Por Ana Paula Barcellos
Esta semana, o 10 de Espadas chega como um vento frio, trazendo a energia de um ciclo que atinge seu ponto mais baixo, aquele instante em que não há mais como cair mais fundo. A imagem clássica da carta — um corpo atravessado por dez espadas nas costas, deitado em um chão escuro enquanto o céu começa a clarear ao fundo — resume bem o que está no ar: o fim doloroso de algo que já não sustentava vida, a traição (de outros ou de nós mesmos ao insistir no que não funciona mais), a sensação de derrota absoluta ou de colapso emocional/mental. É o “chega” que a alma exausta finalmente anuncia, mesmo que venha acompanhado de um aperto no peito.
Nas energias coletivas do 10 de Espadas, espera-se que situações cheguem ao limite inevitável. Pode ser o término definitivo de um relacionamento que já vinha se arrastando em sofrimento, o reconhecimento de que um projeto, emprego ou plano simplesmente não vai se recuperar ou uma crise pessoal que obriga a encarar verdades duras. Há um peso de decepção, talvez sensação de traição ou de ter sido “apuñalado pelas costas”, seja por alguém próximo, por circunstâncias ou pela própria teimosia em não soltar. O mental pode ficar sobrecarregado, com pensamentos obsessivos, culpa ou um cansaço que parece esgotar todas as forças.
A sabedoria do 10 de Espadas
No entanto, o 10 de Espadas carrega uma sabedoria cruel e libertadora ao mesmo tempo: quando se toca o fundo do poço, o único caminho possível é para cima. O pior já aconteceu. As lâminas não podem ferir mais do que já feriram. O amanhecer que aparece na carta não é ilusão — ele sinaliza que, depois do colapso, vem o silêncio que permite ouvir a si mesmo de novo. Essa semana pede aceitação radical: parar de lutar contra o inevitável, deixar de insistir no que já morreu, permitir que o luto aconteça sem tentar maquiar a dor. É tempo de reconhecer o que não volta mais, de retirar as espadas uma a uma (mesmo que doa), e de começar a respirar sem o quentinho das ilusões.

Para quem estiver atravessando esse momento, a orientação é ser gentil consigo mesmo: chore o que precisa ser chorado, descanse o corpo exausto, peça ajuda se o peso estiver grande demais. Não tente apressar a recuperação — ela virá naturalmente quando o apego ao que acabou for solto. Há uma promessa sutil aqui de renascimento: o que se encerra de forma tão dramática abre espaço para algo mais alinhado, mais leve, mais verdadeiro. Depois da noite mais escura, o dia que nasce é novo de verdade.
Que essa semana, apesar da intensidade, seja o portal para uma libertação real. O 10 de Espadas não vem para destruir — vem para encerrar o que já estava destruído, para que você possa, finalmente, se levantar sem carregar o que não era mais seu para carregar. Cuide-se com muito carinho nesses dias. Boa semana e boa sorte!
Foto principal: Freepik
Ana Paula Barcellos

Sou graduada em História pela UEL, Mestre em Estudos Literários, integro coletivos culturais da cidade e sou agente cultural. Sacoleira e brecholenta, trabalho com criação de joias artesanais e atendo tarot e baralho cigano desde 2016. Também estudo astrologia desde 2018 e estou me formando em Astrologia tradicional na escola Saturnália. Escrevo as colunas Moda e Crônicas de uma Cidade. Siga o meu Instagram @yopaulab
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