Estudo do EBANX aponta que, além do PIX brasileiro, outras tendências de pagamento estão crescendo em locais como Índia e países africano
O LONDRINE̅NSE com assessoria
O Pix mudou a dinâmica do e-commerce internacional B2B (business-to-business) no Brasil. A evolução da plataforma, com novas funcionalidades integradas, permite que pequenos negócios acessem esse mercado. Hoje, oito em cada dez companhias que usam Pix via EBANX para comprar produtos e serviços pela internet de fornecedores globais são microempresas ou microempreendedores individuais (MEIs). A maior parte delas, 84%, utiliza o sistema de pagamento instantâneo para adquirir softwares, abrindo um mercado completamente novo para as empresas de SaaS (software como serviço).
A descoberta faz parte da nova edição da Beyond Borders, estudo anual do EBANX sobre tendências no mercado digital e na indústria de pagamentos em economias emergentes. O relatório oferece uma análise aprofundada sobre tendências de pagamento na América Latina, África, Sudeste Asiático e Índia, com dados e perspectivas de especialistas sobre métodos de pagamento alternativos (APMs, na sigla em inglês), cartões, comportamento de compra, e-commerce B2B, stablecoins e o surgimento de agentes de inteligência artificial (IA) como compradores pessoais autônomos.
“Nosso estudo mostra que a indústria global de pagamentos está passando por uma transformação estrutural, liderada pelos mercados emergentes”, afirma Eduardo de Abreu, Chief Product Officer (CPO) do EBANX. “Para atender às demandas dos mercados digitais que mais crescem no mundo, essas regiões transformaram desafios locais complexos em modelos de referência para o futuro, criando formas mais rápidas e inclusivas de pagar e alterando a dinâmica competitiva mundial”.
O estudo também revelou o perfil das empresas brasileiras que compram no e-commerce global com Pix: 31% desses negócios são do setor de comércio, seguido pelo segmento de serviços, com 23% do total, de acordo com dados internos do EBANX publicados na Beyond Borders. “Já constatamos a importância do Pix para a inclusão financeira e digital de consumidores brasileiros e, agora, estamos testemunhando a inclusão de pequenos empreendedores do país”, diz Abreu, acrescentando que duas vezes mais microempresas usam Pix para compras internacionais em comparação com médias e grandes companhias.
Inovações do Pix
Entre as inovações exploradas pelos pequenos negócios está o Pix Automático, que habilitou pagamentos instantâneos recorrentes. Em operação desde junho do ano passado, a funcionalidade vem crescendo a uma taxa de 41% ao mês, segundo dados internos da EBANX, impulsionada não apenas pelas microempresas, mas também pelos cerca de 60 milhões de brasileiros sem cartão de crédito que agora podem acessar serviços como plataformas de streaming de vídeo e áudio.
Essas evoluções e a adoção cada vez maior do Pix por empresas fizeram com que o sistema se tornasse o método de pagamento mais utilizado no e-commerce no país em 2025, encerrando o longo domínio dos cartões de crédito. No ano passado, 42% do valor total de compras on-line no país foram pagos com Pix, enquanto os cartões representaram 41%. O novo líder deve continuar acelerando a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 18% até 2028, quando responderá por 50% das transações no comércio digital, contra 36% dos cartões — uma diferença de 14 pontos percentuais.
“Esse crescimento reforça que alta adoção não significa saturação. Mesmo já sendo usado por 95% da população adulta do Brasil, o Pix desbloqueia novas demandas a cada nova funcionalidade lançada”, explica Abreu. “E essa lógica agora se estende às companhias, particularmente pequenas e médias empresas, que estão adotando cada vez mais o Pix e reduzindo sua dependência de cartões corporativos para compras B2B”.
A mesma dinâmica também vem sendo observada em outros mercados emergentes. Na Índia, segundo dados do EBANX na Beyond Borders, uma grande empresa internacional de SaaS atraiu mais de 4 mil novos clientes por dia nos três primeiros meses depois que passou a oferecer o UPI Autopay, a funcionalidade recorrente do sistema instantâneo indiano, como forma de pagamento. APMs como as carteiras digitais GCash (Filipinas), Mercado Pago (América Latina), Yape (Peru) e OPay (Nigéria) e as plataformas de pagamentos on-line Capitec Pay (África do Sul) e Nequi (Colômbia) também estão expandindo seus ecossistemas e registrando crescente adoção em regiões emergentes.
Um novo mundo para os cartões e uma novidade na Índia
O avanço dos APMs provocou uma transformação estrutural na indústria de pagamentos nos mercados emergentes. Em vez de desaparecerem, os cartões estão se tornando instrumentos mais especializados dentro de um ecossistema de pagamentos mais amplo, focados em compras de maior valor. “É menos sobre substituição e mais sobre convergência”, enfatiza o CPO do EBANX.
“À medida que os APMs elevam o padrão ao reduzir fricção no checkout e otimizar fluxos de pagamento, as bandeiras locais de cartões respondem combinando a tradicional oferta de crédito com pagamentos instantâneos, carteiras digitais e infraestrutura doméstica. Elas estão tirando proveito do conhecimento profundo que já possuem sobre o comportamento do consumidor local para escalar mais rápido que as redes globais”, explica o CPO.
Na Índia, onde os APMs respondem por 75% do volume do e-commerce, o domínio dos pagamentos instantâneos não eliminou os cartões de crédito; pelo contrário, impulsionou a adoção deles. Ao vincular cartões diretamente ao UPI, o país criou um modelo híbrido que permite aos usuários usar limites de crédito para transações em tempo real.
Como resultado, os cartões de crédito locais se tornaram o meio de pagamento que mais cresce no comércio digital da Índia: CAGR de 23% até 2028, superando UPI (15%) e cartões internacionais (6%), segundo dados da PCMI apresentados na Beyond Borders. A RuPay, principal rede doméstica de pagamentos por cartão do país, detém 33% do mercado indiano de cartões, à frente da Mastercard (20%) e American Express (4%), e atrás apenas da Visa, com 43%.
A estratégia dos cartões na América Latina e África: parcelamento e débito
O crédito também está impulsionando a adoção de cartões na América Latina. Em países como México, Chile e Peru, eles seguem como a espinha dorsal do e-commerce, respondendo por mais de 60% das transações on-line, segundo dados da PCMI. O principal diferencial é a cultura de parcelamento da região, que eleva o valor médio das compras em até 2,7 vezes, de acordo com novos dados internos do EBANX revelados na Beyond Borders.
Na Nigéria e no Egito, a expansão dos cartões é puxada pelo débito, cuja penetração aumentou mais de 10 pontos percentuais entre 2021 e 2024, segundo o Global Findex, banco de dados do Banco Mundial. Assim como na Índia, esse crescimento é potencializado pelo avanço das bandeiras locais, que usam seu profundo conhecimento doméstico para oferecer soluções sob medida, como o processamento confiável de transações de valor muito baixo e suporte a múltiplos caminhos de reembolso. A principal bandeira local da Nigéria, a Verve, já emitiu 100 milhões de cartões em um país com 232 milhões de habitantes.
“O que determina o sucesso de meios de pagamento em mercados emergentes é o quanto cada sistema entende a realidade local”, explica Abreu. “Os players locais estão se destacando porque são desenvolvidos alinhados a hábitos de consumo, marcos regulatórios e limitações técnicas de cada região. Seja um sistema de pagamento instantâneo, uma carteira digital ou um cartão, a escala vem da inteligência local, não da padronização global”.
Stablecoins e agentes de IA como a próxima evolução dos pagamentos digitais

A Beyond Borders também destaca como os mercados emergentes estão explorando o valor das criptomoedas para o comércio do mundo real por meio das stablecoins. Elas são usadas para preservar valor, movimentar recursos de forma eficiente e viabilizar transações internacionais em economias que enfrentam inflação, controles cambiais ou altos custos bancários.
Dados da Triple A analisados no estudo do EBANX mostram que mais de 15% das populações do Brasil, da Argentina, da Tailândia e do Vietnã já possuem moedas digitais, percentual que chega a 20% na Turquia. Na Argentina, quase 90% das compras de cripto são feitas com stablecoins atreladas ao dólar.
Outra tendência analisada na Beyond Borders é o comércio de agentes de IA, em que a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de descoberta para se tornar uma compradora autônoma. Nesse modelo, a IA compara preços, seleciona lojas e executa transações de ponta a ponta, muitas vezes sem que o usuário visite os sites dos vendedores. A qualidade dos prompts e o entendimento do contexto de cada consumidor se tornam fatores decisivos de conversão. A competição, então, passa a girar em torno de preço, disponibilidade, confiabilidade e confiança.
A McKinsey aponta que 20% dos consumidores se sentiriam confortáveis em deixar agentes realizarem compras em seu nome, enquanto a Deloitte projeta que até 30% do valor global do e-commerce pode ser influenciado por essa tecnologia até 2030.
“As stablecoins e o comércio de agentes de IA podem parecer tendências separadas, mas apontam para a mesma direção: os pagamentos estão se tornando mais programáveis, mais automatizados e menos dependentes de modelos estabelecidos no passado. Assim como os APMs, ambas estão resolvendo problemas que os métodos tradicionais não conseguem. E, mais uma vez, os mercados emergentes estão em posição privilegiada para liderar essa adoção e influenciar como essas tecnologias vão evoluir”, afirma Eduardo de Abreu.
Foto principal: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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