Zootopia 2: humor, ação e vulnerabilidade

Disney-Zootopia-2

Por Marcelo Minka

Conviver com as diferenças sempre foi o maior desafio do ser humano, e talvez por isso Zootopia tenha conquistado tanta gente anos atrás. Neste fim de semana, chegou aos cinemas Zootopia 2, retomando essa metáfora poderosa sobre como espécies, temperamentos e mundos distintos tentam coexistir no mesmo espaço. A animação volta a acompanhar a coelha policial Judy Hopps, voz original de Ginnifer Goodwin (Ele Não Está Tão a Fim de Você, 2009), e a raposa veterana das ruas Nick Wilde, voz de Jason Bateman (Quero Matar Meu Chefe, 2011), cuja parceria improvável sempre funcionou como espelho para as nossas próprias contradições sociais.

A trama fundamentalde Zootopia 2 põe à prova o vínculo entre Judy e Nick: a chegada de um estranho réptil, Gary De Snake, dublado por Ke Huy Quan (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, 2022), mergulha a cidade em turbulência, exigindo da dupla um mergulho em zonas da cidade nunca antes vistas, como pântanos, desertos e becos carregados de segredos, e uma infiltração policial que testará lealdade, confiança e a própria identidade de Zootopia.

Visualmente o filme exibe uma evolução notável. A paleta de Zootopia ganhou contornos mais densos, as texturas e iluminação refletem o cuidado técnico da Disney, e a cidade se expande, abrindo caminho para novos cenários, novos tipos de animais e uma ambiência urbana mais complexa. Mas o que realmente sustenta o filme é o contraste entre humor, ação e momentos de vulnerabilidade. A amizade entre os protagonistas permanece o motor emocional da narrativa, agora tingida por crises de confiança e dilemas de convívio, como a disputa entre tradição e mudança, medo do diferente e preconceito velado, temas trabalhados com leveza, mas com verve.

Zootopia 2 chega aos cinemas com uma aventura tensamente divertidada, em ritmo ágil e funciona como um espelho da sociedade
Fotos: Divulgação

Zootopia 2: tensamente divertido

Zootopia 2 não busca e nem sempre alcança o impacto revolucionário do original de 2016, aquele que misturava fábula social e fôlego de desenho adulto. Em vez disso entrega uma aventura tensamente divertida, com ritmo ágil, reviravoltas apropriadas e espírito de buddy movie, às vezes arredondado demais pelas conveniências do gênero. Há sequência de humor, referências pop e personagens coadjuvantes que arrancam risadas garantidas.

Para o público de Londrina, que convive com contrastes de modernidade e tradição, diversidade e intimidade, Zootopia 2 pode funcionar como espelho suave. A animação lembra que conviver com o diferente é exercício de paciência, empatia e abertura. Levar a família para ver o filme hoje é acolher a esperança de que, mesmo em mundos tão distintos, ainda há espaço para justiça, amizade e reconciliação. Um bom filme natalino-contemporâneo para começar a fechar o ano com leveza.

Marcelo Minka

Mestre em Antropologia Visual (UEL), dá forma à linguagem estética da Angatu Joias, unindo arte, forma e símbolo em criações que revelam a poética entre design e significado. Artista visual e pesquisador, transita entre o pensamento e o fazer, inspirado pelas viagens, pelos sabores, pela natureza e pelas culturas que encontra pelo Brasil e pelo mundo. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka 

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