Por professor Renato Munhoz
A sustentabilidade emerge como um pilar essencial na educação contemporânea, especialmente no contexto das mudanças climáticas que ameaçam o planeta. Com a COP30 se aproximando em Belém, no Pará, em novembro de 2025, é imperativo integrar temas ambientais no currículo escolar para preparar as novas gerações.
Integração de temas climáticos no currículo: combatendo a desinformação
A integração de temas climáticos no currículo escolar é fundamental para fomentar a sustentabilidade e equipar os jovens com ferramentas contra a desinformação. Autores como Daniel Munduruku e Márcia Kambeba, escritores indígenas brasileiros, argumentam que a ideologia consumista é a raiz da crise climática, defendendo uma transformação radical nas estruturas de consumo para uma verdadeira sustentabilidade. Eles enfatizam que a educação deve promover valores indígenas, que veem a natureza não como recurso, mas como entidade viva, combatendo narrativas que negam o aquecimento global.
Henri Acselrad, um pensador crítico da justiça ambiental no Brasil, define a injustiça ambiental como a imposição desigual de riscos, ligando o racismo ambiental ao aquecimento global e defendendo pautas indígenas para uma sustentabilidade equitativa. No currículo, isso pode se traduzir em aulas que analisam relatórios do IPCC, desmascarando fake news sobre o clima e preparando alunos para empregos verdes, como em energias renováveis ou conservação. Assim, a sustentabilidade não é apenas um conceito abstrato, mas uma prática diária que fortalece o pensamento crítico e a resiliência global.
Conexões locais: sustentabilidade na Agricultura e impactos nas escolas de Londrina
Em Londrina, no Norte do Paraná, a sustentabilidade ganha contornos locais ao conectar a educação com a agricultura sustentável e os impactos de secas e enchentes nas escolas. A bacia do Rio Tibagi, que abrange a região, sofreu um aumento de quase 2,5°C entre 1976 e 2021, agravando secas e enchentes que afetam diretamente o aprendizado, como interrupções em aulas devido a inundações em municípios próximos. Davi Kopenawa, líder Yanomami e autor ambientalista, alerta que o aquecimento global ameaça territórios indígenas e agrícolas, defendendo uma sustentabilidade que respeite conhecimentos ancestrais para combater a degradação.

No contexto paranaense, iniciativas do IDR-Paraná promovem tecnologias para uma agricultura mais sustentável, preservando o solo e aumentando a rentabilidade sem comprometer o meio ambiente. Nas escolas de Londrina, professores podem usar esses exemplos para discutir como enchentes, como as de 2016 que causaram deslizamentos e prejuízos, impactam a educação, incentivando projetos de sustentabilidade local, como hortas escolares resistentes ao clima extremo. Essa abordagem não só combate a desinformação regional sobre o aquecimento global, mas prepara os jovens para carreiras em agricultura verde, integrando sustentabilidade ao cotidiano.
A COP30 nas salas de aula: um fato histórico imperdível
A COP30, sediada em Belém, representa uma porta histórica para o Brasil no combate ao aquecimento global, e transformá-la em tema de sala de aula é essencial para não perdermos essa oportunidade de sustentabilidade planetária. Ailton Krenak, filósofo indígena brasileiro, critica o modelo ocidental que ignora as pautas indígenas, defendendo que a sustentabilidade verdadeira surge do diálogo com povos originários para enfrentar o colapso climático.
Educadores podem usar a COP30 como gancho para debates sobre justiça climática, inspirando-se em propostas como simulações de conferências onde alunos negociam acordos ambientais. Isso prepara gerações para empregos verdes, como em biodiversidade amazônica, enquanto combate a desinformação ao destacar o papel indígena na preservação. Não deixar a COP30 se perder significa ancorá-la na educação, promovendo sustentabilidade como legado histórico para o Brasil e o planeta.
Proposta de oficina pedagógica: “Sustentabilidade Climática: Da COP30 à Ação Local”
Para concretizar essas ideias, proponho uma oficina pedagógica de 4 horas para alunos do Ensino Fundamental II ou Médio, intitulada “Sustentabilidade Climática: Da COP30 à Ação Local”. A oficina inicia com uma roda de conversa sobre impactos climáticos em Londrina, usando vídeos de secas no Norte do Paraná. Em seguida, divide os participantes em grupos para simular negociações da COP30, pesquisando propostas indígenas e empregos verdes. Atividades incluem criar cartazes contra desinformação e planejar uma horta sustentável escolar resistente a enchentes.
Essa oficina alinha-se a competências da BNCC, como a Competência Geral 7, que enfatiza argumentar com base em fatos para promover consciência socioambiental e sustentabilidade responsável em âmbitos local e global. Também conecta à Competência Geral 9, focada em agir com autonomia e princípios sustentáveis para o cuidado do planeta. Na área de Ciências, atende à habilidade EF08CI16, discutindo iniciativas para restabelecer o equilíbrio ambiental. Ao final, os alunos apresentam projetos, fomentando empatia e responsabilidade coletiva pela sustentabilidade.
Professor Renato Munhoz

Educador, historiador, teólogo. Pós graduado em juventude gestão de programas e projetos sociais e educação ambiental.
Me siga no Instagram: @profrenatomunhoz
Leia as colunas sobre Sustentabilidade e Pensar Educação
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

