Baratas gigantes do Cemitério São Pedro aterrorizam vizinhos

barata

Por Ana Paula Barcellos

No entorno do Cemitério São Pedro, em Londrina, as baratas tomaram conta. O cemitério, na rua Alagoas, no centro da cidade, ainda não passou por dedetização. O resultado está aí: as Periplaneta americana saem do local e invadem os prédios da região. Abundância de matéria orgânica, umidade alta e o calor constante do Norte do Paraná formam a combinação perfeita para elas crescerem graúdas, patolas, baratas marombeiras.

Depois das 19h não dá mais para deixar a janela aberta. Absurdo nesse calor que faz em Londrina, onde as noites mal refrescam. As dedetizações nos prédios não dão conta. Elas entram voando, como borboletas de filme de terror, e se espalham pelos cômodos em questão de minutos. Uma hora está tudo quieto, na outra tem barata correndo pela cozinha ou subindo pela parede do quarto.

Minha casa está cheia de iscas. E volta e meia tenho que lidar com a nojeira de encontrar baratas mortas. Só as antenas têm 8 cm. Sim, medi. Imagina o tamanho do corpo! Elas carregam sujeira de tudo quanto é canto — resto de matéria orgânica do cemitério, sabe-se lá o que mais —, com potencial para transmitir doenças e alergias respiratórias. Já fizemos inúmeros pedidos ao órgão responsável. Nada até agora. Fácil entender por quê: nenhum dos responsáveis precisa dormir de conchinha com barata gigante.

Enquanto isso, a gente aqui vive tensa e com nojo. À noite, o barulho delas batendo contra a tela da janela virou rotina. E elas não apenas voam, viu? Elas escalam a parede do prédio!

O cheiro de inseticida virou parte do ar da casa, misturado com o calor que não dá trégua. Acordar com uma delas passeando pelo travesseiro não é exagero, é ocorrência frequente.

O Cemitério São Pedro virou um criadouro de baratas, que, enormes, entram voando nos prédios, comércio e residências do entorno. Vizinhos cansaram de reclamar com as autoridades e ninguém faz nada
Fotos: Freepik

O criadouro perfeito de baratas

O pior é saber que o cemitério fica ali, logo ao lado, servindo de criadouro perfeito. Com túmulos antigos, vegetação, restos orgânicos e umidade que nunca seca direito, as baratas se reproduzem sem controle. Elas são resistentes, rápidas e capazes de voar curtas distâncias quando adultas. Saem fortalecidas, voam direto para os apartamentos e prédios próximos como se fosse território delas. A dedetização que fazem aqui nos prédios vira remédio paliativo: mata algumas, mas no dia seguinte tem mais chegando, vindas do mesmo foco.

Os moradores da região já reclamam há meses. Pedidos formais, protocolos — tudo engavetado. Enquanto isso, o dia a dia piora. Antes de dormir a gente precisa conferir cada canto, tomar banho à noite vira operação tática para não encontrar uma delas no box. As crianças e idosos da família ficam mais expostos, com risco maior de reação alérgica ou contaminação. E o calor de Londrina amplifica tudo: janela fechada significa ficar no abafado a noite inteira, mas janela aberta significa invasão garantida.

A gente continua medindo antena de barata morta, trocando isca, vedando frestas e fechando janela cedo. No calor de Londrina, isso não é vida. É só mais uma conta que a gente paga sozinha, enquanto o criadouro público segue intocado.

Ana Paula Barcellos

É graduada em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mestre em Estudos Literários, integra coletivos culturais da cidade e é agente cultural.

Sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências, e escreve também a coluna de Moda deste jornal. Siga o Instagram @yopaulab

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