Estão produzindo um filme sobre Space Invaders (?!) Meu Deus, o que falta para esse povo?

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Pouco tempo depois da quebra do mercado de games nos EUA, cujo símbolo maior é o fracasso retumbante do jogo “E.T. The Extraterrestrial” para o Atari (essa história é tão maravilhosa que merece um post próprio), alguém teve a brilhante ideia de fazer um filme baseado nos jogos eletrônicos. O escolhido não poderia ser outro: Mario, o encanador. Afinal, a Nintendo havia se infiltrado devagarinho nos lares americanos e trazido os videogames de volta às salas de estar. O resultado? Um filme tão ruim, mas tão ruim que eu me recuso a comentar. Uma procurada rápida e você encontra de graça até no YouTube

Pouco tempo depois vieram outras adaptações, como a também infame versão de Street Fighter com Van Damme como Guile e Raul Julia como Bison. Nem só de filmes merda vive esse filão do cinema, como Rampage e Detetive Pikachu nos mostraram. Mas é fato que é muito difícil fazer essa tarefa de levar a história de uma plataforma para outra. Nós falamos aqui no blog sobre o lançamento do filme live-action do Sonic. A aparência bizarra do protagonista gerou reações terríveis entre os fãs, e o filme foi adiado para 2020.

Só que nesses exemplos, ainda havia – mesmo que forçadamente – alguma espécie de história a ser contada. Boa história? Nem sempre. Mas pelo menos tinham alguma coisa. Agora, quando um nome grande da indústria do cinema como a New Line aparece com a notícia de que estão produzindo um filme baseado em Space Invaders , aí é de desanimar.

Space Invaders foi um sucesso. Você não tem ideia do tamanho desse sucesso – entre as lendas urbanas consta uma que fala sobre a escassez de moedas de 100 ienes no Japão logo após o lançamento do jogo nos arcades. A ideia de fazer um jogo de tiro já vinha sendo cultivada na cabeça de Tomohiro Nishikado, da Taito. Em 1977, um fato inusitado inverteu toda a lógica de produção do game, que seria baseado em um avião atirando contra pessoas.

O tal do fato foi o lançamento de Star Wars nos cinemas. O pessoal abraçou de tal forma a ideia de combates no espaço que bastou para mudar um pouquinho a estrutura do jogo e pronto. Ondas de alienígenas cambaleantes desciam impassivelmente pela tela numa velocidade que aumentava à medida em que a quantidade de naves abatidas aumentava. A sensação de urgência proporcionada pela “trilha sonora” de bips acelerados ainda hoje me deixa nervoso.

Mas o jogo é isso. E só isso. Quando uma tela de naves acaba, surge outra. E depois outra. E mais outra. Até o jogador ficar com câimbras na mão. Não tem história. Não tem argumento. As naves já apareceram em outras produções de cinema, como no filme Pixels  – e no curta que deu origem ao longa metragem. Mas ali era mais uma piada do que qualquer outra coisa.

O roteirista Greg Russo, responsável por escrever o reboot de Mortal Kombat para as telonas, foi o escolhido para a tarefa. O que ele vai fazer para transformar Space Invaders em um filme ainda é um mistério. Duvido que seja alguma coisa memorável ou mesmo boa – se ficar melhor que esse curta aqui já é uma vitória. Não deve escapar muito dos muitos filmes já feitos sobre esse tema, de Guerra dos Mundos a Independence Day. Esperemos. Até porque depois que Batalha Naval virou filme, não dá para duvidar de mais nada…

Quer conhecer uma história boa e emocionante sobre Space Invaders? Te mostro aqui, sob os traços do desenhista Ehud Lavski:

Fotos: Divulgação

Fábio Calsavara

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É jornalista e gamer raiz. Do tempo em que criança jogava fliperama em boteco de rodoviária.

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