Por André Luiz Lima
Na arte dos encontros, a gente nunca esteve tão conectado.
E, ainda assim, tem dias em que a solidão faz eco dentro da gente.
Vivemos cercados de contatos… mas com poucos encontros de verdade.
Não é a falta de mensagens.
Não é a ausência de convites.
É outra coisa.
É a falta de um lugar onde a gente possa ser… sem ajuste, sem filtro, sem esforço.
A verdade é que nos cansamos de encontros onde precisamos caber.
Cansamos de encontros rasos, rápidos, automáticos.
Cansamos de medir palavras, de sustentar versões, de performar interesse enquanto o coração pede verdade.
E talvez seja por isso que a solidão de hoje seja diferente.
Ela não vem da falta de pessoas.
Ela vem da ausência de presença nos encontros.
Mas algo está mudando.
Silenciosamente.
Tem gente que já não quer mais impressionar.
Tem gente que quer sentir.
Que quer olhar no olho e reconhecer algo vivo ali.
E é aqui que tudo muda.
Porque o luxo… mudou.
Luxo hoje são encontros reais

Luxo, hoje, não é onde você está.
É com quem você pode viver um encontro real.
Luxo é não precisar ser interessante o tempo todo.
É poder respirar sem medo de não ser aceito.
É ser escutado sem precisar se explicar.
Luxo é ser você — e ainda assim, alguém ficar.
E quando isso acontece… algo se abre.
Não é só um encontro.
É um espaço.
Um espaço onde a palavra não precisa ser perfeita.
Onde o silêncio não é desconforto.
Onde o corpo relaxa, porque não está mais se protegendo.
Talvez seja por isso que estamos sendo chamados a reaprender a nos encontrar.
A criar novos encontros.
Encontros com presença.
Encontros com verdade.
Não para cumprir expectativa.
Mas para viver presença.
Não para impressionar.
Mas para expressar.
Porque quando alguém se expressa de verdade… ele dá permissão para o mundo existir junto.

E existe uma alegria nisso.
Uma alegria simples.
Quase infantil.
A alegria de não precisar ser outro.
A alegria de ser recebido.
A alegria de, finalmente, caber sendo quem se é.
No fim…
Talvez não estejamos mais buscando encontros vazios.
Estamos buscando encontros onde a alma possa descansar.
E quando encontramos… a gente sabe.
O corpo sabe.
O olhar muda.
O tempo desacelera.
E, por um instante raro e precioso… a solidão já não mora ali.
E talvez… isso seja o verdadeiro luxo do nosso tempo.
Encontros em Ouro Preto
Semana passada, vivi um desses encontros.
Voltei de uma viagem a Ouro Preto, onde conduzi e também fui atravessado por um processo de expressão em território.
E foi tão especial que, de alguma forma, me encontrei ainda mais dentro do meu próprio caminho.
Voltei com a alma mais feliz.
Mais simples.
Mais presente.
Porque quando o encontro é real… ele não termina quando acaba.
Ele continua dentro da gente.

Eu acredito em encontros que despertam.
Em espaços onde a gente não precisa se defender para existir.
Onde a arte entra não como performance… mas como caminho.
Acredito na palavra como ponte.
No silêncio como presença.
E na expressão como travessia.
Porque quando alguém se permite ser… algo ao redor também se transforma.
É por isso que eu crio encontros.
Não para ensinar respostas.
Mas para abrir espaço.
Espaço para sentir.
Para respirar.
Para se organizar por dentro.
Para atravessar.
Faço isso através da arte.
E também através da alegria — porque leveza não é superficialidade, é abertura.
E quando isso acontece em grupo… os encontros ganham força.
Ganham sentido.
Ganham vida.
Isso é o que eu chamo de Poder da Expressão.
Um espaço onde os encontros acontecem de verdade.
Onde o encontro com o outro começa no encontro consigo mesmo.
E talvez… seja disso que a gente mais precisa agora:
menos conexões automáticas
e mais encontros de verdade.
Viva a arte dos encontros
Viva a Vida, André!
André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante e produtor cultural.
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