Tubarão Fiel – Castigo para a soberba

Luquinha em jogo treino. Foto: Gustavo Oliveira/LEC

A dramática classificação do Londrina para a terceira fase da Copa do Brasil mostrou como a soberba e a falta de humildade castigam no futebol. Jogadores do Paraná Clube provaram desse veneno no jogo de terça-feira (19) no Estádio do Café.

Explico: uma semana antes, os dois times se enfrentaram no mesmo palco do jogo pelo Campeonato Paranaense e os paranistas venceram por 2 a 1, pondo fim a um longo de jejum de vitórias (16 anos) diante do LEC em jogos disputados em Londrina.

Na terça, após saírem vencedores no primeiro tempo, os paranistas optaram por apenas se defender e também abusaram do antijogo – como retardar cobranças de laterais e faltas e simular contusões.

Na cobrança de pênaltis, comemoraram a vitória quando Rômulo errou uma das cobranças do LEC, esquecendo-se que o Paraná ainda precisava confirmar a sua cobrança. No fim, quem festejou mesmo foram os londrinenses.

O Paraná já se achava dono da vaga até que o técnico Alemão tirou uma carta da manga fazendo entrar o meia Luquinha, 18 anos. O jogador já havia se destacado pelo LEC na Copa São Paulo Sub-19 marcando 4 gols.

Luquinha deu mais ritmo ao meio-campo e foi decisivo no gol de empate aos 48 minutos do segundo tempo. Sofreu a falta na entrada da área e, logo em seguida, pegou a bola como se dissesse: “Deixa comigo”. E que personalidade o garoto mostrou.

Colocou a bola com maestria no ângulo do gol defendido por Thiago Rodrigues, levando a decisão para os pênaltis. Com pinta de veterano, Luquinha foi uns dos cobradores  na vitória por 5 a 4 que rendeu aos cofres do Tubarão a cifra de R$ 1,450 milhão. Vale lembrar que o LEC já faturou na Copa do Brasil R$ 2,6 milhões e, caso passe por Tombense-MG ou Botafogo-PB, vai abocanhar mais R$ 1,9 milhão.

Mesmo com um time jovem e inexperiente, o Londrina vai obtendo um lucro extra já que patrocinadores importantes como Caixa e Madero, entre outros, não renovaram contratos para a temporada 2019. Espero que o jovem time do LEC continue mostrando o mesmo empenho e determinação e, quem sabe, faça história na segunda mais importante competição nacional entre clubes.

BARBATANA

Destaco o meia Luquinha, 18 anos. O garoto oriundo de Primeiro de Maio já encantava nos jogos do time sub-19 pela Copa São Paulo. Agora, vai aproveitando as oportunidades dadas pelo técnico Alemão no time profissional. Além da boa técnica, Luquinha parece saber a importância de manter a humildade – o tal pés no chão – para vencer no futebol. É preciso cuidado com essa joia alviceleste.

MANDÍBULA

Incrível o descaso de grande parte da torcida do Tubarão para com o time neste início de temporada. No Estadual, o maior público foi de ridículos 1,3 mil torcedores. Diante do Paraná pela Copa do Brasil só 1,6 mil pessoas (1,4 mil pagantes). Como fazer futebol sem público? Como investir mais no elenco se a resposta é o vazio nas arquibancadas? Se o gestor Sérgio Malucelli mantiver a palavra de que Dagoberto só joga a Série B caso o clube alcance os 5 mil sócios torcedores – até agora são apenas 1,2 mil sócios -, o Tubarão ficará sem o seu artilheiro na temporada 2019.

Claudemir Scalone

Sou jornalista formado pela UEL (1987/1990) e apaixonado por Londrina e pelo Londrina Esporte Clube. Já trabalhei no Correio Londrinense (1992/1994) e na Folha Londrina, onde fui revisor, repórter, redator e editor (1990/1992 e 1994/2018). Meus lugares preferidos são o Zerão e o Lago Igapó onde faço caminhadas e fotos desse cartão postal de Londrina. E, claro, o Estádio do Café é outro lugar favorito, pois lá é a casa do Tubarão. Como todo torcedor do LEC, sonho em ver o time voltar à Série A do Brasileirão, porém, antes disso espero que o clube se reestruture a ponto de não precisar terceirizar seu departamento de futebol.

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