Sapopema: O Luxo de Parar

picoagudo

E se você se desse dois dias para viver?

Por André Luiz Lima

Durante muito tempo achei que algumas paisagens pertenciam apenas à infância.

Eu cresci indo ao sítio dos meus tios, em São Jerônimo da Serra. Catava pedrinhas pelo caminho, tomava chuva com os pés na lama vermelha, ouvia novela no rádio, dormia cedo — como diziam por lá, “com as galinhas” — e acordava com o galo cantando e o café passado no fogão de lenha.

No horizonte existia uma montanha.

Para mim, ela tinha formato de camelo.

Chamava-se Pico Agudo. Ficava em Sapopema.

A vida aconteceu. Vieram outras cidades, outros países, outros palcos, outros encontros. Mas toda vez que eu voltava para Londrina e encontrava um prédio alto ou um horizonte aberto, lá estava ele novamente, me esperando ao longe.

Até o dia em que decidi resolver esse assunto.

Fui para Sapopema.

Achei que estava indo conhecer uma montanha.

Descobri que estava indo reencontrar uma maneira de viver.

Logo na chegada aconteceu algo que sempre me chama atenção: aquele tipo de acolhimento que não parece atendimento. Parece visita.

A porteira se abriu.

O silêncio também.

O Rodrigo apareceu como quem recebe alguém em casa, não um cliente. Contou histórias do lugar, da família, da construção dos chalés, da montanha, do trabalho de montanhista e bombeiro civil.

E percebi uma coisa curiosa.

Algumas pessoas nos apresentam um lugar.

Outras nos apresentam um jeito de olhar para ele.

À noite, fomos jantar na casa da Nina.

Sim, na casa.

Televisão ligada na sala.

Comida saindo do fogão.

Conversas atravessando a cozinha.

Voltei para a estalagem e encontrei uma fogueira pronta para ser acesa.

Naquele instante, pensei em uma frase que venho carregando comigo há algum tempo:

O verdadeiro luxo talvez não seja ter mais. Talvez seja ter tempo.

Tempo para ouvir o fogo estalar.

Tempo para sentir o cheiro da madeira.

Tempo para conversar sem olhar o relógio.

Tempo para permanecer.

Na manhã seguinte, a mesa do café parecia uma obra de arte feita pelo cotidiano.

Pão caseiro.

Café quente.

Manteiga.

Montanhas.

Céu azul.

Nenhum excesso.

Só presença.

Depois veio o Pico Agudo.

A subida exige respeito.

O corpo participa.

A respiração muda.

Os pés encontram pedras.

Os olhos encontram horizonte.

Quando cheguei lá em cima, entendi que a paisagem mais bonita não era apenas a que estava diante de mim.

Era perceber que algumas coisas continuam nos esperando durante anos.

Às vezes, o encontro demora.

Mas continua possível.

Desde aquele dia, Sapopema deixou de ser apenas um destino para mim.

Virou uma pergunta.

Como seria viver um fim de semana inteiro desse jeito?

Sem precisar correr para cumprir uma programação.

Sem transformar a natureza em cenário para uma fotografia.

Sem conversar apenas por educação.

Foi dessa pergunta que nasceu uma ideia que agora quero dividir com vocês.

Nos dias 28 e 29 de novembro de 2026, quero convidar você a viver comigo Sapopema — O Luxo de Parar.

Não é um pacote turístico.

Também não é um retiro.

É uma experiência de encontro.

Chegar.

Respirar.

Caminhar.

Sentar à mesa.

Ouvir histórias.

Olhar a paisagem.

Acender uma fogueira.

Perceber o próprio corpo.

Descobrir que a natureza também pode nos ensinar a olhar para o cotidiano de outro jeito.

Talvez a gente volte para casa com as mesmas contas, os mesmos compromissos e a mesma agenda.

Mas, quem sabe, com um olhar diferente para tudo isso.

Antonio Machado escreveu:

“Caminhante, não há caminho; o caminho se faz ao caminhar.”

Hoje eu acrescentaria outra frase.

Às vezes, o caminho também se faz quando finalmente encontramos coragem para parar.

E talvez esse seja o maior encontro de todos.

Nos dias 28 e 29 de novembro, espero encontrar você em Sapopema. Serão dois dias para viver a natureza, compartilhar histórias, respirar e experimentar o luxo de parar.

Para saber mais e participar, entre em contato comigo pelo Instagram @andreluizlima8.

E se você deseja criar uma experiência assim para um grupo ou para sua empresa, também podemos conversar.

Viva a Vida, André.

André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante, produtor cultural e criador de experiências.

Siga os Instagrans de André, @allconnecting e @aondevaiandre

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