Por Robson Moretão
Olá, pessoal. Eu sou Robson Moretão, e este é mais um artigo da coluna “Além dos Controles”, onde a gente conversa sobre videogames, cultura gamer e tudo aquilo que acontece dentro e fora das telas.
Se você joga videogame há algum tempo, provavelmente já percebeu um fenômeno curioso: enquanto a indústria investe bilhões em tecnologia, gráficos realistas e mundos gigantescos, muitos dos jogos que mais fazem sucesso hoje são… histórias que já conhecemos.
Sim, estou falando dos remakes.
Em uma era em que os videogames conseguem reproduzir cidades inteiras, personagens com expressões quase humanas e universos gigantescos, por que ainda voltamos tanto ao passado? Por que jogos lançados há 10, 20 ou até 30 anos continuam vendendo milhões quando são refeitos?
A resposta envolve nostalgia, estratégia de mercado e, talvez, um problema silencioso na criatividade da indústria atual.

Por que os remakes continuam dominando as vendas de games?
O sucesso dos remakes não é coincidência. Ele faz parte de um fenômeno que especialistas chamam de “economia da nostalgia”.
Em termos simples: o passado vende — e vende muito.
Para quem jogou videogame nas décadas de 90 e 2000, revisitar certos títulos é quase como abrir um álbum de memórias. Aquela trilha sonora, aqueles personagens e aquelas fases trazem de volta sensações que nenhum jogo novo consegue replicar facilmente.
Mas os remakes não vivem apenas de lembranças.
Eles também entregam algo muito poderoso: modernização tecnológica.
Jogos antigos muitas vezes envelhecem mal. Controles travados, câmeras confusas e gráficos limitados fazem parte da realidade de títulos clássicos. Quando um remake acontece, ele recria toda a experiência do zero, utilizando motores gráficos modernos, novos sistemas de combate e uma narrativa adaptada para os padrões atuais.
Um exemplo claro disso é Resident Evil 2, que transformou um clássico de 1998 em uma experiência moderna de terror e sobrevivência — e o resultado foi impressionante: mais de 16,9 milhões de cópias vendidas.
Outro caso emblemático é Final Fantasy VII Remake, que não apenas atualizou gráficos e jogabilidade, mas expandiu a própria narrativa de um dos RPGs mais influentes da história.
Há também o recente sucesso de Silent Hill 2 Remake, que ultrapassou 5 milhões de unidades vendidas, mostrando que até jogos de terror psicológico de duas décadas atrás ainda têm enorme força no mercado atual.
E não podemos esquecer de exemplos tecnicamente impressionantes como Demon’s Souls e Shadow of the Colossus, que foram praticamente reconstruídos do zero, com visuais dignos da nova geração.
Do ponto de vista das empresas, tudo isso faz muito sentido.
Criar um jogo completamente novo envolve riscos enormes. Um estúdio pode investir anos de trabalho e centenas de milhões de dólares em um projeto que simplesmente não conquista o público.
Já um remake trabalha com algo que já provou seu valor.
A história já funcionou.
Os personagens já são amados.
A base de fãs já existe.
É, literalmente, uma aposta muito mais segura.
Mas é aqui que surge a grande pergunta: se os remakes continuam dominando as vendas, o que está acontecendo com os jogos novos?

O que os remakes dizem sobre nós como jogadores
Parte da resposta pode estar no próprio comportamento dos jogadores.
Hoje vivemos em uma indústria extremamente acelerada. Lançamentos constantes, atualizações semanais, jogos como serviço, microtransações e temporadas infinitas. Muitas vezes, os jogadores sentem que os games novos chegam rápidos demais — e sem alma suficiente.
Enquanto isso, os clássicos carregam algo raro: identidade.
Eles foram criados em um período em que muitas equipes ainda estavam descobrindo o que os videogames poderiam ser. Havia mais experimentação, mais risco criativo e menos pressão corporativa.
Curiosamente, esse fenômeno não acontece apenas nos games.
No cinema, vemos remakes e reboots o tempo todo.
Na música, o vinil voltou à moda.
Na tecnologia, até interfaces modernas imitam estilos antigos.
O ser humano tem uma relação profunda com o passado.
E talvez isso nos ensine algo importante também fora das telas: nem sempre o mais novo é automaticamente melhor.
Às vezes, revisitar o que já funcionou — seja um jogo, uma ideia ou até um valor — pode nos ajudar a entender melhor o presente e construir algo melhor para o futuro.
Entre nostalgia e inovação: qual será a próxima fase?
No fim das contas, os remakes não são apenas jogos refeitos.
Eles são portais de memória.
Cada vez que voltamos a uma cidade infestada de zumbis, atravessamos um mundo gigantesco em busca de colossos ou enfrentamos criaturas sombrias em um castelo abandonado, estamos revivendo algo que marcou uma geração.
Mas isso também deixa uma provocação no ar:
Se o passado continua vendendo tanto…será que a indústria está realmente criando novos clássicos — ou apenas sobrevivendo dos antigos?
Porque no grande “game” da criatividade, viver apenas de remakes pode ser como jogar sempre na fase que você já sabe vencer.
Foto principal: imagem gerada por IA
imagem gerada por ia
Robson Moretão

Um maluco por games desde sempre – há mais de 30 anos! Sou fissurado em histórias incríveis, desafios “impossíveis” e gráficos realistas. Aqui, na minha coluna, vou falar sobre o avanço desta indústria fantástica e seus desdobramentos.
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