmo jogo muda… dependendo de quem você é.
Parece mecânica de jogo distópico, mas não é. É o começo de uma nova fase na indústria.
Do hype ao algoritmo: quem define quanto você paga
A ideia de preços dinâmicos não nasceu nos jogos. Ela já é velha conhecida de quem usa apps como transporte ou delivery. A lógica é simples: mais demanda, menos oferta, preço sobe.
Mas quando isso chega aos videogames, surge um problema fundamental: jogos digitais não têm estoque limitado.
Se você compra Marvel’s Spider-Man 2 ou qualquer outro título na loja do PlayStation 5, não existe “última unidade”. Não existe escassez real.
Então por que o preço mudaria?
A resposta está menos na economia tradicional e mais em algo muito mais sensível: comportamento.
Plataformas conseguem mapear seus hábitos. Se você joga frequentemente, compra lançamentos, segue franquias específicas ou adiciona títulos à lista de desejos, você deixa rastros. E esses dados permitem traçar um perfil de consumo.
Na prática, isso significa que dois jogadores podem abrir a mesma loja e ver preços diferentes para o mesmo jogo.
Agora pense em um lançamento como Grand Theft Auto VI. Um dos jogos mais aguardados da década. Se você é fã da franquia, acompanha notícias e já jogou todos os anteriores, o sistema sabe: você vai comprar.
E se ele sabe disso… por que te dar desconto?
O mesmo vale para franquias anuais como EA Sports FC. Se o seu histórico mostra compras recorrentes, o algoritmo entende que você é um consumidor fiel — e fidelidade, nesse cenário, pode virar um custo extra.
Enquanto isso, jogadores mais casuais — aqueles que entram pouco na plataforma — podem receber preços menores como incentivo.
É uma inversão curiosa: quanto mais engajado você é, mais caro pode pagar.
Esse modelo também impacta algo que sempre foi sagrado na cultura gamer: a previsibilidade das promoções. Eventos como Black Friday, férias ou saldões de meio de ano sempre foram momentos estratégicos para comprar.
Com preços dinâmicos, isso pode desaparecer. Em vez de grandes descontos visíveis para todos, teremos pequenas variações invisíveis e personalizadas.
Ou seja: o controle sai da sua mão e vai totalmente para a plataforma.
E se isso funcionar para a Sony, o efeito dominó é inevitável. Empresas como Valve e Epic Games podem seguir o mesmo caminho.

Jogar com inteligência: o novo desafio do gamer moderno
No dia a dia, isso muda completamente a forma como você consome jogos.
Aquele impulso de comprar no lançamento pode virar dúvida. Não por causa da qualidade do jogo, mas pelo medo de estar pagando mais caro do que outra pessoa.
Isso gera algo que já conhecemos bem fora das telas: ansiedade de consumo.
Você começa a se questionar: “Será que esse é o melhor momento”? “Será que estou sendo ‘punido’ por gostar desse jogo”?
Esse tipo de lógica já existe em redes sociais, no e-commerce e até no streaming. E agora começa a bater na porta dos games.
Na prática, o jogador precisa se tornar mais estratégico. Comparar preços, evitar compras por impulso, questionar padrões e, principalmente, conversar com a comunidade.
Porque, no fim das contas, isso não é só sobre jogos. É sobre como dados estão sendo usados para influenciar decisões — dentro e fora do mundo digital.
🧠 No fim, quem está no controle: você ou o sistema?
Durante anos, aprendemos que evoluir nos games significava desbloquear habilidades, conquistar equipamentos melhores e dominar sistemas complexos.
Agora, parece que o jogo virou.
A nova “mecânica” não está no controle… está no preço.
E aí fica a pergunta que não quer calar:
Se até o valor do jogo muda dependendo de quem você é… será que ainda estamos jogando o mesmo jogo que todo mundo?
Robson Moretão

Um maluco por games desde sempre – há mais de 30 anos! Sou fissurado em histórias incríveis, desafios “impossíveis” e gráficos realistas. Aqui, na minha coluna, vou falar sobre o avanço desta indústria fantástica e seus desdobramentos.
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