E vereador que vive de ataque?

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Por Ana Paula Barcellos

Tem vereador que parece viver de ataque. Quando você ouve falar mais dos escândalos, das brigas e das declarações bombásticas de um político do que do trabalho que ele efetivamente faz (e pode notar: geralmente, quando apresenta um trabalho, ele é questionável, inconsistente e pouco efetivo), já pode desconfiar: tem problema aí.

Quando o vereador ou a vereadora precisa gritar demais, atacar demais, apontar dedo o tempo todo, pode saber que algo está errado. E quando o grito vira cortina de fumaça para encobrir os próprios erros? Aí o buraco é mais embaixo.

Foi exatamente o que aconteceu com a nossa vereadora que virou chacota nacional. Apresentou um projeto furado, daqueles que, no afã de proibir uma coisa, acabava proibindo todo mundo e qualquer pessoa de praticar esportes. Errou feio, errou rude. Mostrou despreparo, falta de entendimento básico do que estava propondo. O Instagram virou um mar de críticas e deboche – e com razão.

A vereadora e seus inimigos fabricados

E o que a vereadora fez logo em seguida? Mostrou mais serviço para compensar o vexame? Reconheceu o erro e corrigiu o rumo? Não. Escolheu atacar colegas e ex-colegas de tribuna. Dobrou a aposta no pior caminho possível. Ficou ainda pior.

Eu desconfio muito de quem precisa ter sempre um oponente, um inimigo fabricado para se manter em destaque. Essa lógica de “nós contra eles” vira muleta. Quem depende disso para existir politicamente geralmente tem pouco de concreto para mostrar. Quem grita muito, no fim, entrega pouco.

E tem mais: falta decoro. Decoro é ter a mínima compostura para reconhecer que errou, pedir desculpas quando o erro é público e grosseiro, e não sair cuspindo veneno em cima dos outros para desviar o foco da própria trapalhada. Quem não tem decoro não merece a tribuna. Ponto final.

Foto principal: IA/Freepik

Ana Paula Barcellos

Vereador que grita demais, atacar pessoas e inimigos fabricados é indicativo que algo está errado. Grito vira cortina de fumaça para erros flagrantes

É graduada em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mestre em Estudos Literários, integra coletivos culturais da cidade e é agente cultural.

Sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências, e escreve também a coluna de Moda deste jornal. Siga o Instagram @yopaulab

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