A permissão de continuar e o propósito

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Por André Luiz Lima

Na arte dos encontros, durante muito tempo acreditei que propósito era uma linha reta. Algo que eu precisava descobrir, perseguir e alcançar — como se a vida fosse uma grande montanha e eu tivesse a obrigação de continuar subindo todos os dias, sem parar, sem hesitar, sem olhar para trás.

"Primeiro vem o propósito de ir; depois, vem a preparação". Essa frase ecoou porque, muitas vezes, sabemos onde queremos ir, mas não como continuar sem nos abandonar no caminho
Fotos: Acervo pessoal

Mas a vida tem um jeito curioso de nos ensinar. Às vezes, quando estamos muito focados em chegar, esquecemos de cuidar daquele que caminha.

Foi assim que compreendi uma nova camada da permissão.

Durante anos, pensei que permissão significava autorizar meus sonhos, meus projetos, meus desejos e minhas mudanças. E continua significando. Mas hoje, percebo algo mais profundo.

Também preciso me dar permissão para descansar.

Permissão para recuperar as forças, para não resolver tudo de uma vez, para não enxergar toda a extensão da estrada.

Recentemente, relendo uma história que me acompanhou em outro momento da vida, reencontrei uma ideia simples: primeiro vem o propósito de ir; depois, vem a preparação. Essa frase ficou ecoando dentro de mim. Porque, muitas vezes, sabemos exatamente para onde queremos ir. O que não sabemos é como continuar sem nos abandonar no caminho.

Talvez maturidade não seja apenas ter clareza do destino. Talvez seja aprender a honrar as necessidades do caminhante.

O corpo pede atenção. O coração pede espaço. A mente pede silêncio.

E nada disso significa desistência. Significa preparação.

Há uma diferença enorme entre parar porque desistimos e pausar porque estamos nos fortalecendo para a próxima etapa.

Hoje vejo que intenção não é controlar o futuro; intenção é escolher uma direção. Posso não saber exatamente como as coisas acontecerão, posso não conhecer todos os atalhos, mas posso escolher o que desejo cultivar:

  • Mais presença.
  • Mais verdade.
  • Mais saúde.
  • Mais vida.
Quando esse propósito está claro, o caminho começa a se revelar aos poucos, como um mapa iluminado apenas pelo próximo raio de luz. Não precisamos ver a montanha inteira. Vemos apenas o suficiente para dar o próximo passo.
"Primeiro vem o propósito de ir; depois, vem a preparação". Essa frase ecoou porque, muitas vezes, sabemos onde queremos ir, mas não como continuar sem nos abandonar no caminho

Talvez seja exatamente isso que a permissão esteja tentando me ensinar. Não a permissão para abandonar a jornada, mas a permissão para continuar caminhando de forma mais humana. Com menos cobrança. Com mais consciência.

Porque o propósito continua ali quando paramos para respirar. Às vezes, é justamente nesse instante de pausa que ele volta a falar mais claramente ao nosso coração e nos ajuda a encontrar a nós mesmos.

Viva a arte dos encontros.

Viva a Vida, André.

André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante e produtor cultural.

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