Por Pati Palmieri Marconi
Quem nunca ouviu aquela velha piadinha: “Se for pra morrer de batida, que seja de limão”?
Tenho memórias de infância muito claras: nos casamentos a que eu ia com minha mãe, sempre havia aquele garçom elegante que se aproximava perguntando: “A senhora aceita uma batidinha?”
Ou então as clássicas jarras de vidro alinhadas logo na entrada da recepção, com uma fila colorida de sabores para abrir a festa. Alguns dizem que, se não tiver batidinha no casamento, o casamento não dura dois anos. Verdade ou mito? Melhor não arriscar…
Brincadeiras à parte, a batidinha ocupa um lugar especial na história da coquetelaria brasileira.
Não se sabe exatamente quem foi o “pai” da receita, mas a “mãe” certamente foi a “Moça”. Depois do sucesso da Caipirinha e do Rabo de Galo, o próximo passo natural da evolução da nossa coquetelaria foi a união do leite condensado com a cachaça, um encontro improvável que virou tradição.
Já nos anos 1960 essa mistura era bastante conhecida. Em 1963, abriu em São Paulo, no Itaim, o icônico bar “O Mestre das Batidas”, que funciona até hoje. No auge da febre, o balcão era praticamente tomado por um batalhão de liquidificadores trabalhando sem parar para atender a demanda.
Na década de 1970, aqui em Londrina, outro nome se destacou: o famoso “Baiano – O Rei da Batida”. Fundado por Antonio Kanashiro, paulista de ascendência japonesa carinhosamente apelidado de “Baiano”, o bar tornou-se um dos mais icônicos da cidade. As batidas de coco, morango e vinho eram praticamente obrigatórias para quem queria viver a experiência completa.
Foi também nos anos 1970, com a popularização dos liquidificadores nas casas brasileiras, que a marca “Moça” passou a patrocinar campeonatos de batidas pelo país. Desses concursos provavelmente nasceram clássicos como a Batida Espanhola e a Batida Capeta, entre tantas outras variações criativas.
A batidinha repaginada
Hoje, a batidinha ressurge com nova roupagem: menos doce, mais equilibrada, com ingredientes frescos, técnicas modernas e apresentação refinada. Sai a jarra de vidro, entra a taça bem executada. Sai o excesso de açúcar, entra a harmonização consciente.
O que antes era apenas tradição popular, agora ganha status de coquetel autoral, carregando memória afetiva, identidade brasileira e potencial gastronômico.
E talvez esteja aí o grande diferencial: revisitar o passado com técnica, respeito e sofisticação.
Essa pérola da coquetelaria brasileira ganha protagonismo no novo cardápio do Mestizzo Bar. Revisitamos batidinhas clássicas e criamos novas interpretações para recolocar a batidinha no lugar que ela merece: no centro da nossa coquetelaria autoral.
Receita de batidinha de banana com caramelo

- 50ml de cachaça ARAZ de banana com caramelo
- 30ml de leite condensado
- 5 pedras de gelo
Bater tudo na coqueteleira e servir em um copo baixo. Decorar com crispe de banana e canela e saúde!
Pati Palmieri Marconi

Conversa fiada, um bom drink e um tira gosto, me chama que eu vou. Ahhh, mas também amo esportes de todas as formas. Sou mãe de menino e adoro fazer eles passarem vergonha na porta da escola kkkk.
Escrevo essa coluna assistindo ao US Open, um olho em cada tela e na mão um espumante Rose e já pensando no próximo cardápio de drinks do Mestizzo.
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