Por Telma Elorza
“Desisti de me relacionar emocionalmente com homens há tempos – são imaturos e muito ruins de cama – e agora pago por sexo com garotos de programa. Minhas amigas – que sabem disso – ou me criticam ou tem inveja declarada. Mas estou na minha melhor fase de vida, sem preocupações e focada na minha carreira, que vai muito bem. A propósito, tenho 46 anos, sou bonita, tenho um corpo forte e gostoso à base de muita malhação e atraio muitos homens de todos os tipos. Esses detalhes são importantes para quem acha que garoto de programa é só para mulheres velhas e feias.”
Recebi esse relato no e-mail, comentando uma coluna antiga sobre como contratar um garoto de programa e minha primeira reação foi aplaudir essa mulher bem resolvida. E, antes de qualquer coisa, quero dizer que adorei a sinceridade. A maioria esconde sexo pago com medo de julgamentos e a leitora, além de contar aqui, ainda espalhou para as amigas! Bravo! Num mundo onde muita gente finge viver um conto de fadas enquanto chora escondido no banheiro, ela simplesmente resolveu dar um “foda-se”.
E, vamos ser sinceras? Não é difícil entender o por quê dela tomar essa decisão. Ela não desistiu dos homens e do sexo e virou uma celibatária. Simplesmente desistiu dos joguinhos emocionais, dos marmanjos que ainda precisam de aprovação das mamães (e como tem homem desse tipo), de homens que acham que mulher tem que ser submissa e que só servem para trepar e cuidar dos filhos e da casa. Na maioria, são uns caras que acham que desempenho sexual é aquilo que eles veem em filmes pornôs.
Existe uma geração inteira de caras que sabe pilotar drone, configurar inteligência artificial, investir em criptomoedas e discutir futebol por horas. Mas trava completamente quando precisa manter uma conversa inteligente com uma mulher independente. Mulheres que exigem orgasmos? Nossa, fogem correndo.
Mas aí alguém pode dizer “mas pagar por sexo é muito deprimente”. Não é, não. Pelo contrário, mostra um empoderamento incrível. E por que criticar, se os homens fazem isso há milênios e ninguém acha estranho?
E achei muito pertinente a colocação dela, que mostra que é uma mulher bonita, interessante, inteligente e com um “corpão” malhado. Ou seja, acaba com o preconceito de que “mulher só procura um garoto de programa porque não consegue arrumar ninguém”, que é coisa de velha, feia ou gorda.
Como se conseguir homem e sexo fosse o problema
Arrumar homem é a coisa mais fácil que existe. É só entrar num aplicativo tipo Tinder que vai ter dezenas de homens dispostos a trepar com você de graça, independente da sua idade, peso, altura ou aparência. Estão lá, disponíveis 24 horas por dia, facinhos.
Porém…
É como eu disse ali em cima, a maioria não sabe nem onde fica o clitóris.
Pra mim, a leitora fez simplesmente uma conta matemática. De um lado estão os encontros frustrantes e homens que confundem maturidade com barriga de chope e muitas decepções. Do outro, garotos de programas escolhidos à dedo com a obrigação profissional de serem interessantes e muito bons de cama (nenhum deles vai se sustentar nessa profissão se não forem bons de cama). Que vai passar uma ou duas horas fazendo exatamente o que a cliente pedir, sem julgamentos. Ah, que maravilha. Estou no time das amigas que estão com inveja, HO! Pena que minha renda não permita, kkk.
Portanto, aplaudo outra vez essa leitora. Buscar sexo pago não é falta de amor-próprio, pelo contrário. É usar com inteligência os recursos que têm. Ela não precisa se preocupar com um cara inseguro emocionalmente do seu lado, deixando de batalhar sua própria carreira para segurar a mão de alguém. Pode se dedicar, crescer e ser feliz à sua maneira.
“Ah, tia Telma, e o amor e o companheirismo? Onde fica nisso tudo”? Gente, nem toda mulher sonha com o amor romântico, casamento, casa, filhos. Principalmente quando vê suas próprias amigas reclamarem do marido que ronca, que não ajuda nada em casa e com os filhos, que acha que preliminar é perguntar: “e aí, foi bom pra você?” e que ainda precisa da sua ajuda para pagar as contas de todo mês.
Ela encontrou uma solução prática para uma necessidade biológica. Não está enganando ninguém, não está colecionando traumas nem esperando e torcendo para que o cara mude. Sexo com garoto de programa é uma relação baseada em transparência. Cada um sabe exatamente o porquê de estar ali. E, por incrível que pareça, talvez seja um dos acordos mais honestos que existem.
Tia Telma só tem uma recomendação: faça sexo pago com responsabilidade. Escolha profissionais que respeitem limites e priorizem o consentimento. Antes de qualquer encontro sexual, conversem claramente sobre tudo isso e sobre o uso de preservativos. Prefira ambientes seguros (evite levá-lo à sua casa), preserve sua privacidade e interrompa qualquer situação que gera desconforto.
A liberdade feminina começa justamente aí, quando se escolhe como quer viver a própria vida e não precisa justificar suas escolhas para ninguém, muito menos para quem nunca pagou as suas contas – nem financeiras nem emocionais.
Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br

Quem é Tia Telma?
Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.
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