Por professor Renato Munhoz
A defesa do meio ambiente também precisa saber respirar aliviada. Mas não pode parar de caminhar.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais representa um alívio para aqueles que defendem a proteção ambiental, a preservação dos biomas e o compromisso com o desenvolvimento sustentável. Pelo menos, há a expectativa de que o respeito à legislação ambiental, o fortalecimento dos órgãos de fiscalização e a valorização das políticas públicas de proteção da natureza permaneçam no centro da agenda nacional.
Mas é preciso dizer: alívio não pode se transformar em comodidade. A sensação de que um cenário mais favorável se estabeleceu não pode nos fazer acreditar que a batalha pela sustentabilidade está vencida.
Afinal, ainda temos muito a fazer pela nossa Casa Comum.
O Brasil continua convivendo com desafios ambientais gigantescos. O desmatamento, as queimadas, a pressão sobre os territórios indígenas, a perda da biodiversidade, a poluição dos rios, a destinação inadequada dos resíduos e a crise climática não desaparecerão com o resultado das urnas. São problemas estruturais, que exigem políticas públicas permanentes, fiscalização, investimento, planejamento e, sobretudo, compromisso coletivo.
Precisamos de um governo que compreenda que desenvolvimento econômico e preservação ambiental não são projetos incompatíveis. Pelo contrário, o futuro econômico, social e humano do país depende diretamente da maneira como cuidamos dos nossos recursos naturais. A Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pantanal e os demais biomas brasileiros não podem continuar sendo tratados como obstáculos ao crescimento ou como territórios disponíveis à exploração sem limites.
Também precisamos avançar na educação ambiental. Não basta cobrar atitudes do poder público se não estivermos dispostos a rever nossos próprios hábitos. A sustentabilidade começa nas grandes decisões políticas, mas também se constrói nas escolhas cotidianas, na escola, na comunidade, nas empresas e nas relações que estabelecemos com a natureza.
Alívio, mas também renovação das responsabilidades
A vitória eleitoral renova expectativas, mas também renova responsabilidades. É preciso cobrar os compromissos assumidos, acompanhar as decisões, fiscalizar as políticas ambientais e não permitir que a pauta ecológica seja esquecida quando outras urgências ocuparem o debate público.

A sociedade civil, os movimentos ambientais, as universidades, os educadores, os povos originários e as organizações do terceiro setor precisam continuar mobilizados. Não podemos terceirizar para um presidente, um partido ou um governo a responsabilidade de cuidar do planeta.
Como nos ensina a ideia de Casa Comum, tão presente nas reflexões do papa Francisco, não somos proprietários da Terra, mas parte de uma grande comunidade de vida. E cuidar dela exige muito mais do que discursos e boas intenções.
O resultado das urnas pode trazer alívio. Mas a esperança precisa se transformar em participação, compromisso e ação.
Porque, quando falamos de sustentabilidade, não existe espaço para acomodação. A natureza não pode esperar pelo próximo ciclo eleitoral. O futuro não pode ficar para depois.
Nossa Casa Comum precisa de cuidado todos os dias. E essa responsabilidade é de todos nós.

Professor Renato Munhoz
Educador, historiador, teólogo. Pós graduado em juventude gestão de programas e projetos sociais e educação ambiental.
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