Por Telma Elorza
“Estou passando um momento delicado na minha vida, com a saúde prejudicada, e parece que nem minha família nem meu namorado estão se preocupando comigo. Não recebo apoio de ninguém e me sinto magoada. Já reclamei e tive que ouvir que “faço drama”. Que conselho você pode me dar para mudar essa situação?”
Ixi, amiga, que situação. Eu te entendo porque também estou passando por um momento delicado. E quer saber? Recebi mais apoio de amigos que da própria família. Portanto, posso garantir que você não está fazendo drama. Está fazendo um pedido de socorro e isso muda tudo.
Quando a saúde balança, o mundo deveria desacelerar junto. Mas, às vezes, acontece o oposto: quem está ao redor segue como se nada estivesse acontecendo, e você ainda ganha o rótulo de “dramática”. Isso dói. Dói porque, além da fragilidade física, vem a sensação de abandono emocional. E ninguém sai ileso disso.
Vamos ser claros e justos: pessoas que te amam não devderiam minimizar sua dor. Elas podem até não saber lidar com a situação, podem errar na forma, mas quando alguém reduz seu sofrimento a “drama”, o problema não é sua sensibilidade, é a falta de empatia do outro.
Dito isso, vem a parte firme do conselho: você não pode esperar que as pessoas mudem sozinhas, nem continuar aceitando migalhas emocionais só porque está vulnerável.
Não faça “drama”, cobre atitutes
Primeiro passo: pare de explicar sua dor. Quem quer entender, entende. Ficar se justificando só reforça a ideia errada de que você precisa provar (e dramatizar) que está mal. Não precisa. Sua condição de saúde já é motivo suficiente para cuidado e respeito.
Segundo: mude a forma da conversa. Reclamar repetidamente, infelizmente, costuma gerar defesa, não ação. Em vez de “ninguém liga para mim”, seja objetiva e direta: “Eu estou doente e preciso de apoio concreto. Preciso de tal, tal e tal coisa. Você consegue me oferecer isso?” Pode parecer duro, mas é adulto. E revelador. Porque a resposta vai mostrar quem realmente está disposto a estar ao seu lado.
Terceiro: observe atitudes, não discursos. Família e namorado podem dizer que se importam, mas cuidado não é sentimento abstrato, é ação. É perguntar como você está, é ajudar, é adaptar rotinas, é ter paciência. Se isso não acontece, encare os fatos sem romantizar. Isso não significa romper tudo agora, mas significa parar de se iludir.
Quarto: não transforme sua dor em silêncio para “não incomodar”. Mulheres fazem isso o tempo todo e pagam caro. Se você engole tudo para manter a paz, a conta chega em forma de ressentimento, piora emocional e até física. Silêncio não é maturidade quando ele adoece ainda mais.
Quinto – e talvez o mais importante: busque apoio fora desse círculo. Um amigo confiável, um grupo, terapia, atendimento psicológico ou até comunidades de apoio relacionadas à sua condição de saúde. Apoio não vem só de onde a gente espera. E, às vezes, insistir em quem não entrega é o que mais machuca.
Sobre o namorado, um alerta honesto: parceria se revela na crise. Se, num momento delicado, ele te acusa de drama em vez de cuidado, isso precisa ser revisto com seriedade. Amor não resolve tudo, mas respeito e empatia são inegociáveis.
Você não precisa endurecer o coração, mas precisa fortalecer os limites. Ser empática consigo mesma agora é parar de se cobrar força enquanto os outros se eximem de responsabilidade emocional.
Você merece cuidado. Não como favor. Como direito. E se esse cuidado não vem, a mudança começa em você: ajustando expectativas, exigindo respeito e escolhendo onde -e em quem – vale a pena investir sua energia enquanto se recupera.
Isso não é egoísmo. É sobrevivência emocional.
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma
Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.
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