Ortodontia se alia à psicologia para procedimentos de mudança da face

queixo

Tratamento “casado” colabora na aceitação do novo rosto e na forma como paciente vai lidar com a autoimagem e aceitação

Douglas Lopes

Especial para O LONDRINENSE

Um queixo muito avantajado ou, o contrário, muito recluso, é comumente motivo para interferir na autoestima de quem possui alguma dessas características. A boa notícia é que esta aparência pode ser corrigida por meio de um procedimento cirúrgico conhecido como ortognática. No entanto, escondido por trás da parte estética, está o fator psicológico de como o paciente que passa por esse procedimento vai reagir à nova aparência e às etapas deste processo. Pensando nisso, o ortodontista Miguel Ocanha aliou-se à psicóloga Alexandra Leite para criar um protocolo de atendimento do paciente como já ocorre naturalmente hoje nos casos de cirurgia bariátrica, aliando, neste caso, o tratamento ortodôntico ao psicológico.

O culto ao belo faz parte da história humana desde a antiguidade e a correção do que é julgado imperfeito também antecede, e muito, às atuais gerações, desde 4 mil anos antes de Cristo, segundo historiadores. Os primeiros registros de criação de um padrão de beleza que se tem notícia vêm da cultura grega, de onde surgiu o termo “estética”, cujo significado é compreensão pelos sentidos.

Ortodontista Miguel Ocanha (Foto: Acervo Pessoal)

Subjetivo, os padrões estéticos passaram por transformações ao longo da história, sendo influenciados pelo contexto social, cultural e econômico de cada época. Hoje, com a era digital, o culto ao belo atingiu um patamar global e, com a ajuda da tecnologia, tornaram-se possíveis transformações no corpo mais complexas que antes se limitavam apenas ao imaginário popular. “Quando comecei a realizar procedimentos de ortognática, a busca principal dos pacientes era pela função dentária e mastigatória, normalmente indicados por outros profissionais da área odontológica. Hoje, eu tenho observado que a busca principal é realmente pela preocupação com a harmonização da face”, reporta Ocanha.

O especialista salienta que “em alguns casos, precisamos alterar drasticamente a mordida do paciente durante a preparação pré-operatória para conseguir os objetivos faciais após a cirurgia. Nessa situação, em termos mais simples, é necessário ‘piorar’ e acentuar o problema estético para então o paciente estar pronto para a cirurgia”.

Segundo o ortodontista, aí entra o primeiro ponto da necessidade do tratamento ortodôntico aliado ao psicológico. “O paciente tem que estar ciente dessa ‘piora’ e resguardado emocionalmente durante esse período, que pode durar alguns meses”. Alexandra complementa que “aliar o tratamento psicológico com o tratamento ortognático pode estimular o autocuidado, o entendimento da motivação para a cirurgia, a adesão ao tratamento e orientações, avaliando o novo estilo de vida, com promoção da saúde e prevenção de agravos”.

O segundo ponto é a expectativa com o resultado e a imagem que o paciente constrói de si sobre o padrão ideal de face. “Nessa fase é importante que nós, profissionais da odontologia, usemos de todos os recursos de tecnologia – tomografias computadorizadas, scanneamento facial com simulação, modelos 3D – para assim criar essa imagem simulada de como vai ficar o resultado final da cirurgia, para que o paciente tenha ao que se apegar durante todo o processo. Mesmo com tudo isso, observamos que os pacientes precisam de apoio psicológico nesse período de ‘casulo’, antes do resultado final”, reforça Ocanha.

“O que mais percebo conversando com esses pacientes é a ansiedade de começar o tratamento e a animação pode diminuir um pouco na preparação cirúrgica ou no pós-operatório. Mas tudo isso é feito para que a cirurgia aponte ótimos resultados. Vale a pena passar por esse processo e aguardar o resultado final”, orienta.

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