Por André Luiz Lima
Na minha última coluna, fiz uma pergunta:
Quer companhia?
Naquele momento, talvez eu ainda não soubesse que aquela pergunta me levaria exatamente até aqui.
Porque companhia é uma coisa.
Encontro é outra.
Podemos estar acompanhados e não nos encontrarmos.
E podemos encontrar alguém em poucos minutos e sentir que alguma coisa aconteceu ali.
É disso que quero falar agora.

Dos encontros.
Tenho uma frase que me acompanha há muito tempo:
Em um encontro, eu tenho uma mensagem para você e você tem uma mensagem para mim.
Gosto de pensar assim porque um encontro não precisa acontecer entre iguais. Talvez seja justamente nas diferenças que ele se torne mais potente.
Eu encontro você com a sua história, suas crenças, seus medos, suas certezas. Você me encontra com as suas. E, no meio de tudo aquilo que nos diferencia, procuramos — às vezes sem saber — algum ponto de apoio para perceber aquilo que temos em comum.
Ser brasileiro me ensinou muito sobre isso.
Vivemos em um país marcado pela mistura, por diferentes histórias, culturas, sotaques, modos de viver e de olhar para o mundo. Essa multiplicidade abriu, para mim, a possibilidade de perceber que um mesmo tema pode ser visto por muitos olhos.
E foi justamente através dos encontros que comecei a viajar.
Primeiro, talvez, para descobrir o mundo.
Depois, percebi que o mundo também estava me ajudando a me descobrir a mim mesmo.

Nesses caminhos, encontrei pessoas com histórias tão diferentes da minha, com outros modos de proteger, amar, trabalhar, celebrar, sofrer e continuar. Pessoas que me inspiraram e, principalmente, me ajudaram a desmontar algumas crenças.
Algumas viagens não me levaram apenas para longe.
Me fizeram perceber que, muitas vezes, aquilo que eu imaginava precisar encontrar no outro ou em algum lugar distante estava muito mais perto do que eu podia imaginar.
Estava na troca.
Na conversa.
No olhar.
Na escuta.
No corpo presente diante de outro corpo.
E talvez essa seja uma das grandes forças misteriosas de um encontro:
nossas diferenças podem revelar o quanto somos iguais.
Foi assim que meus encontros se tornaram minha grande escola.
Eles me fizeram atravessar fronteiras, conhecer outras culturas, experimentar outras maneiras de viver e respirar novos ares quando eu precisava continuar.
Cada encontro ampliava um pouco o meu mundo.
E, quando o mundo fica maior, algumas certezas precisam diminuir.
Talvez por isso o encontro esteja também na origem do meu trabalho com o Poder da Expressão.
Antes da fala, existe o corpo.
Antes da resposta, existe a respiração.
Antes de querer ser compreendido, existe a necessidade de saber olhar e ouvir.
E existe uma pergunta que me acompanha há muitos anos:

Que corpo é esse?
Que corpo é esse que chega?
Que corpo é esse que sente?
Que corpo é esse que se protege?
Que corpo é esse que deseja?
Que corpo é esse que encontra?
Foi percebendo o meu próprio corpo nos encontros que comecei a compreender que expressão não é performance.
É presença.
É estar disponível para perceber o que acontece quando eu encontro o outro — e quando, através desse outro, encontro alguma coisa em mim.
Uma pergunta.
Um desejo.
Um medo.
Uma coragem que eu ainda não conhecia.
Uma possibilidade.
Talvez seja isso que mais amo nos encontros: eles não terminam necessariamente quando nos despedimos.

Algumas pessoas passam pela nossa vida e deixam uma frase.
Outras deixam uma pergunta.
Outras abrem uma porta.
Outras nos fazem mudar de caminho.
E existem aquelas que simplesmente nos devolvem para nós mesmos.
Por isso, talvez Quer Companhia? tenha sido mais do que o nome de um projeto.
Foi um convite.
Um convite para caminhar junto.
Para compartilhar uma experiência.
Para descobrir que companhia não é apenas estar ao lado de alguém.
É estar presente.
É olhar.
É ouvir.
É trocar.
É encontrar.
E agora, depois de tantos caminhos percorridos, é esse convite que quero levar para os encontros.
Porque talvez a vida seja feita disso:
de encontros que nos transformam, de diferenças que nos ensinam, de conversas que abrem janelas e de pessoas que, por alguns instantes ou por muitos anos, nos ajudam a enxergar a vida com outros olhos.
Meus encontros me trouxeram até aqui.
E talvez continuar vivendo seja justamente isso:
encontrar.
Encontrar pessoas.
Encontrar lugares.
Encontrar diferenças.
Encontrar semelhanças.
Encontrar o mundo.

E, no meio de tudo isso, continuar me encontrando a mim mesmo.
Porque, no fim, talvez todo verdadeiro encontro carregue uma possibilidade:
Eu tenho uma mensagem para você.
E você tem uma mensagem para mim.
Então, depois de tudo isso, fica aqui o meu convite:
Vamos nos encontrar?
Pode ser numa conversa, numa caminhada, numa viagem, numa experiência, num café, num olhar, numa escuta.
Pode ser onde a vida quiser.
Porque talvez a gente nunca saiba exatamente o que vai acontecer quando duas histórias se encontram.
Mas alguma coisa sempre acontece.
Viva a Arte dos Encontros.
Viva a Vida, André.
André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante, produtor cultural e criador de experiências.
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