Sou ignorada pelos meus colegas de trabalho

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Por Telma Elorza

“Entrei há pouco tempo numa empresa (menos de um ano) e sinto que sou apenas tolerada pelos meus colegas. Não sou chamada para nenhuma das várias happy hours que eles organizam abertamente e nem para nenhuma outra coisa. Até quando chego perto de alguma rodinha de café, tentando me enturmar, eles se separam e cortam minha integração. Não sei o que fazer, sou tímida, foco muito no meu trabalho, mas essa situação me deixa magoada.”

Afe, amiga, que coisa. Você tem certeza que trabalha numa empresa ou buscou colocação num ninho de cobras? Vamos analisa, juntas, a situação.

Bom, vamos começar pelo básico: ser ignorada dói. Dói mesmo. Magoa até o fundo da alma. Para você ter uma ideia, ainda guardo na memória quando fizeram isso comigo, lá no início do ginásio (agora Fundamental II, né?), transferida de uma escola de “pobre” para uma de “rico” (embora ambas fossem públicas). Faz mais de 50 anos e eu nunca esqueci desse período.

Então, não é frescura, não é drama, nem coisa da sua cabeça, se você esetiver pensando isso. Nós, como humanos, somos bichos sociais. Até o mais antissocial dos introvertidos gosta de sentir que pertence a algum lugar.

E quando se entra num lugar novo, tenta conhecer os colegas e a turma bloqueia suas tentativas de amizade como se você estivesse vendo seguro de vida no meio do churrasco, a sensação é horrível. É uma mistura de constragimento com humilhação e a gente sai com a cara vermelha de vergonha por 1) tentar se aproximar e 2) ser rejeitada.

Mas antes de achar que a culpa é sua, vamos tentar olhar a situação com um pouco de frieza.

Primeiro ponto para você analisar: ambientes de trabalho são cheios de “panelinhas”. Até parece recreio de colégio, mas com crachá. Gente que almoça junto, que caiu de bêbado em happy hour, que falou mal do chefe. Esse pessoal não é necessariamente maldoso. Muitas vezes é só preguiçoso socialmente. Não faz nenhum esforço para incluir quem chegou recentemente na área. Numa total falta de educação social, o pessoal considera mais fácil ficar conversando com os mesmos colegas de sempre e, às vezes, nem percebem que estão excluindo quem está fora do grupo.

Segundo ponto: por você ser tímida e muito focada no trabalho, pode estar passando uma mensagem sem querer. No mundo corporativo, que adora confundir produtividade com performance social, quem fala pouco e foca só no próprio posto de trabalho, acaba sendo percebido como distante. Não é justo, mas acontece. O pavão chama muito mais atenção que a pomba. Mas seu voo é curto, desengonçado e RUIDOSO, enquanto a pomba cruza os céus com facilidade, em silêncio. Entendeu?

Isso não significa que você tenha que mudar de personalidade. Mas pequenas atitudes ajudam. Comentar algo do trabalho para a colega ao seu lado, puxar conversa tipo pedindo sugestão de um lugar bom para almoçar, perguntar a opinião sobre um projeto. Coisas pequenas que quebram a imagem de “pessoa antissocial”.

Mas lembre-se: cuidado para não colocar sua autoestima na mão dos colegas de trabalho. Convite para happy hour não é medidor de valor humano. Na verdade, muitas vezes, é só um grupo de pessoas reclamendo da vida e fazendo fofoca, enquanto bebem cerveja. Não ser convidada pode parecer exclusão – e às vezes é, mesmo -, mas também é totalmente irrelevante. Você foi contratada para trabalhar, não para se a “mais popular” da firma.

O fato da roda se dispersar quando você chega perto também pode ter algumas explicações: às vezes, os colegas estavam falando de uma fofoca comprometedora ou de algum problema pessoal de um deles e ficaram constrangidos. Às vezes, por perceberem você tímida, abriram espaço para que você tomasse café tranquilamente. A tendência do introvertido é interpretar tudo como rejeição pessoal, mas nem sempre é.

Ainda assim, se a exclusão é constante, vale a pena prestar atenção no clima geral da empresa. Algumas têm ambientes tóxicos, funcionam como clubes privados. Quem entrou primeiro é da “turma” do chefe, por exemplo. Quem chega depois fica na periferia social. Por isso, observe bem o que está acontecendo ao seu redor antes de insistir.

Se o ambiente for realmente fechado e pouco receptivo, talvez seja melhor criar conexões pessoais com um ou dois colegas, não com o grupo todo. Em vez de forçar sua presença na rodinha inteira, converse com uma pessoa de cada vez. Convide aquele colega que você acha mais receptivo para um café rápido, com a justificativa de tirar dúvidas sobre o trabalho. Relações pessoais se constroem mais fácil e rapidamente no um a um.

Outra coisa: não confunda educação com amizade. No trabalho, o ideal é ter respeito e colaboração. Amizade é bônus. Não é preciso que colegas virem amigos inseparáveis. Aliás, muitas vezes, é melhor não viraram. Misturar as coisas pode gerar drama, fofoca e competição.

Então ajuste a sua expectativa. Você não precisa ser a amiguinha de todo o local. Só precisa ser respeitada, ouvida e valorizada profissionalmente por seus colegas e chefia. E se isso não está acontecendo – se ignoram suas ideias, a tratam com frieza excessiva ou sabotam seu trabalho – aí a coisa fica mais séria. Ambiente tóxico não se conserta com simpatia. É preciso estratégia: conversa direta, registro das situações, denúncias aos Recursos Humanos e à direção e, em último caso, buscar outro emprego.

Por enquanto, faça o básico: continue trabalhando bem, seja educada, crie pequenas conexões com alguns colegas selecionados e observe tudo muito bem.

Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

A leitora é nova na firma e está se sentindo apenas tolerada pelos colegas. Mas ela é tímida, então é preciso observar antes de julgar
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Quem é a Tia Telma

Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.

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