Você não precisa ser Sérgio Moro para deixar seu celular mais protegido

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É possível tentar evitar a invasão de seu telefone seguindo algumas regras de segurança

Telma Elorza

Equipe O LONDRINENSE

Os serviços de mensagem Whatsapp e Telegram têm estado em destaque nas últimas semanas depois que hackers invadiram os celulares do ministro da Justiça Sergio Moro e membros do Ministério Público Federal. E isso está levando muita gente a se preocupar com a segurança do próprio celular e como fazer para se proteger. Afinal, ficar sem os sistemas de mensagens, hoje, é quase impossível.

Segundo o advogado e especialista em Direito Digital e Crimes Cibernéticos Fernando Peres, o golpe não é novidade e já vem, há algum tempo, atingindo muitas pessoas. “A partir da clonagem de uma linha de celular, o golpista pode ter acesso a tudo, das redes sociais, aplicativos e até contas correntes”, diz. Segundo ele, é possível perceber que estão tentando fazer uma invasão e clonagem na linha. “Eles fazem testes, mandam mensagens, tentam invadir e-mails, para ver se a linha está ativa. A vítima pode identificar antes e tentar barrar”, explica.

A clonagem da linha é feita, basicamente, de um único modo: a linha é transferida para outro chip e o criminoso passa a ter controle sobre ele. Isso pode acontecer com ajuda de um funcionário da operadora ou, de posse de dados cadastrais do cliente, o golpista liga para a operadora e, se passando pelo cliente, avisa que perdeu ou teve o celular roubado e solicita a transferência para outro chip. “No início, esse tipo de golpe parecia meio aleatório, não direcionados. Hoje estão se profissionalizando, direcionando os ataques a figuras públicas ou empresários. Pessoas com alto uso de redes sociais e muita movimentação financeira. Porque, hoje, a partir de um celular, você tem acesso a bancos, empréstimos, compra e venda de materiais”, explica Peres.

Outra forma de obter acesso indevido não tem nada a ver com a clonagem do celular. “Às vezes, o golpista envia uma mensagem falsa, se passando por um funcionário de banco ou site que se usa muito, por exemplo, onde pede a senha de recuperação de sua conta ou celular”, explica.

Para se prevenir, é preciso ter uma educação de segurança. “Se receber mensagens de tentativas de acesso a redes sociais que não fizemos, é um sinal certo que tentaram invadir. O que você pode fazer é cadastrar para receber esse comunicado pelo e-mail e não só pelo celular. Ou se a linha de telefonia deixar de funcionar por alguns minutos, mesmo que breves, deve entrar em contato imediatamente com a operadora para ver se está tudo bem. Nas redes sociais, há uma dupla identificação – além das senhas que utilizamos, é gerado uma senha temporária”, afirma. A dupla identificação também está no Whatsapp e nos e-mails. “No Whatsapp por exemplo, existe uma senha que podemos configurar no aparelho que, se nossa conta for instalada em novo celular, vai exigir essa senha”, diz.

De acordo com o advogado, no entanto, nada disso é 100% seguro. “No Telegram existe uma expectativa uma confiabilidade maior, porém, como provado pelo ministro, nada é 100%, principalmente se o computador ou celular estiver sendo monitorado”.  

O maior problema, de acordo com Peres, é que muita gente negligência a questão da segurança na internet. “Há muitas pessoas que usam uma mesma senha em vários sites e serviços. Se o criminoso descobrir uma única senha, pode acabar acessando tudo”, explica. Ter várias senhas é o mínimo da segurança possível.

Foto: Pixabay

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