Por Robson Moretão
E aí, pessoal! Aqui é o Robson Moretão e, depois de duas décadas cobrindo esse mercado dos games, poucas coisas ainda me fazem parar tudo o que estou fazendo para prestar atenção. Uma delas é ver a visão de um autor como Hideo Kojima sendo destravada ao máximo no hardware que a gente escolheu para chamar de nosso. E foi exatamente isso que aconteceu no último State of Play.
Enquanto muitos esperavam por remasters ou DLCs, a Sony mandou a real: Death Stranding 2: On the Beach finalmente vai chegar no PC em 19 de março. E acredite, para quem joga no computador, essa não é apenas uma data no calendário; é um convite para revisitar a América reconstruída de Sam com um novo par de óculos. Ou, no caso, um monitor ultrawide 32:9.

Se no PlayStation 5 a jornada de Sam Porter Bridges foi uma experiência intimista e cinematográfica desde o lançamento em junho de 2025, no PC a promessa é que Death Stranding 2 se torne uma verdadeira epopeia visual. Graças ao trabalho da Nixxes Software – que já se tornou sinônimo de port de qualidade por aqui –, a versão para os computadores chega com aquela malemolência técnica que a gente adora: framerate desbloqueado, suporte nativo a DLSS, FSR e XeSS, e a possibilidade de jogar naquela tela imensa que te faz esquecer que existe um mundo lá fora.
E sim, eu sei que R$ 400 na pré-venda da Steam pode parecer salgado para alguns, mas quando a gente vê o cuidado da Nixxes em otimizar um jogo que já rodava bem na Décima Engine (a mesma de Horizon), a tendência é que o negócio fique redondo. Ainda não temos os requisitos oficiais – a página ainda diz “TBD” –, mas se o primeiro Death Stranding nos ensinou algo, é que Kojima e a Guerrilla Games sabem como extrair potência sem derreter sua placa de vídeo.
A conexão (opcional) com a PSN e o futuro da entrega
Outro ponto que chamou a atenção foi a abordagem da Sony em relação à PSN. Se antes tínhamos aquela novela chata de vincular conta para jogar títulos single-player, agora a coisa mudou. A empresa adotou uma postura mais… digamos, amigável. Quem quiser conectar sua conta PlayStation Network ao jogo no PC vai ganhar alguns brindes cosméticos, como patches para a mochila e um traje inspirado no PlayStation para o Sam.
É um movimento inteligente. Ao invés de criar uma barreira, a Sony criou um incentivo. É quase como aquela quest opcional que te dá uma skin rara: não é obrigatória, mas se você já está imerso no ecossistema, por que não pegar? E os jogadores do PS5 não precisam se sentir excluídos; eles receberão os mesmos itens em março, no dia do lançamento do port.
Aliás, a própria Sony já acenou que isso é só a ponta do iceberg. Mais conteúdos, modos de jogo e recursos estão a caminho tanto para PC quanto para PS5. A promessa é que os detalhes saiam no próximo mês, o que me leva a crer que a jornada de Death Stranding 2 está longe de terminar. Assim como as rotas de Sam, o jogo parece estar sempre se expandindo para novos territórios.

Construindo pontes fora da tela
Mas vamos sair um pouco da parte técnica e falar sobre o que realmente importa: a mensagem. Death Stranding sempre foi um jogo sobre conexão em um mundo fragmentado. Sam entrega pacotes, mas o que ele realmente carrega é a esperança de religar uma sociedade que escolheu se isolar. Soa familiar?
Vivemos em uma era hiperconectada pela internet, mas emocionalmente isolada. Muitas vezes, estamos ali, jogando em um monitor ultrawide 32:9, imersos em uma paisagem deslumbrante, enquanto deixamos de construir pontes com quem está na sala ao lado. O jogo nos pergunta: “O que você está disposto a carregar para conectar as pessoas?”
Na vida real, não carregamos caixas de medicamentos ou suplementos. Carregamos paciência, empatia e tempo. Assim como no jogo, onde o terreno é hostil e as tormentas de tempo (as Timefall) são imprevisíveis, na vida os obstáculos aparecem. A aplicação prática de Death Stranding é quase terapêutica: ele nos lembra que cada pequena entrega – seja um favor, uma palavra amiga ou um simples “estou aqui” – pode reconstruir um pedaço do tecido social que insiste em rasgar.
O legado Death Stranding além da entrega
Quando você desligar o PC ou o PS5 após mais uma longa sessão carregando pacotes e enfrentando MULAs, pare e pense na sua própria rota de entregas diárias. Quais conexões você fortaleceu hoje? O que você deixou cair no caminho por pura pressa?
Death Stranding 2 chega ao PC não apenas para mostrar o poder gráfico da Nixxes ou para vender placas de vídeo. Ele chega para reacender a discussão sobre o nosso papel em um mundo que, embora digital, exige presença real. A pergunta que fica não é sobre qual placa de vídeo você vai usar para rodar o jogo, mas sim: na sua caminhada, você tem sido apenas mais um sobrevivente isolado, ou tem feito questão de estender a mão para construir a ponte que falta?
Robson Moretão

Um maluco por games desde sempre – há mais de 30 anos! Sou fissurado em histórias incríveis, desafios “impossíveis” e gráficos realistas. Aqui, na minha coluna, vou falar sobre o avanço desta indústria fantástica e seus desdobramentos.
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