Dezenas de tentativas de golpes pela internet acontecem por segundo no Brasil

O e-mail ainda é um dos meios mais utilizados pelos criminosos. Eles podem disparar centenas de milhares de e-mails de uma única vez e colher dezenas de resultados

Telma Elorza

O LONDRINENSE

Uma pesquisa, divulgada recentemente pela Serasa Experian (veja a pesquisa completa aqui), apontou que, a cada oito segundos, um brasileiro foi vítima de uma tentativa de fraude no primeiro semestre de 2021. A pesquisa, no entanto, leva em conta todos os golpes aplicados de modo geral, sem especificar as tentativas realizadas especificamente pela internet. Para o advogado especialista em Direito Digital e Crimes Cibernéticos, Fernando Peres, se fossem computadas todas as tentativas feitas pelo meio digital, seriam dezenas por segundo.

A Internet trouxe comodidade e agilidade ao cotidiano das pessoas. Hoje, pela rede, qualquer pessoa pode acessar documentos, fazer transações bancárias, comprar, vender e muito mais, com facilidade e relativa segurança. Essa mesma internet virou ponto focal do golpistas, com os mais variados tipos de golpes. “São, principalmente aquelas que tentam obter vantagens financeiras, como pagamentos, cobranças e valores das vítimas e também seus dados pessoais. Os fins acabam se tornando os mesmos, a obtenção de informações para prática de golpe. Mas os meios pelos quais os criminosos têm utilizado para obtê-las estão se tornando mais industriosos, diferentes e criativos”, diz.

Segundo o advogado, o e-mail ainda é um dos meios mais utilizados pelos criminosos. “Essa é uma prática que já acontece há muitos anos. Mas, como nós acabamos ficando dependente demais de informações que recebemos por e-mail, seja para confirmação de uma senha, informações bancárias ou de rede social, ainda temos esse veículo referência. Mas a quantidade de phishing (e-mails fraudulentos) é muito grande”, diz.

Print de um email fraudulento recebido pelo O LONDRINENSE

Peres explica que há outras práticas relacionadas, por meio do whatsapp e de mensagens de texto. “Só que isso exige uma atuação maior do golpista. Com o e-mail, não, um criminoso pode enviar 100 mil e-mails de uma vez só, ao mesmo tempo, na tentativa de conquistar algumas dezenas ou centenas. de vítimas. O número de tentativas de fraudes, portanto, pode ser maior que esta expectativa do Serasa, porque se considerarmos todos os métodos utilizados, como o disparo de e-mails em massa. Porque são enviados milhões de e-mails todos os dias, partindo do Brasil e partindo de outros países direcionados ao Brasil, essas ocorrências, na sua maioria, não são notificadas”.

Além dos e-mails e mensagens, o advogado lembra que existem diversos outros tipos de golpes que precisam ser considerados como lojas virtuais falsas, fake news onde nas mensagens encontra-se conteúdo como sites falsos, links para promoções falsos, entre outros. Ele lembra também do sequestro do Whatsapp e de redes sociais, que também estão sendo muito comuns. “Enfim, as modalidades para práticas de crimes são muitos diferentes com o mesmo fim. Por isso, temos que ter muito cuidado e duvidar sempre”, afirma.

Segundo ele, é preciso ficar mais atento ainda quando as mensagens contém informações mais particulares e dados pessoas. “Os criminosos têm obtido essas informações por meio de banco de dados, que são compartilhados gratuitamente ou até mesmo vendidos na internet. Hoje, é possível encontrar na Deep Web, o submundo da internet, banco de dados válidos inclusive contendo informações de cartão de crédito de correntistas brasileiros que podem ser comprados por algumas dezenas de dólares”, explica. Nos mega vazamentos que ocorreram ano passado, de acordo com o advogado, mais de 130 milhões de cadastro foram vendidos na internet, com nomes de familiares, de vizinhos, emprego, rendimento familiar, rendimento pessoal, entre outros. “Os criminosos possuem muitas informações, portanto é preciso verificar, antes de ir clicando em links, com a empresa que a pessoa costuma fazer negócios, pelos canais que o cliente conhece como telefone, para verificar se aquela cobrança é legítima ou não”.

Um dos crimes mais rentáveis para os golpistas, segundo o advogado, é quando entram em contato com a vítima, se passando por uma empresa e ele já passa todos os dados cadastrais. “A vítima acaba desconfiando menos pelo fato de ter tantas informações pontuais. Assim, o golpista pede algum tipo de pagamento, cobrança, oferece empréstimos consignados, por exemplo. É um golpe mais trabalhaso, mas o criminoso acaba sendo bem sucedido”, afirma.

Para se prevenir desses casos, de acordo Peres, é preciso verificar antecipadamente se seus dados foram vazados de alguma maneira e tomar providências para que eles não sejam utilizados novamente. “Trocar nossas senhas, senhas bancárias inclusive, de redes sociais, para que -mesmo que tenham sido vazados – estarmos protegidos de alguma maneira”, diz.

Para o advogado, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) criou regras de proteção para os dados pessoais, porém não garante a efetiva proteção deles. “Não é porque existe uma lei que isso garanta a proteção principalmente daqueles dados que já estão na mãos de empresas ou de criminosos”, conta. A vantagem é que a lei pune, eventualmente, se o responsável pelo vazamento for identificado. “Na verdade, é uma responsabilidade nossa, papel nosso, exigir que as empresas cuidem dos nossos dados, e mesmo que já tenhamos passado nossos dados em outras oportunidades, temos que pensar a partir de agora, com cuidado”, afirma.

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