Por Robson Moretão
Olá, pessoal! Aqui quem fala é Robson Moretão, com mais de duas décadas de estrada acompanhando cada pixel, cada polêmica e cada evolução desse mundo de jogos que a gente ama. Sejam bem-vindos à nossa coluna “ALÉM DOS CONTROLES” , onde a gente desliga o console por um instante para pensar sobre o que acontece dentro e fora da telinha.
Hoje, o assunto é clássico e, ao mesmo tempo, mais atual do que nunca. Respira fundo e segura esse mouse, porque vamos falar sobre o gênero que domina corações, placas de vídeo e campeonatos pelo mundo: os jogos de tiro em primeira pessoa (FPS) . Seja você um veterano que viveu o boom das LAN houses ou um jovem que cresceu vendo streamers, uma hora a pergunta vem: com tantas balas voando, qual deles realmente merece o meu tempo e a minha mira?
A bala na agulha: A evolução dos shooters
Antes de irmos para o cara a cara, vamos fazer aquele rápido respawn na memória. Lá nos anos 90, títulos como Doom e Quake nos apresentaram a um novo tipo de adrenalina: correr por labirintos, achar a arma certa e mandar ver. Era pura velocidade e ação. Aí, no fim dos anos 2000, veio o Call of Duty 4: Modern Warfare e mudou o jogo – com uma narrativa cinematográfica e um multiplayer viciante, ele trouxe o gênero para as massas de vez. De repente, todo mundo queria chamar um helicóptero ou se esconder atrás de um arbusto com uma sniper.
Hoje, o cenário é um prato cheio para qualquer gamer, mas também um campo minado. São tantas opções que a gente pode sofrer mais escolhendo um jogo do que levando headshot num 1v5. A pergunta não é mais “o que jogar”, mas sim “qual desses mundos faz mais o meu estilo”?
Prós, contras e o calibre de cada um
Vamos pegar sua lista e dissecar cada calibre, porque cada um tem sua própria pegada, seu próprio cenário competitivo e seu próprio tipo de estresse pós-partida.
1. A busca pela perfeição tática (CS e VALORANT)

Se você é do tipo que decora spray pattern, estuda ângulos e acha que um abajur fora do lugar te denunciou, Counter-Strike e VALORANT são a sua praia. O CS é o avô respeitado. É aquele jogo onde a física é quase uma religião e a economia do time é tão importante quanto a mira. O VALORANT veio como o neto talentoso, pegou a base tática do CS e misturou com poderes de anime. O pró aqui é a satisfação da evolução; você sente seu cérebro e reflexos melhorarem a cada partida. O contra? A curva de aprendizado é um paredão. Prepare-se para levar rage quit e xingamento nos primeiros meses.
2. O caos cinematográfico (Battlefield e Call of Duty)

Já pensou em explodir um prédio inteiro só porque o inimigo estava no segundo andar? Bem-vindo ao Battlefield, o rei do “only in Battlefield” moments. É o caos em larga escala, com veículos e destruição. É o jogo para quem quer sentir o cheiro da pólvora de uma guerra de verdade. Já o Call of Duty é o primo veloz. É aquele fast-food delicioso: você entra, dá uns tiros, corre na parede, já morre, respawna e parte para outra. O pró de ambos é a diversão imediata e os gráficos de ponta. O contra é que, para alguns, a profundidade pode ser menor. No COD, muitas vezes, a estratégia se resume a “corre e atira”.
3. A sobrevivência e o realismo bruto (Escape from Tarkov e PUBG)

Aqui o negócio é outro. Esqueça a killdeath bonita. No PUBG, o battle royale que popularizou o gênero, a tensão está em sobreviver em um mapa enorme. É você, sua inteligência e a sorte do loot. É um jogo mais acessível nesse sentido, mas exige paciência.
Agora, Escape from Tarkov é a verdadeira universidade da dor. É o FPS mais hardcore que existe. Você não só precisa acertar o inimigo, mas gerenciar fraturas, sangramentos, fome e sede. Perder uma arma lá dói no bolso virtual e no coração. O pró é a imersão e a adrenalina inigualável. É o jogo que te faz suar frio. O contra? Ele pode ser punitivo demais para quem tem pouco tempo ou quer apenas relaxar.
4. A Estratégia em Equipe (Rainbow Six Siege)

Por fim, temos o xadrez humano. No Rainbow Six, tiro é consequência, não objetivo. O jogo é sobre info, destruição de paredes e gadgets. Cada rodada é um quebra-cabeça. O pró é a criatividade; não existem duas partidas iguais. O contra é que, se você não tiver um time para se comunicar, a experiência pode ser frustrante e tóxica.
E o que isso tudo tem a ver com a sua vida?
Pode parecer loucura, mas escolher um jogo pode dizer muito sobre você. Se você busca controle e meritocracia, o CS e o VALORANT te ensinam que consistência vence talento. Se você precisa extravasar após um dia estressante de trabalho ou faculdade, o caos do COD ou do Battlefield é a sua terapia. Se você gosta de resolver problemas e trabalhar em equipe, o Rainbow Six pode até te ajudar a ser mais analítico no dia a dia.
E se você sente que a vida é uma luta constante onde um erro pode custar caro, bem-vindo ao clube de Tarkov. A resiliência que você aprende ao perder um equipamento raro no jogo pode, de certa forma, te preparar para lidar com as perdas e recomeços da vida real. Parece viagem? Pode ser, mas quantas vezes a gente não ouviu um “é só um jogo” e, no fundo, sabia que aquele aprendizado de estratégia, paciência e trabalho em equipe ficava com a gente?
Game Over no jogo? Ainda bem que não na vida
No final das contas, não existe o “melhor jogo”. Existe o melhor jogo para você, agora. O mercado de FPS é um reflexo da nossa sociedade: queremos competição, mas também escapismo; queremos realismo, mas também diversão. E a indústria segue firme, com campeonatos mundiais lotando estádios e tecnologias como Ray Tracing e IA deixando tudo mais imersivo.
O futuro? Provavelmente será ainda mais híbrido. Jogos que misturam tiro com construção, como Fortnite, já mostraram esse caminho. A realidade virtual também promete nos jogar literalmente dentro da batalha.
A pergunta que fica, depois que você desliga o PC ou o console e a tela de “Vitória” ou “Derrota” se apaga, é: em qual tipo de batalha você está realmente disposto a lutar?
Um abraço e até a próxima bala na agulha!
Foto principal: Imagem gerada por IA
Robson Moretão

Um maluco por games desde sempre – há mais de 30 anos! Sou fissurado em histórias incríveis, desafios “impossíveis” e gráficos realistas. Aqui, na minha coluna, vou falar sobre o avanço desta indústria fantástica e seus desdobramentos.
Ah, e se quiser ficar por dentro das últimas novidades dos games e e-sports diariamente, cola comigo nas minhas redes sociais: Twitter, Tiktok, e Instagram
Leia todas as colunas sobre Games
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE


