Por Chantal Manoncourt
O oceano cobre três quartos da superfície do globo, mas menos de um quarto de suas profundezas é conhecido. Vamos mergulhar neste universo tão fascinante quanto misterioso.
Estranhas criaturas marinhas
As profundezas marinhas são, por natureza, inacessíveis aos seres humanos. Abaixo da superfície, homens e mulheres são fisiologicamente inaptos e deparam-se com as múltiplas dificuldades de um meio condicionado pela ausência de ar, pela pressão, pela temperatura e, ainda, pela falta de luminosidade. Além da barreira física, existe também uma fronteira do imaginário. Muitos mitos e relatos povoam os abismos com criaturas monstruosas e polvos gigantescos, contribuindo para a aparente hostilidade desse ambiente.

Durante séculos, os homens navegaram pelos mares, sem saber nada sobre o que se escondia sob a superfície das águas. Já na Antiguidade, a pesca lhes proporcionou um primeiro vislumbre do universo marinho; posteriormente, o mergulho em apneia levou-os a descobrir o coral vermelho no Mediterrâneo e as pérolas no Golfo Arábico-Pérsico.
Os primeiros equipamentos de mergulho

Utilizada desde o século XVI, a campânula de mergulho (feita de vidro ou madeira) é um dos equipamentos mais antigos que permitiam a realização de trabalhos subaquáticos, especialmente para recuperar cargas valiosas em naufrágios. Posteriormente, o equipamento modernizou-se com a criação, em 1837, pelo alemão Augustus Siebe, do primeiro escafandro estanque, conectado a uma bomba de ar na superfície. Siebe também inventou os calçados lastrados com chumbo expostos na vitrine que reconstitui o equipamento completo dos primeiros escafandristas, esses novos trabalhadores dos mares : além de outros itens: adaga, lastro peitoral, lanterna e mangueira de ar.

Planeta Oceano
Mudança de cenário no Atelier des Lumières para descobrir o “Planeta Oceano”, que leva o visitante a uma viagem de “vinte mil léguas submarinas”, ao encontro da fauna e da flora que habitam esse ecossistema. As imagens provocam, em quem acompanha essa exploração oceânica, uma sensação vertiginosa: a de um mundo imenso, ainda em grande parte desconhecido, cujas profundezas continuam a alimentar tanto a pesquisa científica quanto as narrativas fantásticas.

Concebida como uma odisseia sensorial e poética, essa imersão em escala real revela alguns dos habitantes desses oceanos, dos menores aos maiores.
De tartarugas a baleias

Como se estivesse mergulhado no fundo de um aquário gigante, onde se admiram paisagens muito distintas — de corais multicoloridos a calotas polares do Norte, de tartarugas marinhas a pinguins —, o visitante se depara com uma surpresa após a outra, passando de recifes banhados de luz às profundezas dos abismos.

A seção dedicada aos gigantes dos mares destaca o poder e a diversidade de espécies gigantescas que habitam o mundo subaquático. O visitante descobre raias de envergaduras impressionantes que cruzam o ambiente com uma graça silenciosa, pontuando a paisagem com seus movimentos lentos e silenciosos. Há também as extraordinárias baleias-jubarte e o cachalote, o maior dos cetáceos com dentes.
Uma viagem magnífica às profundezas dos mares que promete encantar pais e filhos.
Fotos: © Musée de la Marine; Ville de Marseille, Dist. GrandPalaisRmn/ David Gianctarina; Alexis Rosenfeld © Comex ; Valérie Gaget; Culturespaces Studio
Serviço:
- I’Appel des profondeurs ( O chamado das profundezas) até 4 de abril de 2027 no Musée de la Marine: Place du Trocadéro 75116 Paris.
- Planète Océan (Planeta Oceano) : até 3 de janeiro 2027 no Atelier des Lumières, 38 rue Saint-Maur Paris 75011
Chantal Manoncourt

Parisiense, arqueóloga e jornalista, apaixonada pelo Brasil, já escreveu vários livros sobre turismo brasileiro.
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