Coletivo de escritoras organiza espaço oficial da Casa Paraná na 24ª Flip

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Com o tema “O Futuro é Coletivo” e homenagem a Helena Kolody, o espaço representa o estado no maior evento literário do Brasil, de 22 a 26 de julho, em Paraty (RJ)

O LONDRINE̅NSE com assessoria

A Casa Paraná é o espaço oficial da literatura paranaense na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), com curadoria do Coletivo Marianas, grupo de escritoras em atividade desde 2014 em Curitiba. Organizada via edital público, a casa homenageia a poeta paranaense Helena Kolody (1912-2004) e funciona como ponto de encontro entre a Biblioteca Pública do Paraná, autores, editoras independentes, leitores e pesquisadores durante os cinco dias do evento, na Rua Comendador José Luiz, 274, Centro Histórico de Paraty (RJ).

Edra Moraes – Foto: Divulgação

A programação, aberta ao público o dia todo, inclui lançamentos e exposição de livros e atividades gratuitas, como mesas de debate, oficinas de haicai e escrita criativa, rodas de conversa, saraus, uma mesa sobre mercado editorial e outra sobre rodas de leitura com pessoas privadas de liberdade. À noite, o espaço recebe o Boemia Poética, sarau de microfone aberto.

Segundo a curadora geral da casa, a escritora Edra Moraes, a proposta é apresentar o panorama da produção literária contemporânea do Paraná, com autores consagrados e novos talentos. “O Paraná tem uma produção literária robusta, diversa e contemporânea, que merece ocupar um lugar de destaque no cenário nacional”, garante.

Com visão de longo prazo, a ideia é não só realizar uma boa programação durante cinco dias, mas consolidar uma política permanente de presença da literatura paranaense nos grandes eventos nacionais.

Programação diversificada

Idealizada pelo Coletivo Marianas, grupo de escritoras e artistas, a Casa Paraná foi concebida como um espaço de diversidade que busca corrigir a histórica desigualdade de visibilidade da produção cultural de mulheres. A programação conta com a participação de editoras e coletivos parceiros, como o Grupo de Editoras Independentes de Curitiba e Região Metropolitana (GREI), que agrega nove editoras paranaenses (Anadara brasiliana Edições, Editora Autoral, Editora Donizela, Editora Elixir, Factum História, Editora Insight, IS Editora, Laboralivros e Máquina de Escrever), e o Mulherio das Letras Paraná, que reúne diversos coletivos feministas paranaenses (Marianas, Oceânicas, Pretas com Poesia, Vozes Escarlate).

O Coletivo Marianas promoverá uma exposição com livros de integrantes do GREI e do Mulherio das Letras Paraná, reunindo autores e autoras contemporâneos e obras de autoras consagradas, entre elas a homenageada, Helena Kolody, e Alice Ruiz, Luci Collin e Laura Santos.

Homenagem a Helena Kolody

Casa Paraná, na Flip, está sendo organizada pelo Coletivo Marianas, grupo de escritoras paranaenses e vai homenagear a poeta Helena Kolody
Helena Kolody – foto: reprodução da internet

A poeta Helena Kolody é um dos maiores nomes da literatura paranaense e referência nacional. “É o reconhecimento de uma autora que transcende o Paraná e permanece atual, inspirando novas gerações de leitores e escritores”, afirma Edra Moraes. Kolody foi uma das responsáveis por aproximar a poesia brasileira de formas breves inspiradas na tradição oriental, especialmente o haicai, presente na programação da Casa Paraná.

O historiador, músico e produtor cultural Eduardo Kolody, sobrinho-neto da poeta paranaense, participa da mesa de abertura da Casa Paraná no dia 22 de julho, às 17h, em homenagem à autora.

Pesquisador da Unicamp e pós-doutorando na UFES, Eduardo Kolody trabalha com História Pública a partir da salvaguarda do legado artístico de Helena Kolody e Conrado Silva. Na mesa de abertura, ele divide a mesa com a escritora Gisela Maria Bester — vencedora dos prêmios Cidade de Curitiba e Yoshio Takemoto e do concurso Cruz e Souza —, com mediação de Tatjane Garcia, produtora cultural e diretora executiva do Instituto Edésio Passos.

Sobre o Coletivo Marianas

Fundado em 2014 em Curitiba, o coletivo leva o nome da intelectual Mariana Coelho (1857-1954), pioneira na defesa da educação e emancipação das mulheres. Reúne 150 integrantes e, em 2026, se formalizou como associação sem fins lucrativos. É certificado pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura e venceu, em 2026, o Prêmio Curitiba Mais Criativa, na categoria Comunidades Criativas.

Foto principal: Flip

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