O alto custo do político que você vai contratar para gerir o dinheiro público. Avalie seu voto

Plenário Câmara Fed(Fabio Rodrigues PozzebomAgência Brasil)

por Suzi Bońfím

Faltam poucos dias para escolher os nossos representantes na Presidência da República, Congresso Nacional e Legislativo Estadual. Mas, até que ponto nos sentimos realmente representados por um político se, na maioria das vezes, mal lembramos quem elegemos no último pleito? Já passou da hora de entendermos e agirmos como quem está contratando alguém que vai prestar serviços à sociedade nos próximos quatro anos.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil tem 158,7 milhões de eleitores aptos a votar no primeiro turno, em 4 de outubro de 2026. Deste total, 83,8 milhões são mulheres, o que corresponde a 52,81% do eleitorado. No Paraná, 8.609.026 eleitores devem ir às urnas. Portanto, serão os responsáveis pela contratação de um dos 20.943 candidatos à um cargo público nos governos federal e estadual. 

Antes de decidir quem você vai contratar, coloque na ponta do lápis quanto vai investir para uma administração eficiente e o consequente desenvolvimento do país.   

O político é um servidor público eleito para representar o povo. O custo anual para o exercício do mandato é de cerca de R$1 milhão/ano

O salário mensal bruto, do presidente da República, segundo o Portal Oficial do Governo Federal, é de R$ 46.366,19, mais de meio milhão por ano, com direito à  residência, transporte e segurança oficiais,além de estrutura administrativa para o exercício da função. 

A remuneração de senadores e deputados federais é de R$ 46.366,19. Valores brutos sem os descontos de imposto de renda e INSS. Mas, além dos subsídios eles têm garantido para o exercício do mandato uma série de benefícios: 

Passagens aéreas e deslocamentos-  cota de passagens aéreas e outros recursos de transporte vinculados ao mandato, conforme as regras da Câmara ou do Senado.

Moradia em Brasília-  imóvel funcional ou auxílio-moradia ou ressarcimento de aluguel, de acordo com as normas da respectiva Casa.

Verba de gabinete e assessores- cada parlamentar dispõe de equipe de assessoria e recursos para o funcionamento do gabinete. São verbas institucionais, não salário pessoal.

Cota para o exercício da atividade parlamentar-  pagamento de despesas como divulgação do mandato, consultorias autorizadas, serviços postais, telefonia e outros gastos previstos em regulamento.

Assistência à saúde- Existem regras próprias de assistência médica e odontológica para parlamentares e, conforme o caso, dependentes.

Nos estados, o valor pago a governador e deputado estadual é variável. Assim, o  chefe do Poder Executivo no Paraná, entre 2023 e 2026, tem um salário de R$ 33.763,00, mais segurança, transporte, estrutura da Governadoria e despesas oficiais. Já os parlamentares na Assembleia Legislativa do estado (Alep) recebem R$ 34.774,64 por mês, mais uma verba de ressarcimento de R$ 44.445,34 mensalmente. 

O Portal Transparência da Alep informa ainda que cada deputado tem direito a assessores e estrutura de gabinete, transporte e viagens. Despesas de deslocamento em serviço, transporte em veículo próprio e diárias podem ser ressarcidas, segundo regras da assembleia. 

Nada mal para quem oficialmente tem uma agenda de trabalho durante 10 meses do ano, que prevê participação obrigatória apenas em sessões plenárias deliberativas. A ausência de senadores e deputados federais tem que ser justificada ou haverá desconto no subsídio e, em determinadas situações, contribuir para processo de perda do mandato

O parlamentar que é membro titular de uma comissão tem dever regimental de comparecer às reuniões. A frequência é registrada. Porém, não significa que ele seja obrigado a participar de todas as reuniões  — ele só pode ser membro de determinadas comissões.

Também não há a obrigatoriedade em participar de reuniões de bancada, audiências, eventos, atendimento à população, visitas a municípios e outras atividades políticas.

Os cálculos feitos pela Inteligência Artificial apontam que no Brasil, os custos de um político para o contribuinte por ano, considerando salários mais recursos diretamente ligados ao mandato, giram em torno de R$ 950 mil a R$1,02 milhão/ano, dependendo do cargo e considerando utilização integral das cotas de referência.

Currículo do candidato/candidata 

Depois de entender o quanto você está pagando para preencher os cargos políticos em Brasília e nos estados nessas eleições, nada mais sensato do que avaliar mais atentamente quem vai ter o privilégio de ser contratado por você.

São muitas ferramentas disponíveis oficiais como o TSE e não oficiais como os sites dos partidos e redes sociais dos próprios candidatos. Mas, é preciso ter disposição para realmente ir atrás das informações e conhecer a proposta dos candidatos.

A campanha eleitoral apresenta uma pequena parte dos candidatos e, considerando o tempo de cada um, o esforço deles se concentra em falar o nome, número e partido. Alguns têm frases de efeito e jargões para expressar o que defendem, mas tudo sem profundidade e acabam não dizendo nada. 

Os temas saúde, segurança, educação, defesa dos animais, combate à violência contra a mulher se repetem e não dá para saber o que exatamente o candidato vai fazer na prática. Muitos misturam alhos com bugalhos e propõem ações fora da competência do parlamento – mas isto é outra história. 

Uma ferramenta extra-oficial recente pode dar respostas mais diretas ao eleitor sobre os políticos que disputam a Presidência da República e os governos de todos os estados e do Distrito Federal, nas eleições de 04 de outubro. O site Puxa Ficha  reúne dados de fontes públicas como TSE, Câmara e Senado sobre 206 candidatos com R$1,8 bilhão de patrimônio declarado. 

Você vai ter informações da evolução patrimonial, histórico partidário, processos, gastos de campanha, origem dos recursos, uso de verba pública e comparação entre candidatos. O acesso é gratuito e as fontes disponíveis para consulta confiáveis.   

São iniciativas como esta que podem incentivar o cidadão a conhecer melhor quem pretende administrar o dinheiro público. Mas, para isso é preciso ter atitude: escolha as candidatas e candidatos que te chamam a atenção, invista o seu tempo (que é precioso) nesta busca necessária, avalie de onde ele e ela são, o que defendem e estão propondo de verdade, e então, decida seu voto. 

Não escolha quem o patrão pediu, o vizinho indicou, porque é amigo do amigo da família ou porque você espera ser beneficiado diretamente por algo, Seja um cidadão de verdade. Principalmente se você é mulher já que não é por acaso que somos a maioria dos eleitores no país.  

Fotos: gov.br/ TSE

Suzi Bońfím

Jornalista formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com experiência em assessoria de imprensa, mídia digital, rádio e televisão. Viveu por quase 30 anos em Cuiabá (MT), onde consolidou sua trajetória profissional. É sócia do O Londrinēnse e entrevistadora do O Londrinēnse POD.

Instagram @suzi.bonfim

Leia mais colunas Na minha opinião…

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse